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Mariana Naime diz que segurança dos prédios no 8 de Janeiro era do Ministério da Justiça, não da PMDF

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Em entrevista, Mariana Naime afirma que Força Nacional estava sediada dentro do MJ e não foi acionada; pré-candidata pelo PL-DF aponta reunião na véspera em que Polícia Federal teria sido avisada do risco

Mariana Naime, esposa do coronel Paulo José Naime — ex-comandante do Departamento Operacional da PMDF condenado por suposta omissão no 8 de Janeiro —, afirmou em entrevista ao podcast Capital Política que a segurança dos prédios dos Três Poderes naquela data não era atribuição da Polícia Militar do Distrito Federal, mas do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Segundo ela, a Medida Provisória 1.154, editada em 1º de janeiro de 2023, no início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, atribuía ao Ministério da Justiça a proteção dos prédios públicos federais. “A segurança dos prédios públicos, a proteção dos prédios públicos, é do Ministério da Justiça”, afirmou. “Então, se é do Ministério da Justiça, é da Força Nacional, é do GSI, ali que estava, que é o Planalto. Congresso, Polícia Legislativa. STF, a Polícia Judiciária. Primeiro ponto: não era responsabilidade da PMDF. Nunca foi”, disse. A PM, segundo a entrevistada, tinha competência sobre as vias públicas, não sobre o interior das edificações.

A pré-candidata afirma ainda que a Força Nacional de Segurança Pública estava sediada fisicamente dentro do Ministério da Justiça no dia 8 e não foi acionada, assim como o Exército, presente no Palácio do Planalto, e o chamado Plano Escudo, que segundo ela exigiria três dias de antecedência para ser disparado e dispunha de informes de inteligência da Abin e de relatórios de segurança privada anteriores aos atos.

Mariana cita também uma reunião realizada em 7 de janeiro de 2023, véspera da invasão, entre o então diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e a Secretaria de Segurança Pública do DF, representada pela subsecretária Cíntia Queiroz. Na ocasião, segundo a entrevistada, foi tratada a “gravidade do risco de invasão aos prédios públicos”, e a resposta da pasta distrital teria sido a de que “estava tudo sob controle”. A versão também aparece no Plano de Ações Integradas (PAI) elaborado para aquele domingo, que, conforme relata, previa expressamente que “não haveria descida de manifestantes para a Esplanada” — premissa usada pela Polícia Legislativa e pela Polícia Judiciária do STF para dimensionar o efetivo interno dos prédios.

A entrevistada contrasta esse cenário com o esquema adotado na posse presidencial, em 1º de janeiro, planejado pelo próprio coronel Naime à frente do Departamento Operacional da PMDF. “No PAI, o Naime preparou o plano de ações integradas em conjunto com a Secretaria, e falou: há risco, então nós vamos colocar policiamento excessivo. É melhor exceder do que faltar”, disse Mariana. A posse transcorreu sem incidentes registrados.

O argumento de que a responsabilidade institucional pela proteção das edificações federais era do governo federal, e não da segurança pública distrital, é peça central da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 1.285, apresentada no Supremo Tribunal Federal em setembro do ano passado por 12 militares condenados. A ação, segundo Mariana, segue sem julgamento, ainda que a corte tenha avançado nas condenações dos oficiais e em medidas como a cassação de aposentadorias.

Mariana lança a pré-candidatura a deputada federal pelo Distrito Federal nas eleições de 2026 com apoio de Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher, e da deputada Bia Kicis (PL-DF). Formada em Direito e ex-servidora do Congresso Nacional e do Ministério da Justiça, afirma que pretende defender no Legislativo a revisão das condenações ligadas ao 8 de Janeiro e pautas voltadas a famílias atípicas e doenças raras. O coronel Naime cumpre pena em regime fechado.

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