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Eleições 2026: A Força do Voto de 84 Mil Eleitores Analfabetos em Mato Grosso e a Inclusão Democrática

Com as Eleições de 2026 no horizonte, os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam uma faceta marcante do eleitorado de Mato Grosso: 84.610 cidadãos analfabetos estão aptos a exercer o direito ao voto. Embora este número represente uma parcela menor em comparação com os 715.865 eleitores que concluíram o ensino médio – o maior […]

TSE

Com as Eleições de 2026 no horizonte, os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam uma faceta marcante do eleitorado de Mato Grosso: 84.610 cidadãos analfabetos estão aptos a exercer o direito ao voto. Embora este número represente uma parcela menor em comparação com os 715.865 eleitores que concluíram o ensino médio – o maior grupo no estado – ele sublinha a abrangência e a história de inclusão do sistema democrático brasileiro, um percurso de décadas marcado pela superação de barreiras e pela busca por representatividade plena.

A presença desses eleitores no processo eleitoral não é apenas uma estatística; é um testemunho da evolução democrática do país. Para as eleições futuras, a compreensão de como este grupo participa, se informa e decide seu voto torna-se essencial para analisar a dinâmica política e social do estado, e a efetividade das políticas públicas voltadas para a educação e a cidadania.

O Retorno de um Direito Histórico

A capacidade de ler e escrever nem sempre foi um requisito para participar das eleições no Brasil. Entretanto, uma mudança legislativa em 1881, que impedia o voto de analfabetos, marcou um período de exclusão que perdurou por mais de um século. A medida, implementada durante a transição do Império para a República, limitava a participação política a uma elite mais educada e, muitas vezes, economicamente privilegiada, moldando o cenário político de então.

O resgate desse direito fundamental ocorreu apenas em 1985, um ano crucial na história brasileira, com a aprovação da Emenda Constitucional nº 25. Este marco legislativo, inserido no contexto da redemocratização do país após anos de regime militar, foi uma vitória significativa para a inclusão social e política. Ele permitiu que milhões de brasileiros, antes à margem do processo decisório, voltassem a ter voz na escolha de seus representantes, conferindo uma nova dimensão à cidadania e à construção da jovem democracia brasileira.

A Urna Eletrônica como Ferramenta de Acessibilidade

A reintegração dos eleitores analfabetos ao corpo cívico impulsionou, indiretamente, uma das maiores inovações do sistema eleitoral brasileiro. Para facilitar o voto de quem não dominava a leitura e a escrita, a identificação dos candidatos por números, em vez de exigir a grafia dos nomes nas cédulas de papel, tornou-se a norma. Essa adaptação foi um passo fundamental para garantir que a barreira da alfabetização não se sobrepusesse ao direito democrático.

Anos depois, esse modelo de votação numérica serviu de base para a concepção e implementação da urna eletrônica, utilizada em larga escala desde as eleições de 1996. A tecnologia da urna eletrônica, com sua interface intuitiva baseada em números e fotos, consolidou a acessibilidade, transformando o ato de votar em um processo mais rápido, seguro e verdadeiramente inclusivo. Para o eleitor analfabeto, a urna se tornou um símbolo de autonomia e participação, dispensando a necessidade de intermediários na cabine de votação.

O Perfil e a Determinação dos Eleitores de Mato Grosso

O retrato do eleitorado de Mato Grosso, segundo o TSE, mostra uma diversidade de perfis educacionais. Embora os eleitores com ensino médio completo sejam o grupo majoritário (715.865), seguidos pelos que possuem ensino fundamental incompleto (526.048) e ensino médio incompleto (485.883), a existência dos 84.610 eleitores analfabetos é um lembrete da persistência dos desafios educacionais no país. Além destes, o estado conta com 362.953 eleitores com ensino superior completo e 173.647 com superior incompleto, e 142.937 que concluíram apenas o ensino fundamental.

A história de Cleonice de Jesus, aposentada de 53 anos de Poxoréu, ilustra a determinação desses eleitores. Mesmo sem ter aprendido a ler e escrever, Cleonice faz questão de votar em todas as eleições. Sua decisão de voto, como ela própria relata, não se baseia em campanhas aprofundadas, mas nas mudanças concretas que percebe na vida de sua família e nas conversas domésticas. A influência de programas que auxiliaram suas filhas a pagar a faculdade, por exemplo, demonstram a valorização de impactos diretos e tangíveis das políticas públicas em seu cotidiano.

A 'Colinha' como Instrumento de Autonomia

Para eleitores como Cleonice, a preparação é fundamental. Dias antes da eleição, a ajuda do marido e das filhas para montar a “colinha” com os números dos candidatos e a explicação sobre o funcionamento da urna eletrônica são essenciais. Ela destaca que, embora não saiba ler, reconhece os números, o que lhe permite conferir e votar com segurança na cabine, onde ninguém pode acompanhá-la. Essa prática simples, mas eficaz, reforça a autonomia do eleitor e a acessibilidade do sistema, garantindo que o direito ao voto seja exercido de forma consciente e individual.

A Importância do Voto para Além da Alfabetização

A participação de eleitores analfabetos nas eleições transcende a mera contagem de votos; ela é um pilar da democracia. O voto, neste contexto, não se limita à capacidade de interpretar textos ou acompanhar a mídia tradicional, mas à percepção de impacto das políticas públicas na vida real das comunidades. As decisões desses eleitores são frequentemente influenciadas por experiências pessoais, o que significa que programas sociais, melhorias na infraestrutura local e iniciativas que geram oportunidades têm um peso considerável em sua escolha. Compreender essa dinâmica é crucial para candidatos e formuladores de políticas que buscam uma conexão genuína com todas as camadas da população.

A existência de um grupo tão numeroso de eleitores analfabetos em Mato Grosso aponta para a necessidade contínua de investir em educação e em estratégias de comunicação política que sejam verdadeiramente inclusivas. Para a sociedade como um todo, a participação desses cidadãos é um lembrete da força do voto como instrumento de mudança, independentemente do nível de escolaridade. É a prova de que a democracia se fortalece quando todas as vozes são ouvidas, e que a busca por uma sociedade mais justa e equitativa passa, invariavelmente, pela garantia de acesso pleno à cidadania para cada indivíduo.

Acompanhar a dinâmica eleitoral e social de Mato Grosso é fundamental para compreender os rumos do estado e do país. Para isso, o Capital Política permanece comprometido em trazer uma cobertura aprofundada e contextualizada sobre os temas que impactam diretamente a vida dos cidadãos, desde a educação e a saúde até a política e a economia. Continue conosco para acessar análises que vão além do noticiário trivial e informam sobre o que realmente importa para a sua realidade.

Fonte: https://g1.globo.com

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