O vereador Rafael Ranalli (PL) defendeu uma “oxigena” no comando estadual do Partido Liberal em Mato Grosso, mas ponderou que Ananias Filho, atual presidente da sigla, também tem méritos na condução do partido. Ao comentar nesta quinta-feira (22) a possibilidade de Odílio Balbinotti Filho assumir a direção estadual, o parlamentar afirmou que considera naturais tanto a permanência de Ananias quanto uma eventual mudança para o grupo ligado ao empresário e ao senador Zé Medeiros (PL). Ranalli disse não ter preferência entre os nomes e afirmou que mantém diálogo com diferentes setores do bolsonarismo.
A discussão sobre o comando estadual ocorre depois de um período de divergências internas no PL durante a definição das alianças eleitorais. A direção estadual defendia o apoio a Wellington Fagundes (PL) na disputa pelo governo de Mato Grosso e uma composição de Zé Medeiros com Janaína Riva (MDB) para as duas vagas ao Senado. Parte dos prefeitos filiados, porém, contrariou a orientação e reforçou o palanque de Otaviano Pivetta (Republicanos), que acabou reeleito governador ainda no primeiro turno.
O movimento expôs a divisão entre a direção estadual e integrantes da legenda que não concordaram com as articulações eleitorais. Na ocasião, Ranalli chegou a elogiar o nome de Janaína Riva para a composição ao Senado. Agora, ao avaliar a possibilidade de mudança no comando partidário, o vereador reconhece que a divergência também representa um sinal de insatisfação de parte do eleitorado e dos próprios quadros do PL.
“Tem que ter uma oxigenada, até pelo perfil dos votos desse próprio PL, foi esse perfil dissidente. Foi o perfil que caminhou com o então governador Pivetta”, afirmou.
Apesar de defender a renovação, Ranalli não atribuiu à atual direção um resultado exclusivamente negativo. O parlamentar destacou que o PL de Mato Grosso conseguiu eleger três deputados federais, resultado que, na avaliação dele, demonstra que Ananias cumpriu uma das principais tarefas esperadas de uma direção estadual: ampliar a representação da sigla na Câmara dos Deputados.
“Todas as nacionais dos partidos querem deputado federal. O PL do Mato Grosso entregou três deputados federais. Então, teoricamente, o Ananias e o PL estadual fez o trabalho dele”, declarou.
O vereador também ressaltou a relação histórica de Ananias com a legenda e com a direção nacional. Segundo Ranalli, o atual presidente estadual sempre caminhou próximo ao grupo de Valdemar Costa Neto e conseguiu conciliar sua atuação partidária mesmo antes da ascensão do bolsonarismo. Por isso, ele considera que a permanência de Ananias não seria um problema para o partido. No entanto, destacou que há condições de o outro grupo entrar na briga pela presidência estadual.
“Também vejo com naturalidade do jogo político se o grupo Balbinotti, Medeiros, Assis, Fernanda, os que elegeram, pegarem e passarem a comandar o partido. Isso eu vejo com naturalidade, porque ganharam isso na urna e no voto”, disse.
Odílio Balbinotti é suplente do senador Zé Medeiros, coordena a campanha de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso e atua como empresário do agronegócio. A possibilidade de o grupo ligado a ele assumir o comando estadual é apresentada nos bastidores como uma alternativa para reorganizar a legenda depois das divergências sobre as alianças eleitorais. Ranalli, entretanto, não declarou apoio formal a uma eventual substituição de Ananias.
O parlamentar afirmou que mantém boa relação com Balbinotti, Medeiros e o atual presidente estadual. Ao justificar a ausência de preferência, reforçou sua identificação com o partido e com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eu, particular, não, não tenho, porque assim, acima de tudo eu sou Bolsonaro e sou PL”, afirmou.
Para Ranalli, a disputa interna deve ficar em segundo plano até o encerramento da eleição presidencial. O vereador defendeu que os integrantes do partido concentrem esforços na mobilização dos eleitores para o segundo turno, em vez de ampliar as divergências sobre a direção estadual.
Não acredita no ‘vira voto’
O vereador também questionou a ideia de que a campanha consiga convencer eleitores já identificados com um dos campos políticos a mudar de candidato. Na avaliação do parlamentar, o esforço deve se concentrar principalmente em quem não compareceu às urnas no primeiro turno e em pessoas que ainda precisam ser mobilizadas para votar.
“Eu não acredito muito nesse vira voto que muito se prega. Acho que o cara do PL dificilmente vai mudar de opinião e votar no PT, assim como dificilmente o cara do PT vai mudar de opinião e votar no PL”, declarou.
Ranalli defendeu que o partido retome as discussões sobre sua organização interna depois da eleição presidencial, quando a atenção política deverá voltar às articulações municipais. A avaliação indica que, embora reconheça a necessidade de renovação, o vereador não pretende se colocar publicamente ao lado de um dos grupos na disputa pelo comando estadual neste momento.