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Querosene de Aviação Dispara 57,6% em um Ano e Eleva Pressão Sobre Passagens Aéreas

O preço do querosene de aviação (QAV) registrou uma escalada vertiginosa no Brasil, acumulando uma alta de 57,6% em apenas 12 meses. Esse aumento substancial tem um impacto direto e inevitável sobre o custo das passagens aéreas, pressionando o bolso dos consumidores e reconfigurando a dinâmica do transporte aéreo no país. A valorização do petróleo […]

Gustavo Alcantara/Metrópoles

O preço do querosene de aviação (QAV) registrou uma escalada vertiginosa no Brasil, acumulando uma alta de 57,6% em apenas 12 meses. Esse aumento substancial tem um impacto direto e inevitável sobre o custo das passagens aéreas, pressionando o bolso dos consumidores e reconfigurando a dinâmica do transporte aéreo no país. A valorização do petróleo no mercado internacional, somada às tensões geopolíticas globais, é o principal vetor por trás dessa disparada, reverberando em toda a cadeia produtiva da aviação civil.

O Motor Por Trás da Alta: Petróleo e Geopolítica

A dependência do setor aéreo em relação ao QAV é um fator crítico. Este combustível representa uma parcela expressiva das despesas operacionais das companhias, podendo variar de 30% a 45% do custo total de um voo. Por ser um derivado do petróleo, seu preço está intrinsecamente ligado às cotações do barril no mercado internacional. No Brasil, essa ligação é ainda mais forte devido à política de Preço de Paridade de Importação (PPI) adotada pela Petrobras, que alinha os valores praticados internamente aos do mercado global, convertidos pela taxa de câmbio.

Nos últimos meses, o cenário geopolítico mundial se tornou um catalisador para a instabilidade dos preços do petróleo. Conflitos como a guerra na Ucrânia e as tensões crescentes no Oriente Médio geram incertezas sobre a oferta global da commodity, elevando os riscos e impulsionando as cotações. Esse ambiente de volatilidade se traduz em reajustes constantes no valor do QAV, aplicados de forma recorrente pela Petrobras, com altas expressivas registradas, por exemplo, no ano anterior, incluindo um reajuste superior a 50% em abril daquele período, seguido por outros aumentos subsequentes.

O Peso do Combustível nas Operações Aéreas e o Impacto no Consumidor

A matemática é simples e dura para as companhias aéreas: com um insumo tão essencial e oneroso encarecendo, a margem de manobra para conter os custos é reduzida. Para manter a sustentabilidade financeira, as empresas são forçadas a repassar parte desses aumentos para os preços das passagens. Dados recentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmam essa tendência, mostrando que as passagens aéreas seguem em trajetória de alta, com um aumento de 0,3% em junho, mantendo a pressão observada ao longo do ano, apesar de oscilações pontuais.

Para o passageiro, isso significa um custo maior para voar, impactando desde as viagens a lazer até as corporativas. A aviação, que já se esforçava para se recuperar dos efeitos da pandemia de COVID-19, enfrenta agora um novo desafio, onde a acessibilidade dos voos se torna um ponto crítico. Essa escalada de preços não apenas encarece o transporte, mas também se reflete nos índices de inflação, como o IPCA, onde as passagens aéreas têm se mostrado vilãs recorrentes.

Impactos Além do Preço: Conectividade e Economia

As consequências do encarecimento do QAV extrapolam o mero aumento das passagens. Com o custo operacional elevado, as companhias aéreas tendem a revisar suas malhas e reduzir a oferta de voos em rotas consideradas menos rentáveis. Isso afeta diretamente a conectividade, especialmente em regiões mais afastadas ou com menor demanda, onde o transporte aéreo é, muitas vezes, a única opção viável e rápida para deslocamento. Cidades e estados que dependem do turismo ou do fluxo de negócios podem sentir os efeitos dessa restrição na oferta de voos.

No plano econômico mais amplo, o setor de turismo é um dos mais vulneráveis. Passagens mais caras podem desestimular viagens domésticas e internacionais, impactando hotéis, restaurantes, agências de viagens e toda a cadeia de serviços associada. Além disso, o transporte de cargas aéreas também é afetado, o que pode ter reflexos nos custos de produtos e na agilidade da logística de diversos setores da economia nacional.

Respostas e o Horizonte da Aviação Brasileira

Diante desse cenário desafiador, o governo federal já buscou intervir. Medidas como a desoneração de impostos federais sobre o querosene de aviação, zerando o PIS/Cofins sobre o combustível por um período, foram implementadas na tentativa de conter a alta e aliviar a pressão sobre as passagens. Pacotes de medidas foram discutidos para buscar alternativas e soluções que pudessem mitigar o impacto. No entanto, a eficácia dessas ações é limitada enquanto os fatores externos, como a cotação internacional do petróleo e a instabilidade geopolítica, persistirem.

O horizonte para a aviação brasileira permanece incerto. Passageiros e companhias aéreas continuarão navegando em um mar de volatilidade, onde a agilidade na adaptação e a busca por eficiências operacionais serão cruciais. A longo prazo, a diversificação da matriz energética para a aviação e o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis (SAF) podem oferecer uma rota de fuga para essa dependência do petróleo, mas são soluções que ainda estão em estágios iniciais de implementação em larga escala.

Para se manter informado sobre as últimas notícias do setor aéreo, os desdobramentos da economia e como esses fatores afetam o seu dia a dia, continue acompanhando o Capital Política. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada, abordando os temas que realmente importam para o leitor brasileiro, com análise aprofundada e credibilidade.

Fonte: https://www.metropoles.com

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