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Zoo Clandestino Interditado em Santa Catarina: Donos Rebatem Acusações de Maus-Tratos e Falam em ‘Carinho’

Divulgação/Ibama

Um zoológico clandestino, operando por anos no município de São Carlos, no oeste de Santa Catarina, tornou-se o centro de uma controvérsia após ser interditado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A fiscalização revelou um cenário de condições precárias para 655 animais, gerando acusações de maus-tratos. Em uma reviravolta que acende o debate sobre a ética na relação humano-animal, os responsáveis pelo local recorreram às redes sociais para se defender, alegando um tratamento pautado pelo 'carinho' e 'dedicação' aos espécimes.

A Interdição do Ibama e as Irregularidades Encontradas

A ação do Ibama, que culminou na interdição do estabelecimento conhecido como Recanto das Aves, expôs uma série de infrações ambientais graves. Os fiscais constataram que centenas de animais – incluindo aves, espécies domésticas, silvestres e até exóticas – eram mantidos em condições inadequadas, em evidente situação de precariedade. Além do manejo impróprio, a investigação apontou para a existência de documentação e notas fiscais consideradas fraudulentas, complicando ainda mais a situação legal dos proprietários.

Um dos principais pontos de irregularidade residia no tipo de licença que os responsáveis possuíam. Eles detinham apenas o registro no Sistema de Controle e Monitoramento da Atividade de Criação Amadora de Pássaros (SisPass), uma autorização restrita à criação de aves de forma amadora, sem fins comerciais ou de exposição pública. Essa licença, contudo, não ampara a manutenção de animais de grande porte, nem a abertura do espaço para visitação, transformando o local em um zoológico de fato clandestino, operando à margem da lei e das normas de bem-estar animal.

A Defesa dos Proprietários nas Redes Sociais

Em resposta às acusações e à repercussão da interdição, os donos do Recanto das Aves utilizaram sua conta no Instagram para emitir comunicados. Neles, buscaram refutar as alegações de maus-tratos, apelando para o lado emocional da questão. Afirmaram estar sendo 'julgados por pessoas que nunca estiveram lá' e que 'uma fotografia registra apenas um momento e, sozinha, não retrata toda a realidade vivida ao longo dos anos'.

A narrativa dos responsáveis gira em torno do afeto e do cuidado. 'Quem nos visitou sabe do carinho, da dedicação e do vínculo que construímos diariamente com cada animal. Foram anos de cuidados, alimentação, limpeza, atenção e muito amor, compartilhados com milhares de visitantes que acompanharam esse trabalho de perto', destacaram. Após o recolhimento de todos os animais pelo Ibama, uma nota de fechamento reiterou a visão de que os animais 'não eram apenas uma atração; eram parte da nossa família'. Essa postura levanta questões sobre o que de fato constitui 'carinho' ou 'amor' quando confrontado com a legislação e os padrões técnicos de bem-estar animal e conservação.

O Dilema dos Criadouros Ilegais e o Impacto na Fauna

O caso de São Carlos não é isolado e expõe um problema crônico no Brasil: a existência de criadouros e zoológicos clandestinos. Frequentemente motivados por lucros com a venda ilegal de animais silvestres, o apelo de colecionadores ou até mesmo a falta de conhecimento sobre a legislação ambiental, esses locais representam uma ameaça significativa à fauna e ao ecossistema. Animais mantidos em cativeiro sem a estrutura adequada podem sofrer de estresse, doenças, desnutrição e ter seu comportamento natural alterado, comprometendo sua capacidade de reintrodução na natureza.

A legislação brasileira, em especial a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98), é rigorosa quanto à posse, criação e comercialização de animais silvestres sem a devida autorização dos órgãos competentes. O 'carinho' alegado pelos responsáveis, embora possa ser genuíno em sua perspectiva, não substitui a necessidade de licenças, infraestrutura adequada, manejo técnico por profissionais habilitados (biólogos, veterinários) e, acima de tudo, o respeito às necessidades etológicas e biológicas de cada espécie. A manutenção de espécies exóticas, por exemplo, também levanta preocupações com a introdução de doenças ou espécies invasoras no bioma local, um risco à biodiversidade nativa.

Destino dos Animais e os Desdobramentos Legais

Após a interdição, os 655 animais resgatados passam por um processo complexo de triagem, avaliação veterinária e reabilitação. Eles são encaminhados para Centros de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) ou Centros de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) mantidos por órgãos ambientais ou instituições parceiras. Nesses locais, recebem tratamento de saúde, nutrição adequada e são avaliados quanto à possibilidade de retorno à natureza. Para muitos, no entanto, especialmente aqueles que passaram muito tempo em cativeiro ou são de espécies exóticas, a reintrodução é inviável, e eles são destinados a zoológicos regularizados ou santuários.

Os responsáveis pelo zoo clandestino de São Carlos enfrentam agora as consequências legais de suas ações. Além das multas administrativas que podem ser substanciais, há a possibilidade de responderem por crimes ambientais, como maus-tratos e manter fauna silvestre sem autorização. O caso serve como um lembrete contundente da importância da fiscalização ambiental e da responsabilidade compartilhada entre a sociedade e os órgãos públicos na proteção da nossa rica biodiversidade.

O episódio do zoo clandestino em Santa Catarina, com suas nuances de defesa e acusações, destaca a complexidade da interação humana com a vida selvagem. Enquanto o debate sobre 'carinho' e 'cuidado' ressoa nas redes sociais, a realidade imposta pela lei e pela necessidade de conservação prevalece. Para entender mais a fundo temas como este, que transitam entre a legislação, o meio ambiente e a sociedade, continue acompanhando o Capital Política, seu portal de notícias focado em informação relevante, atual e contextualizada.

Fonte: https://www.metropoles.com

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