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Vereador de Cuiabá admite que publica conteúdos sem checar informações antes de compartilhar

O vereador Rafael Ranalli (PL), de Cuiabá (MT), admitiu nesta quinta-feira (22) que publica conteúdos nas redes sociais sem verificar previamente se as informações são verdadeiras. Ao comentar a repercussão de duas postagens, o parlamentar afirmou que retirou um vídeo depois de descobrir que as imagens haviam sido apresentadas fora de contexto e que apagou […]

O vereador Rafael Ranalli (PL), de Cuiabá (MT), admitiu nesta quinta-feira (22) que publica conteúdos nas redes sociais sem verificar previamente se as informações são verdadeiras. Ao comentar a repercussão de duas postagens, o parlamentar afirmou que retirou um vídeo depois de descobrir que as imagens haviam sido apresentadas fora de contexto e que apagou outra publicação após receber reclamações. No caso envolvendo nordestinos, porém, sustentou que o conteúdo tinha caráter de crítica política.

Um dos episódios envolve um vídeo gravado em 16 de agosto, durante a 4ª Marcha para Exu, manifestação de adeptos de religiões de matriz africana realizada na Avenida Paulista, em São Paulo. Ao compartilhar o material, Ranalli o associou à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por meio da chamada “Campanha de Lula vira ritual de invocação”. A publicação afirmava que o ato político na Paulista havia se transformado em um ritual satânico.

As imagens, no entanto, mostravam uma apresentação do cantor Joia de Couro durante o evento religioso, sem relação com a manifestação pró-Lula realizada na mesma avenida em 11 de outubro, em apoio à reeleição do presidente. A circulação do vídeo com a associação entre o evento religioso e a campanha política gerou críticas e denúncias relacionadas à representação de religiões de matriz africana.

Ao comentar o caso, Ranalli disse que soube da denúncia por meio da imprensa e negou ter sido indiciado. Segundo o vereador, ele compartilhou o vídeo acreditando que o conteúdo era verdadeiro, mas retirou a publicação depois de receber informações de que se tratava de material falso.

“Eu vi por alto em matéria jornalística que alguém denunciou porque eu repostei um vídeo. O vídeo com o qual eu mesmo depois tive a informação que era fake, eu entrei, falei: ‘Ó, o vídeo é fake, tô tirando, tá aqui a realidade, tá explicado’”, declarou.

Questionado sobre a necessidade de verificar a origem das informações antes de divulgá-las, o parlamentar reconheceu que, em algumas situações, a checagem ocorre depois da publicação. “Eu pesquisei, olhei e falei: ‘Cara, é real’. Aí de repente não é, eu vou e tiro, sem problema nenhum”, afirmou.

A outra publicação que motivou críticas mostrava um mapa do Brasil com a região Nordeste substituída pela imagem de um burro. Ranalli classificou o conteúdo como uma crítica política e disse que o retirou depois das reclamações.

“Era uma crítica política que vários sites colocaram, era uma coisa de internet. Fui, reclamaram, retirei sem problema nenhum”, declarou.

O episódio envolve uma representação depreciativa de uma região que tem peso decisivo no cenário eleitoral nacional. No primeiro turno da eleição presidencial de 2026, Lula obteve maioria dos votos válidos no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) superou 60% dos votos válidos em Mato Grosso. A publicação de Ranalli ocorreu nesse contexto de forte divisão regional do eleitorado.

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