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Vice-prefeito de Sinop defende Ferrogrão e critica juros altos em entrevista à Jovem Pan

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Em entrevista à Jovem Pan, o vice-prefeito de Sinop, Paulinho Abreu, do Republicanos, defendeu a aprovação da Ferrogrão, criticou a política de juros do governo federal e projetou crescimento acelerado para o município nos próximos quatro anos. A conversa aconteceu durante a Norte Show, maior feira do agronegócio do Mato Grosso.
O julgamento da Ferrogrão foi retomado pelo STF na última semana, após cerca de cinco a seis anos de discussões. Para Abreu, a resistência ao projeto vai além da legalidade. “É uma luta antiga, infelizmente travada via STF por questões que eu acredito serem mais ideológicas do que legais”, disse o vice-prefeito à Jovem Pan. O traçado da ferrovia passa por uma área de reserva indígena, ponto central do impasse jurídico. Abreu avalia que o argumento é usado politicamente para inviabilizar o empreendimento e que a aprovação reduziria custos logísticos, mantendo a riqueza gerada pelo transporte de grãos circulando na própria região, em vez de ficar em outros estados pelo corredor sul.
Além da Ferrogrão, o vice-prefeito cobrou avanços na duplicação da BR-163 entre Sinop e a divisa com o Pará — obra que segue indefinida após anos de espera — e citou a perspectiva de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) no município. Com o cenário eleitoral de 2026 se desenhando, nomes como Flávio Bolsonaro e Aldo Rebelo estiveram presentes à feira. Abreu foi direto: “Qualquer candidato à presidência que vier à nossa região tem que dar sua posição quanto ao desenvolvimento logístico. Não como partido, não como ideologia, mas pensando no desenvolvimento da região.”
Questionado sobre a proposta que alteraria a escala de trabalho de 6×1 para 4×3, o vice-prefeito foi cauteloso. “Não devia nem ser assunto de campanha presidencial, porque afeta muito a classe produtora e também a classe trabalhadora ainda precisa enxergar como isso vai afetar o seu ganho do dia a dia”, afirmou à Jovem Pan. Para Abreu, o debate precisa ouvir setores produtivos e trabalhadores de diversas regiões antes de avançar.
Na questão do crédito rural, o vice-prefeito foi enfático ao apontar a política econômica do governo federal como raiz do problema. Com gastos elevados e juros altos para conter a inflação, o financiamento para o produtor fica caro e escasso. “O governo precisa rever esse conceito de economia para que, na ponta, possamos agregar valores aos que produzem”, disse à Jovem Pan. Abreu também destacou o déficit de armazenagem como entrave: sem silos suficientes, o produtor é forçado a vender no pico da colheita, quando os preços são mais baixos, sem poder aguardar condições melhores de mercado.
Para contextualizar o peso do agronegócio, o vice-prefeito traçou à Jovem Pan a trajetória de Sinop — cidade que nasceu do extrativismo madeireiro, passou pela pecuária e pela lavoura e hoje se consolida como polo regional de saúde, educação, indústria e tecnologia. A Norte Show, segundo ele, ilustra bem esse ciclo: empreendimentos imobiliários, empresas de inovação e indústrias como a Empasa e a Evermatic dividem espaço com expositores de sementes e insumos. Apesar dos gargalos, Abreu encerrou com otimismo: “Essa região já passou por muitas crises e agora está mais fortalecida para enfrentar as que estão por vir.”

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