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Prefeito do Rio exige fiscalização rigorosa da Anac em voos panorâmicos após novo acidente

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), defendeu publicamente a suspensão temporária dos voos panorâmicos de helicóptero na capital fluminense, com o objetivo de intensificar a fiscalização sobre este tipo de serviço. A demanda surgiu após um trágico acidente que vitimou quatro pessoas na região do Alto da Boa Vista, reacendendo o debate […]

Divulgação/Alerj

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), defendeu publicamente a suspensão temporária dos voos panorâmicos de helicóptero na capital fluminense, com o objetivo de intensificar a fiscalização sobre este tipo de serviço. A demanda surgiu após um trágico acidente que vitimou quatro pessoas na região do Alto da Boa Vista, reacendendo o debate sobre a segurança e a regulamentação das operações aéreas de turismo na cidade.

A tragédia que acendeu o alerta

O fatídico incidente ocorreu quando um helicóptero Robinson R44, de matrícula PP-MFS, que realizava um voo panorâmico, caiu em uma encosta densa da Floresta da Tijuca. A bordo estavam três turistas colombianas — Rocio Cubillos, Sofia Murillo e Wendy Manrique, todas da mesma família — e o piloto, Alessandro Rocha. Ninguém sobreviveu à queda, que resultou em explosão e um incêndio na vegetação local, mobilizando um grande contingente do Corpo de Bombeiros com cerca de 40 militares, 11 viaturas e quatro unidades operacionais.

As turistas pagaram R$ 2.550 por um passeio aéreo de aproximadamente 20 minutos, que prometia vistas deslumbrantes dos cartões-postais cariocas. Detalhe que chamou atenção, e que agora é parte da investigação, é que o voo era operado sem as portas laterais, uma modalidade que oferece uma experiência mais imersiva, mas que pode suscitar questões sobre segurança em determinadas circunstâncias. O prefeito Cavaliere acompanhou de perto o trabalho das equipes de resgate, testemunhando a gravidade do ocorrido.

A cobrança do poder público e o histórico de incidentes

Em resposta à tragédia, Eduardo Cavaliere confirmou ter formalizado um pedido à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para uma vistoria minuciosa. Segundo o prefeito, a agência sinalizou a possibilidade de interromper os passeios panorâmicos por um período de uma a duas semanas. “Eu quero crer que a Anac vai tomar essas medidas, inclusive com a possibilidade de suspensão de voos panorâmicos por uma semana ou por duas semanas, para fazer uma fiscalização mais intensa nos helipontos, nas aeronaves e na manutenção dessas aeronaves”, declarou Cavaliere, sublinhando a urgência da situação.

A principal motivação para a cobrança do prefeito não é isolada; ela emerge de um padrão preocupante. Cavaliere destacou a recorrência de acidentes envolvendo helicópteros na cidade do Rio de Janeiro em um curto espaço de tempo. “A gente não pode, de forma alguma, deixar de destacar o fato de que estamos aqui, em cerca de um mês ou dois meses, em mais um acidente envolvendo helicópteros na cidade do Rio de Janeiro”, afirmou, refletindo a preocupação pública com a segurança de um serviço tão vital para o turismo e a imagem da cidade.

Entre a regulamentação e a realidade da fiscalização

A Anac, como órgão regulador e fiscalizador da aviação civil no Brasil, tem a responsabilidade de garantir a segurança das operações aéreas. A fiscalização, nesse contexto, abrange desde a certificação de aeronaves e empresas até a inspeção de procedimentos de manutenção e qualificação de pilotos. No entanto, a realidade de uma metrópole como o Rio de Janeiro, com sua intensa demanda por transporte aéreo e voos turísticos, impõe desafios constantes à agência.

O helicóptero Robinson R44 sinistrado, operado pela empresa Voos Rio Panorâmico, estava, segundo informações da Anac repassadas ao prefeito, em situação regular e autorizado para realizar voos panorâmicos. Fabricado em 2001, o PP-MFS foi adquirido pela Voos Rio Panorâmico em julho de 2015. A empresa obteve sua certificação para oferecer passeios aéreos em outubro do mesmo ano, após um processo que envolveu a análise de sua estrutura, equipes, equipamentos e procedimentos.

Durante a certificação, fiscais da Anac não identificaram falhas impeditivas para a liberação dos serviços. Contudo, foi apontada a necessidade de a empresa registrar de forma mais completa os riscos identificados e as ações adotadas para mitigá-los. Essa recomendação, agora sob o escrutínio das investigações, levanta questionamentos sobre a suficiência dos protocolos de segurança e a profundidade da gestão de risco por parte das operadoras, um ponto crucial para evitar futuras tragédias.

Implicações para o turismo e a segurança aérea

Os voos panorâmicos representam um atrativo turístico significativo para o Rio de Janeiro, oferecendo uma perspectiva única das belezas naturais e urbanas da cidade. A experiência de sobrevoar o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar e as praias cariocas é um sonho para muitos visitantes, impulsionando a economia local e fortalecendo a imagem do Rio como destino internacional. No entanto, a recorrência de acidentes coloca em xeque a percepção de segurança, um pilar fundamental para qualquer atividade turística.

A busca pelo equilíbrio entre a promoção do turismo e a garantia da máxima segurança aérea é um desafio complexo. A demanda do prefeito por uma fiscalização mais rigorosa reflete a necessidade de assegurar que os padrões de operação e manutenção não apenas cumpram as normas, mas superem as expectativas de segurança para proteger a vida de passageiros e tripulantes. As investigações em curso, conduzidas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e pela Polícia Civil, serão essenciais para determinar as causas do acidente e apontar possíveis falhas, servindo como base para futuras ações regulatórias e preventivas.

A população e o setor turístico aguardam as respostas e os desdobramentos dessas investigações. É imperativo que as autoridades ajam com celeridade e transparência, implementando as mudanças necessárias para restabelecer a confiança e garantir que a beleza dos céus cariocas possa ser desfrutada com a segurança que todos merecem. Continue acompanhando o Capital Política para ter acesso à informação relevante, atual e contextualizada sobre este e outros temas que impactam o cenário político e social do país.

Fonte: https://www.metropoles.com

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