O governador reeleito de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), afirmou que buscará uma relação institucional com o governo federal caso Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja reeleito presidente da República. Mesmo apoiando Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto, o governador disse que aceitará o resultado das urnas e pretende manter o diálogo com a União para cobrar maior participação federal em áreas consideradas estratégicas para o estado, especialmente a segurança pública.
A declaração foi dada durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (21), quando Pivetta foi questionado sobre como se relacionaria com um eventual quarto mandato presidencial de Lula. O governador afirmou que o resultado eleitoral deve ser respeitado e que a divergência política não impedirá a busca por uma relação institucional com o governo federal.
“Se isso acontecer, eu vou aceitar, como todo brasileiro deveria, e buscar um relacionamento institucional respeitoso”, declarou.
Apesar de sinalizar disposição para o diálogo, Pivetta criticou a atuação do governo federal na segurança pública de Mato Grosso. Segundo ele, a União não contribui com o estado nessa área e precisa assumir responsabilidades relacionadas à proteção das fronteiras nacionais. O governador citou a extensão de aproximadamente 900 quilômetros da fronteira entre o Brasil e a Bolívia e argumentou que a vigilância do território deve contar com a atuação das forças de segurança nacionais.
Durante a fala, Pivetta lembrou que a fronteira não representa apenas uma divisa estadual, mas um limite internacional do país. Por isso, defendeu que as Forças Armadas e o Exército Brasileiro tenham participação efetiva na fiscalização da região, conforme as atribuições constitucionais que mencionou na entrevista.
“Eu custei, eu durante a campanha falei que nós temos uma fronteira de 900 km, que não é divisa do Mato Grosso com a Bolívia, é divisa do Brasil com a Bolívia”, afirmou.
O governador sustentou que uma atuação federal mais efetiva na fronteira permitiria ao governo estadual direcionar a própria estrutura de segurança para outras demandas internas. Na avaliação dele, enquanto a União assumiria uma participação maior na vigilância da região fronteiriça, Mato Grosso poderia concentrar inteligência, efetivo e recursos no enfrentamento à criminalidade dentro do território estadual.
“Eu vou convidar o presidente […] a cumprir com essa obrigação básica, que é fazer a vigilância da fronteira. […] Aí a gente sobra, sobra a nossa inteligência, a nossa força de trabalho para cuidar da segurança interna do estado”, disse.
O governo estadual mantém o programa Tolerância Zero, voltado ao combate às facções criminosas. A segurança pública também é uma das áreas de atenção no estado diante dos índices de violência contra as mulheres, incluindo os casos de feminicídio. Mato Grosso alcançou a marca de 40 óbitos pelo crime em 2026.
Pivetta concentrou seus argumentos na fiscalização da fronteira e na divisão de responsabilidades entre os governos federal e estadual.
Ao defender a aproximação institucional mesmo diante de diferenças partidárias, o governador indicou que pretende manter a cobrança por recursos e ações federais independentemente de quem ocupe a Presidência. Segundo ele, o tema já foi abordado em conversa com Rogério Marinho (PL), coordenador de campanha do Flávia Bolsonaro.