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Suspeita de vazamento de operação do Gaeco em Cuiabá e VG levanta dúvidas sobre preservação de provas

Informações obtidas pelo Capital Política apontam possível conhecimento antecipado das buscas; operação mira vereadores e dirigentes dos Legislativos municipais A operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso, nesta terça-feira (20), em Cuiabá e Várzea Grande, pode ter sido precedida por um vazamento de informações. […]

Informações obtidas pelo Capital Política apontam possível conhecimento antecipado das buscas; operação mira vereadores e dirigentes dos Legislativos municipais

A operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso, nesta terça-feira (20), em Cuiabá e Várzea Grande, pode ter sido precedida por um vazamento de informações. Fontes ligadas à investigação ouvidas pelo Capital Politica relatam suspeitas de que detalhes das diligências tenham chegado antecipadamente ao conhecimento de pessoas ligadas aos alvos.

A possibilidade de vazamento levantou dúvidas sobre a preservação de provas que os policiais pretendiam recolher. Nos bastidores, são consideradas hipóteses de que aparelhos celulares possam ter sido substituídos e documentos retirados de escritórios e outros endereços antes da chegada das equipes.

Entre os alvos da operação estão Wanderley Cerqueira (MDB), presidente da Câmara de Várzea Grande, Ilde Taques (Podemos), presidente eleito da Câmara de Cuiabá para o biênio 2027-2028, e o vereador cuiabano Alex Rodrigues.

Segundo as informações obtidas pela Capital, há suspeitas de que Cerqueira e Taques tenham tomado conhecimento prévio das buscas. A eventual circulação antecipada de informações é considerada um ponto sensível diante da possibilidade de ter prejudicado a coleta de mensagens, registros de conversas e documentos relevantes para a investigação.

A operação alcança, segundo informações preliminares, 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá. Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão para investigar suspeitas de compra de votos e pagamento de vantagens indevidas nas articulações para a escolha das Mesas Diretoras.

Em Várzea Grande, a investigação tem origem na eleição realizada em 14 de maio, quando Wanderley Cerqueira foi reconduzido à presidência da Câmara por 12 votos a 11, derrotando Lucas do Chapéu do Sol (PL), aliado da prefeita Flávia Moretti (PL).

Entre os nomes ligados à apuração estão os vereadores Gisa Barros e Rogerinho Dakar, a diretora financeira Lorineide Inhan, conhecida como Lori, e o secretário Legislativo Samir Katumata.

Durante as diligências, policiais estiveram na residência da mãe de Cerqueira, no bairro Ipase, em Várzea Grande. O presidente da Câmara confirmou o cumprimento do mandado. Também foram realizadas buscas em outros endereços ligados aos investigados.

O Gaeco apura denúncias de que parlamentares teriam recebido vantagens financeiras para apoiar a chapa vencedora. Os relatos também mencionam que vereadores teriam permanecido em uma chácara no distrito da Guia, em Cuiabá, nos dias anteriores à votação, supostamente sob vigilância de seguranças armados.

Outra linha da investigação envolve um suposto acordo relacionado à privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande, que poderia incluir vantagens indevidas em troca de apoio político.

A eleição que reconduziu Cerqueira foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em maio. O ministro Dias Toffoli considerou irregular a antecipação da votação para o biênio 2027-2028. Apesar da decisão, uma nova eleição ainda não havia sido realizada, o que provocou outra disputa judicial.

Em Cuiabá, Ilde Taques foi eleito presidente da Câmara em 6 de outubro, por unanimidade dos 27 vereadores, após articulações entre diferentes grupos políticos. Ele assumirá o comando do Legislativo em janeiro de 2027.

A inclusão de parlamentares da capital amplia o alcance político da operação, embora os detalhes específicos das suspeitas envolvendo os vereadores de Cuiabá ainda não tenham sido esclarecidos publicamente.

O possível vazamento acrescenta uma nova preocupação à investigação, sobretudo quanto à integridade do material que poderia ser recolhido durante as buscas. Não há confirmação pública de que documentos tenham sido retirados ou aparelhos substituídos.

O procedimento tramita sob sigilo. As suspeitas investigadas não representam comprovação de participação dos alvos nos crimes apurados.

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