O sonho de conquistar a Copa do Mundo e 'trazê-la de volta para casa' permanece vívido para a seleção da Inglaterra. Em uma noite de domingo marcada por drama, reviravoltas e condições climáticas adversas, os Três Leões não se intimidaram com o fervor da torcida mexicana, que transformou o lendário Estádio Azteca em um mar verde, e superaram os anfitriões por 3 a 2. A vitória, obtida nas oitavas de final, garantiu aos ingleses uma vaga nas quartas, em um confronto que já entra para a história do torneio.
A partida, eletrizante do início ao fim, não foi apenas um teste de habilidade, mas de resiliência. Com um jogador a menos em parte do segundo tempo e enfrentando a pressão de um estádio lotado, a equipe inglesa demonstrou a capacidade de superar obstáculos. Para o México, o resultado representa mais um capítulo doloroso em sua infame 'maldição do quinto jogo', prolongando uma sina que assombra a seleção em Mundiais há décadas.
Um Início Caótico e a Explosão Inglesa no Azteca
A noite no Azteca começou com um cenário digno de cinema. Previsto para as 21h (horário de Brasília), o pontapé inicial foi postergado em uma hora devido a um forte temporal que castigou a Cidade do México. Raios e chuvas torrenciais forçaram a Federação Internacional de Futebol (FIFA) a acionar o protocolo de segurança, redirecionando torcedores para áreas protegidas e criando um ambiente de suspense e apreensão. Quando a bola finalmente rolou, o gramado ainda molhado e a atmosfera densa prenunciavam um jogo de alto impacto.
Os primeiros 30 minutos refletiram a tensão: muita disputa física, pouca fluidez e um cartão amarelo precoce para o volante inglês Declan Rice, sinalizando a intensidade da partida. Apenas uma cabeçada de Raúl Jiménez, defendida por Jordan Pickford, rompeu a monotonia inicial. No entanto, os 15 minutos que antecederam o intervalo transformariam completamente o panorama do jogo, marcando uma virada dramática no placar.
A Avalanche de Bellingham e a Resposta Implacável do México
Aos 36 minutos, a Inglaterra quebrou o silêncio do Azteca. Em um contra-ataque fulminante iniciado por Pickford, Bukayo Saka avançou pela direita, superou Jesús Gallardo e cruzou na medida para Jude Bellingham, que escorou para as redes. O gol, um alívio para os ingleses e um choque para os mexicanos, foi apenas o prelúdio.
Menos de um minuto depois, Elliot Anderson desarmou Gilberto Mora no meio-campo, e a bola chegou a Bellingham. O jovem astro acionou Harry Kane, que chutou cruzado, e o próprio Bellingham, oportunista, apareceu para completar e silenciar novamente o estádio. Em um piscar de olhos, a Inglaterra abria 2 a 0, expondo a defesa mexicana e a perplexidade da torcida local.
O México, contudo, não se entregaria facilmente. Atordoada, a equipe buscou uma reação imediata. Aos 42, após cobrança de falta, a bola desviou em Ezri Konsa e sobrou para o atacante Julián Quiñones, que fuzilou para o gol, recolocando os anfitriões na partida. O primeiro tempo ainda testemunharia duas grandes chances com Jiménez nos acréscimos, incluindo uma defesa espetacular de Pickford, que manteve a vantagem mínima inglesa para o intervalo, demonstrando a inconstância e a emoção do confronto.
Expulsão, Pênaltis e a Resiliência Inglesa Contra a Pressão Mexicana
A segunda etapa começou com a mesma intensidade. Aos três minutos, Nico O'Reilly carimbou a trave esquerda, um aviso do que viria. Quatro minutos depois, um lance controverso mudaria o rumo do jogo. O lateral Jarell Quansah atingiu a perna de Gallardo com a sola do pé. O árbitro Alireza Faghani, inicialmente, não marcou nada, mas, após ser chamado ao vídeo pelo VAR, reviu a jogada e aplicou o cartão vermelho direto ao inglês. A Inglaterra estava com um a menos e o México, com o apoio da torcida, parecia pronto para virar.
No entanto, o futebol reservava mais uma surpresa. Antes que o México pudesse capitalizar a superioridade numérica, a Inglaterra, com um lampejo de eficiência, ampliou o placar. Aos 12 minutos, o goleiro Raúl Rangel derrubou Anthony Gordon na área, e a arbitragem assinalou pênalti. Harry Kane, com a frieza de um artilheiro, converteu, marcando seu sexto gol na Copa e recolocando a Inglaterra com dois gols de vantagem (3 a 1) em um momento crucial.
A dramaticidade da partida atingiria seu auge pouco depois. Aos 20 minutos, o próprio Harry Kane cometeria um pênalti, acertando a perna de Brian Gutiérrez em disputa de bola dentro da área inglesa. Novamente, o VAR interveio, e Faghani assinalou a infração. Raúl Jiménez foi para a cobrança e, desta vez, venceu Pickford, diminuindo a vantagem para 3 a 2. Os minutos finais se transformaram em um cerco. O México, com um jogador a mais e o apoio ensurdecedor de sua torcida, pressionava incessantemente, buscando o empate. A Inglaterra, por sua vez, armava uma defesa compacta e heroica, resistindo a cada investida.
O 'Quinto Jogo' e os Próximos Passos na Copa
A vitória no Azteca, além de heróica, tem um peso histórico para a Inglaterra. Campeões pela primeira e única vez em 1966, jogando em casa, os ingleses mantêm viva a chama de levantar o troféu novamente. Eles agora terão pela frente a Noruega, uma seleção que também surpreendeu ao eliminar o Brasil neste mesmo domingo, vencendo por 2 a 1. O duelo pelas quartas de final promete ser mais um capítulo emocionante do torneio, agendado para o próximo sábado (11), às 18h (horário de Brasília), em Miami, nos Estados Unidos.
Para o México, a eliminação nas oitavas de final é um roteiro dolorosamente conhecido. Desde 1986, quando sediou o Mundial e chegou às quartas, a seleção não consegue avançar para o chamado 'quinto jogo'. Ausente em 1990, na Itália, a equipe foi eliminada nas oitavas de final pela oitava vez nas últimas nove edições, um recorde de frustração para uma nação apaixonada por futebol. Em 2022, no Catar, a situação foi ainda pior, com os mexicanos sequer avançando da fase de grupos. A derrota em casa, para uma torcida que sonhava em quebrar o tabu, adiciona mais uma camada de amargura a essa longa espera.
Este jogo no Azteca não foi apenas mais uma partida de Copa. Foi um espetáculo de superação, tática e emoção crua, que reafirma a imprevisibilidade do futebol e a importância da resiliência sob pressão. Enquanto a Inglaterra celebra sua jornada, o México lamenta mais uma oportunidade perdida, e a Copa do Mundo segue seu curso, prometendo mais reviravoltas e momentos inesquecíveis para milhões de fãs ao redor do globo.
Quer acompanhar de perto cada lance, as análises aprofundadas e os desdobramentos desta Copa do Mundo e de outros temas relevantes no cenário nacional e internacional? Continue navegando pelo Capital Política. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, com credibilidade e uma variedade de temas que importam para você, leitor. Não perca as próximas atualizações e o debate sobre os maiores eventos que moldam o nosso tempo.