Levantamento do Capital Política com dados da plataforma QueroApoiar mostra que 14 pré-candidatos no estado já abriram campanhas de financiamento coletivo; modalidade é permitida por lei desde 2017
Um levantamento do portal Capital Política com dados da plataforma QueroApoiar, homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral, mostra que as vaquinhas eleitorais para as eleições de 2026 já começaram a movimentar recursos em Mato Grosso. Ao todo, 14 pré-candidatos no estado abriram campanhas de financiamento coletivo, somando mais de R$ 25 mil arrecadados.
Quem lidera em MT
| Posição | Nome | Cargo | Partido | Arrecadado | Apoiadores |
|---|---|---|---|---|---|
| 1º | Ulysses Moraes | Dep. Estadual | R$ 12.904,08 | 28 | |
| 2º | Thiago Boava | Dep. Federal | PL | R$ 7.001,00 | 62 |
| 3º | Renivaldo Nascimento | Dep. Estadual | PSD | R$ 2.180,00 | 6 |
| 4º | Profa. Graciele | Dep. Federal | PCdoB | R$ 950,00 | 6 |
| 5º | Rafaell Milas | Governador | Missão | R$ 900,00 | 14 |
| 6º | Luciene Neves | Dep. Estadual | PCdoB | R$ 875,00 | 5 |
| 7º | Professor Haroldo | Dep. Federal | Novo | R$ 480,00 | 9 |
| 8º | Dona Neuma | Dep. Federal | PV | R$ 479,00 | 16 |
| 9º | Bernardo Sabe | Dep. Federal | Missão | R$ 48,00 | 5 |
| 10º | Noel Coletivo Trabalhista | Dep. Federal | PCdoB | R$ 20,00 | 1 |
Fonte: QueroApoiar/Capital Política. Dados de junho de 2026.
Thiago Boava, do PL, chama atenção por concentrar o maior número de apoiadores individuais do ranking, 62, mesmo ficando em segundo lugar no volume total arrecadado. O dado sugere uma base de doadores mais pulverizada em comparação ao líder Ulysses Moraes, que somou arrecadação maior com menos contribuintes.
Rafaell Milas, pré-candidato ao governo do estado pelo partido Missão, aparece em quinto lugar com R$ 900,00 e 14 apoiadores, sendo o único pré-candidato ao Executivo estadual com campanha ativa na plataforma.
Quatro pré-candidatos registrados na plataforma ainda não receberam nenhuma contribuição: Missionaria Elaine Belussi, Doutora Débora, Landovoigt e Milton Baldin.
O que é a vaquinha eleitoral
A chamada vaquinha virtual, ou financiamento coletivo de campanha, é permitida pela Justiça Eleitoral desde a reforma eleitoral de 2017, quando a modalidade foi incorporada à Lei das Eleições (Lei 9.504/1997) e regulamentada pela Resolução nº 23.607/2019 do TSE.
De acordo com a legislação, a arrecadação por essa via pode começar a partir de 15 de maio do ano eleitoral, mesmo antes do registro oficial da candidatura, que só tem início em 20 de julho. A antecipação permite que pré-candidatos testem seu potencial de mobilização antes mesmo de oficializarem a disputa.
As regras são rígidas. Apenas cidadãos pessoa física podem doar, sendo vedada qualquer contribuição de empresas. Os valores estão sujeitos a um limite individual vinculado à renda do doador, e doações iguais ou superiores a R$ 1.064,10 só podem ser recebidas por transferência eletrônica ou cheque cruzado e nominal.
Toda doação exige emissão de recibo eleitoral, seja por PIX, cartão ou transação bancária. O uso de criptomoedas é proibido. As plataformas que operam esse tipo de arrecadação precisam ser previamente cadastradas no TSE, e os recursos captados só podem ser utilizados após o registro oficial da candidatura, em conta bancária específica de campanha.
Há ainda uma regra de devolução: se o pré-candidato não formalizar sua candidatura, todas as doações recebidas durante a pré-campanha devem ser devolvidas diretamente aos doadores.