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Diretor-geral da OMS elogia SUS e coloca o Brasil como referência global em saúde pública

Em um importante reconhecimento à complexidade e abrangência do sistema de saúde brasileiro, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou o Sistema Único de Saúde (SUS) como um exemplo mundial. A declaração, proferida durante uma visita ao Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro, em julho […]

© Igor Toscano/IMIP

Em um importante reconhecimento à complexidade e abrangência do sistema de saúde brasileiro, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou o Sistema Único de Saúde (SUS) como um exemplo mundial. A declaração, proferida durante uma visita ao Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro, em julho de 2023, ressaltou a capacidade do Brasil de garantir atendimento universal a uma população que ultrapassa os 200 milhões de habitantes, um feito raro em escala global.

Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, Tedros enfatizou que poucos países conseguem replicar um modelo público com tamanha cobertura.

“O SUS é um dos raríssimos sistemas de saúde no mundo que cobre toda a população. Com isso, garante acesso às pessoas que não têm condições de pagar pelos serviços de saúde”, afirmou o diretor-geral, sublinhando a dimensão de equidade e justiça social inerente ao sistema. Ele complementou, categoricamente: “O Brasil mostra ao mundo que serve como exemplo. O sistema de saúde brasileiro é universal e demonstra que saúde deve ser para todos, não apenas para alguns.”

O SUS: Um Projeto de Nação e Seus Desafios Intrínsecos

A criação do SUS, consagrada na Constituição Federal de 1988, representou um marco civilizatório, fruto de um amplo movimento social pela Reforma Sanitária que clamava por saúde como um direito de todos e dever do Estado. Desde então, o sistema se tornou a espinha dorsal da saúde pública no Brasil, responsável por tudo, desde a vacinação infantil e o pré-natal, passando pelo tratamento de doenças complexas, até o controle sanitário e a vigilância epidemiológica. Sua capilaridade alcança os rincões do país, oferecendo serviços gratuitos do atendimento básico à alta complexidade.

No entanto, a magnitude do SUS também o expõe a desafios diários e estruturais. Historicamente, o sistema lida com subfinanciamento crônico, disparidades regionais na oferta de serviços e na qualidade do atendimento, longas filas para exames e procedimentos especializados, além de pressões políticas e econômicas. Crises de saúde pública, como a pandemia de COVID-19, evidenciaram tanto a resiliência e a capacidade de resposta do SUS quanto suas vulnerabilidades, reforçando a necessidade de investimento contínuo e aprimoramento.

Brasil na Vanguarda da Saúde Global e Conquistas Concretas

A visão de Tedros sobre o Brasil vai além da estrutura do SUS. Ele elogiou a atuação ativa do país na agenda internacional da saúde, citando o avanço do acordo global sobre pandemias, aprovado no mesmo ano da visita, e a cooperação histórica entre a OMS e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Esta colaboração tem sido fundamental para o desenvolvimento de pesquisas, produção de vacinas e medicamentos, e o fortalecimento das capacidades de saúde pública não apenas no Brasil, mas em diversos países em desenvolvimento.

Um exemplo tangível desse sucesso foi a participação de Tedros na entrega do dossiê que marca o início do processo de certificação internacional para a eliminação da transmissão vertical da hepatite B (de mãe para filho) como problema de saúde pública no Brasil. O documento foi apresentado estrategicamente no Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais. Para o diretor-geral, o resultado “é fruto de anos de trabalho de profissionais de saúde, pesquisadores e comunidades em todo o país”, servindo como prova de que “a eliminação é uma disciplina, e não apenas um slogan”.

Investimento e Visão Futura: A Voz de Líderes Brasileiros

A visita de Tedros serviu de palco para o presidente Lula reafirmar o compromisso de seu governo com o fortalecimento do SUS. Lula destacou que a recuperação dos hospitais federais do Rio de Janeiro visa transformá-los em centros de excelência. “Não existe no planeta um país com mais de 100 milhões de habitantes que tenha um sistema universal de saúde funcionando como o nosso SUS”, disse o presidente, prestando homenagem aos profissionais de saúde: “O SUS funciona porque os faxineiros, os enfermeiros, os médicos, os técnicos e todos os trabalhadores tiveram coragem de cuidar das pessoas. É por isso que estamos fortalecendo o SUS.”

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, aproveitou a oportunidade para apresentar à OMS as ambiciosas metas do sistema público brasileiro. Ele prometeu consolidar no Brasil “a maior rede pública universal de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer do mundo”, além de ressaltar a ampliação da infraestrutura para tratamento oncológico com novos centros de radioterapia, a expansão do programa Brasil Sorridente, da cirurgia robótica no SUS, do transporte sanitário e da atenção básica. Esses planos visam não apenas modernizar, mas democratizar ainda mais o acesso a tratamentos de ponta.

O Significado do Elogio da OMS para o Cidadão Brasileiro

Para o cidadão comum, o reconhecimento da OMS transcende um simples elogio diplomático. Ele reforça a importância de um sistema que, apesar de suas dificuldades, é um pilar fundamental da dignidade e da qualidade de vida para milhões de brasileiros. É um lembrete de que o direito à saúde universal é uma conquista a ser valorizada, defendida e constantemente aprimorada. Em um cenário global de crescente desigualdade, a existência e o funcionamento do SUS validam a premissa de que a saúde não pode ser um privilégio, mas uma garantia para todos. O elogio de Tedros, portanto, não é apenas sobre o que o Brasil faz bem, mas sobre o que o Brasil representa como modelo de aspiração para a saúde pública mundial.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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