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Romaria em Goiás: Flávio Bolsonaro busca aceno católico e tenta contornar crise com Michelle

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Em um movimento que mesclou fé e estratégia política, o senador Flávio Bolsonaro (PL) percorreu 18 quilômetros entre Goiânia e Trindade, em Goiás, na última sexta-feira. A caminhada de aproximadamente quatro horas até a Basílica do Divino Pai Eterno, uma das romarias mais tradicionais do país, serviu não apenas como um gesto religioso, mas também como uma explícita tentativa de ampliar sua base de apoio e, simultaneamente, desviar o foco de uma recente e ruidosa crise interna no Partido Liberal, envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

A Fé como Ponte para a Política

Mesmo sendo evangélico, o senador buscou, ao participar da romaria, um claro aceno à comunidade católica, um segmento eleitoral numeroso e relevante no Brasil. Tradicionalmente, o bolsonarismo encontra maior aderência entre os eleitores evangélicos, mas a presença em Trindade expõe a estratégia de pré-campanha de Flávio, visando alargar sua base simbólica para além desse eleitorado. Em um cenário político polarizado, a busca por novos nichos e a demonstração de pluralidade religiosa podem ser cruciais para futuras disputas, especialmente considerando a capilaridade da fé católica no interior do país e sua influência em diversas regiões.

A caminhada, que teve início por volta das 18h30 e se estendeu até as 22h40, foi marcada pela presença de apoiadores, militantes e simpatizantes. Flávio Bolsonaro, acompanhado desde o ponto de partida, foi recepcionado na chegada à basílica por uma pequena multidão, evidenciando o engajamento de sua base, mesmo em um evento com forte caráter religioso. A presença em romarias e festas populares é uma tática comum na política brasileira para a construção de imagem pública e a criação de laços com diferentes segmentos da sociedade.

O Xadrez Político em Goiás: Disputas e Alianças

A visita a Goiás não se limitou à esfera religiosa, sendo também um movimento estratégico no tabuleiro político nacional e local. Flávio Bolsonaro participou da romaria a convite do senador Wilder Morais (PL-GO), que figura como pré-candidato ao governo de Goiás. Wilder, que já integrou o governo de Ronaldo Caiado (PSD), hoje representa um palanque próprio do PL em um estado que se tornou um campo de batalha para a direita nas eleições de 2026.

A movimentação em solo goiano ganha contornos ainda mais complexos quando se observa que Ronaldo Caiado, atual governador e também um nome proeminente no campo conservador, desponta como um possível rival de Flávio Bolsonaro nas próximas eleições presidenciais. A presença do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro em Goiás, portanto, sinaliza uma tentativa de ocupar território em um estado estratégico, onde a direita se apresenta dividida, buscando consolidar o espaço do bolsonarismo e evitar a fragmentação do eleitorado conservador.

A Crise com Michelle Bolsonaro: Um Racha Exposto

O ato em Goiás ocorreu apenas dois dias após Michelle Bolsonaro, madrasta de Flávio, tornar pública uma série de vídeos nas redes sociais, na quarta-feira anterior, nos quais expressava sentir-se desrespeitada pelo senador. A ex-primeira-dama detalhou uma conversa telefônica ríspida, afirmando que Flávio a teria “maltratado” e sugerido que ela se mantivesse afastada das decisões partidárias. “Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone”, declarou Michelle, indicando ter compreendido que seu apoio seria irrelevante ou indesejado.

A origem da crise remonta a divergências sobre a articulação do PL no Ceará, onde lideranças do partido discutiam uma possível composição com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) já no primeiro turno. Este atrito expôs não apenas uma fissura na família Bolsonaro, mas também as disputas de poder nos bastidores do Partido Liberal, onde diferentes correntes tentam impor sua visão sobre os rumos da sigla e a estratégia para 2026. A repercussão do vídeo de Michelle nas redes sociais foi imediata, gerando especulações sobre a coesão interna do movimento bolsonarista.

Questionado sobre o episódio durante a romaria, Flávio Bolsonaro optou por uma postura evasiva, evitando citar o nome de Michelle. Ele se limitou a dizer que havia visitado o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, mais cedo e que, de sua parte, o assunto era “página virada”, um sinal claro de tentativa de minimizar publicamente a crise. “É bola para frente, é página virada”, declarou o senador, buscando encerrar o tema e redirecionar a atenção para a peregrinação e seus objetivos políticos.

Contudo, a declaração não parece ser suficiente para aplacar o desconforto nos bastidores. O vídeo de Michelle Bolsonaro escancarou um racha significativo na família e no núcleo do bolsonarismo, mostrando que a pré-campanha e o próprio Partido Liberal convivem com intensas disputas internas sobre quem terá o real peso nas decisões políticas e na construção das candidaturas futuras. Para o leitor, este episódio revela a fragilidade de alianças e a complexidade das relações de poder que moldarão o cenário eleitoral dos próximos anos.

A romaria de Flávio Bolsonaro em Goiás, portanto, transcendeu o aspecto religioso. Ela se configurou como um movimento calculado para consolidar apoio, demarcar território político e, sobretudo, para tentar desviar a atenção de uma crise familiar e partidária que expõe as tensões e os desafios internos do bolsonarismo. Para acompanhar a evolução dessas estratégias e entender os próximos capítulos desse xadrez político, o Capital Política oferece análises aprofundadas e informação contextualizada, sempre com o compromisso de trazer a você os fatos mais relevantes e suas múltiplas camadas de significado. Continue conosco para se manter bem informado sobre os acontecimentos que moldam o cenário nacional.

Fonte: https://www.metropoles.com

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