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Mauro Carvalho Júnior se afasta da Casa Civil de MT em meio a investigação sobre acordo milionário com a Oi

O cenário político em Mato Grosso foi agitado nesta terça-feira (11) com o anúncio da saída de Mauro Carvalho Júnior da Secretaria-Chefe da Casa Civil. A decisão, comunicada por meio de uma carta nas redes sociais, ocorre em um momento delicado: Carvalho Júnior é um dos nomes alcançados por medidas cautelares em um inquérito que […]

G1

O cenário político em Mato Grosso foi agitado nesta terça-feira (11) com o anúncio da saída de Mauro Carvalho Júnior da Secretaria-Chefe da Casa Civil. A decisão, comunicada por meio de uma carta nas redes sociais, ocorre em um momento delicado: Carvalho Júnior é um dos nomes alcançados por medidas cautelares em um inquérito que apura um suposto esquema de desvio de mais de R$ 308 milhões, valor oriundo de um polêmico acordo entre o Governo de Mato Grosso e a operadora de telefonia Oi.

Considerado um braço direito do governador Mauro Mendes, Carvalho Júnior afirmou que sua saída foi uma decisão conjunta com sua família e o governador Otaviano Pivetta, vice-governador e figura central na administração estadual. Ele fez questão de negar que seu afastamento tivesse sido determinado por ordem judicial, buscando desassociar sua saída de qualquer imposição legal.

A Defesa de Carvalho e a Linha do Tempo

Na carta divulgada, Mauro Carvalho Júnior apresentou sua linha de defesa, centrada na sua ausência de cargo público durante o período crucial da tramitação do acordo com a Oi. Segundo ele, entre dezembro de 2023 e abril de 2024, ele não ocupava qualquer função pública, seja em nível federal ou estadual. "De modo que não poderia influenciar em absolutamente nada a decisão de firmar ou não o acordo", argumentou.

Ele também contestou veementemente a existência de provas que o liguem diretamente a irregularidades. "Sobre a ação que corre no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, e que trata dos meus fatos: ela não diz, em nenhum momento, que eu fiz alguma coisa. E, quando trata dos meus familiares, o próprio denunciante escreveu que o benefício teria sido indireto, ou seja, nem ele aponta um pagamento, um contrato, um ato, pois não existe. Quem tem prova não precisa escrever ‘indiretamente’”, declarou, reforçando a alegação de inocência e a necessidade de esclarecer os fatos para se dedicar à família e às suas empresas.

O Acordo Milionário com a Oi sob Suspeita da PF

O pivô de toda a controvérsia é um acordo de R$ 308 milhões firmado em abril de 2024. O objetivo era encerrar uma disputa judicial sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que se arrastava por mais de uma década entre o Estado de Mato Grosso e a operadora Oi. Contudo, o que parecia ser a resolução de um antigo embate fiscal transformou-se no centro de uma complexa investigação da Polícia Federal (PF).

A PF aponta indícios de que o acordo teria sido utilizado como fachada para desviar recursos públicos e ocultar a destinação do dinheiro por meio de operações financeiras. Um dos elementos que levantam suspeitas é a suposta criação de fundos antes mesmo que o acordo fosse formalizado, sugerindo uma articulação prévia para o manejo dos valores. Mauro Carvalho Júnior está entre os alvos das medidas assecuratórias patrimoniais, que incluem o sequestro, bloqueio e indisponibilidade de bens, visando preservar o patrimônio que pode ser usado para ressarcimento aos cofres públicos caso as irregularidades sejam confirmadas.

Repercussões Políticas e Envolvimento de Outros Nomes

A investigação não se restringe a Carvalho Júnior. A Polícia Federal também apura o envolvimento de outras figuras proeminentes do cenário político mato-grossense, como o governador Mauro Mendes e o deputado federal Fábio Garcia. Essa amplitude da apuração lança uma sombra sobre a cúpula do governo estadual e cria um clima de incerteza política, podendo gerar desgastes significativos para a imagem da gestão e seus principais líderes.

Vale ressaltar que o acordo já era alvo de contestação antes da deflagração da operação da PF. Uma ação popular movida pelo ex-governador e atual candidato ao Senado, Pedro Taques, solicitava sua anulação por supostas ilegalidades. Essa ação prévia demonstra que o tema já gerava ruído e preocupação no âmbito jurídico e político, evidenciando que as suspeitas não surgiram de repente. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT), por sua vez, informou que confia nas investigações e que irá colaborar com tudo que for requerido, aguardando os desdobramentos.

O Passado Político e o Ciclo na Casa Civil

A trajetória de Mauro Carvalho Júnior na Casa Civil é marcada por idas e vindas. Ele havia deixado a secretaria em julho de 2023 para assumir uma cadeira no Senado Federal, expressando, à época, que não tinha a intenção de retornar ao cargo. Contudo, em abril de 2024, aceitou um novo convite do governador Otaviano Pivetta e do ex-governador Mauro Mendes, reassumindo a Pasta. Em sua carta de despedida atual, ele afirmou que seu retorno não foi por ambição ou vaidade, mas por "gratidão e lealdade a um grupo político do qual nunca me afastei", um sentimento que, segundo ele, motiva sua saída agora.

Próximos Passos da Investigação

Com a saída de Mauro Carvalho Júnior, espera-se que o foco da investigação se intensifique. Os desdobramentos podem incluir novas oitivas, análises de documentos e movimentações financeiras, e, eventualmente, a formalização de denúncias à Justiça. O caso, que já tem grande repercussão, será acompanhado de perto pela sociedade mato-grossense, ansiosa por transparência e pela apuração completa dos fatos. A defesa dos investigados, por sua vez, terá a missão de rebater as acusações e comprovar a legalidade das ações.

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Fonte: https://g1.globo.com

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