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Alerta cardiológico: como o uso do celular na cama pode comprometer a saúde do coração

O ritual de encerrar o dia navegando por redes sociais, e-mails ou vídeos no celular, já na cama, tornou-se um hábito quase universal. Para milhões de pessoas, essa é a última atividade antes de tentar adormecer. Contudo, o que parece ser uma rotina inofensiva e relaxante pode, na realidade, estar sabotando um dos pilares da […]

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O ritual de encerrar o dia navegando por redes sociais, e-mails ou vídeos no celular, já na cama, tornou-se um hábito quase universal. Para milhões de pessoas, essa é a última atividade antes de tentar adormecer. Contudo, o que parece ser uma rotina inofensiva e relaxante pode, na realidade, estar sabotando um dos pilares da saúde humana: o sono, e, por consequência direta, a saúde do coração. O alerta vem do médico cardiologista Roberto Yano, que aponta para uma conexão preocupante entre o uso noturno de dispositivos eletrônicos e riscos cardiovasculares.

A luz azul e o ciclo do sono: uma batalha silenciosa

A explicação para essa relação começa no impacto da luz emitida por celulares, tablets e computadores na fisiologia do sono. Segundo o Dr. Yano, a exposição a essa luminosidade, especialmente a faixa azul do espectro, antes de dormir, interfere na produção de melatonina. Conhecido como o “hormônio do sono”, a melatonina é crucial para sinalizar ao corpo que é hora de desacelerar, preparar-se para o repouso e regular o ritmo circadiano. Quando sua liberação é inibida, o início do sono é atrasado, e a qualidade do descanso é comprometida, tornando-o mais superficial e menos reparador.

Esse cenário leva a um ciclo vicioso: as pessoas dormem mais tarde, acordam com a sensação de cansaço e acumulam uma dívida de sono que pode se estender por dias, semanas ou até meses. Em um mundo cada vez mais conectado, a linha entre a vida diurna e noturna se esvai, e a tentação de se manter “online” até o último minuto tem um custo biológico significativo que muitos sequer percebem.

O sono como pilar da saúde cardiovascular

O cardiologista enfatiza que o sono é, de fato, um dos pilares fundamentais para a saúde cardiovascular. Em suas palavras, “Quando a pessoa dorme mal de forma frequente, o organismo permanece em um estado de maior ativação, aumentando o estresse fisiológico e sobrecarregando o sistema cardiovascular”. Essa sobrecarga se manifesta de diversas formas, sendo uma das mais críticas a desregulação dos sistemas nervoso simpático e parassimpático.

Durante uma noite de sono adequada, o corpo entra em um estado de recuperação profunda: a pressão arterial diminui naturalmente, a frequência cardíaca desacelera e os sistemas nervosos autônomos se equilibram, permitindo que o coração e os vasos sanguíneos “descansem”. Noites mal dormidas impedem essa recuperação essencial, mantendo o organismo em um estado de alerta e estresse crônico. Essa disfunção é diretamente associada a um risco elevado de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).

Estresse e inflamação: a dupla inimiga do coração

A privação crônica de sono não só eleva o estresse fisiológico, mas também aumenta os níveis de hormônios como o cortisol, conhecido como o hormônio do estresse. O cortisol, em excesso, contribui para processos inflamatórios sistêmicos no corpo. A inflamação crônica é um fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento e progressão da aterosclerose, condição na qual as artérias endurecem e estreitam, elevando significativamente o risco cardiovascular ao longo do tempo. O coração, sem o descanso adequado, torna-se mais vulnerável e menos eficiente.

O Dr. Yano ressalta que “não é apenas a quantidade de horas dormidas que importa, mas também a qualidade desse sono. Um descanso inadequado compromete diversos mecanismos de proteção do organismo e isso pode repercutir diretamente na saúde do coração”. Essa é uma distinção crucial, pois muitas pessoas podem até passar horas na cama, mas a interrupção constante ou a superficialidade do sono devido à estimulação eletrônica impedem os benefícios reparadores completos.

Hábitos para um sono e um coração mais saudáveis

A boa notícia é que pequenas mudanças de hábito podem gerar grandes impactos. A principal recomendação é criar uma “zona de transição” antes de dormir, evitando o uso de celulares, computadores e tablets por pelo menos uma hora antes de se deitar. Essa pausa digital permite que o cérebro comece a desacelerar e a melatonina seja liberada naturalmente.

Outras estratégias importantes para promover um sono de qualidade incluem reduzir a intensidade das luzes do ambiente à noite, criar e seguir uma rotina regular de horários para deitar e acordar – mesmo nos fins de semana – para solidificar o ritmo circadiano. Além disso, manter o quarto silencioso, escuro e com temperatura agradável, evitar o consumo excessivo de cafeína e álcool no período noturno, e praticar atividade física regularmente (mas não muito perto da hora de dormir) são medidas complementares que fortalecem a saúde do sono e, consequentemente, a saúde do coração.

Conforme conclui o cardiologista Roberto Yano, “Assim como alimentação equilibrada e atividade física, dormir bem é um investimento diário na saúde do coração. Pequenas mudanças de hábito podem trazer benefícios importantes para a qualidade de vida e para a prevenção de doenças ao longo dos anos”. Diante da crescente dependência tecnológica, repensar a relação com os dispositivos eletrônicos, especialmente antes do repouso noturno, não é apenas uma questão de bem-estar, mas uma estratégia vital para proteger um dos órgãos mais importantes do nosso corpo.

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Fonte: https://www.metropoles.com

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