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Pesquisa Quaest em Mato Grosso: Flávio Bolsonaro lidera com 50% para 2026, Lula marca 25% e bolsonarismo se consolida no estado

O cenário político para as eleições presidenciais de 2026 começa a se desenhar, e uma recente pesquisa Quaest, encomendada pela Rede Matogrossense de Comunicação (RMC) e divulgada nesta sexta-feira (25), oferece um panorama detalhado da disputa em Mato Grosso. Os números revelam a força do bolsonarismo no estado, com Flávio Bolsonaro (PL) despontando na liderança […]

G1

O cenário político para as eleições presidenciais de 2026 começa a se desenhar, e uma recente pesquisa Quaest, encomendada pela Rede Matogrossense de Comunicação (RMC) e divulgada nesta sexta-feira (25), oferece um panorama detalhado da disputa em Mato Grosso. Os números revelam a força do bolsonarismo no estado, com Flávio Bolsonaro (PL) despontando na liderança com 50% das intenções de voto para o primeiro turno. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece em segundo, com 25%, refletindo a polarização que tem caracterizado a política brasileira.

A pesquisa, que ouviu 804 eleitores mato-grossenses entre 21 e 24 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%, mostra um avanço significativo de Flávio Bolsonaro. Em comparação com o levantamento de 25 de agosto, o senador viu seu apoio crescer de 43% para os atuais 50%. Este aumento não é apenas um dado estatístico, mas um indicativo da consolidação da base eleitoral pró-Jair Bolsonaro em um dos estados-chave para o agronegócio e para a direita brasileira.

Polarização e Força do Bolsonarismo em Mato Grosso

A liderança expressiva de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso não é uma surpresa isolada, mas sim o reflexo de um alinhamento político e ideológico que o estado tem demonstrado nos últimos pleitos. Historicamente, Mato Grosso possui um eleitorado com forte inclinação conservadora, profundamente ligado aos setores do agronegócio, que encontram eco nas pautas e discursos bolsonaristas. A performance do filho do ex-presidente, que chega a 56% em um eventual segundo turno contra Lula (30%), sublinha a aderência da marca política da família Bolsonaro na região.

Esse desempenho robusto de Flávio Bolsonaro também pode ser interpretado como um termômetro da manutenção de uma parcela significativa do eleitorado de direita, mesmo após a saída de Jair Bolsonaro da presidência. A polarização nacional, que coloca de um lado o campo bolsonarista e, do outro, o lulista, parece se reproduzir com intensidade em Mato Grosso, dificultando o avanço de candidaturas de uma terceira via mais moderada.

O Desafio da Esquerda e a Aprovação de Lula no Estado

Em contrapartida, Luiz Inácio Lula da Silva mantém seus 25% das intenções de voto, com uma leve variação negativa (era 26%) em relação à pesquisa anterior. Esse patamar reflete a dificuldade histórica do Partido dos Trabalhadores em regiões predominantemente ligadas ao agronegócio e com forte conservadorismo. A aprovação do governo Lula em Mato Grosso corrobora essa percepção: 58% dos eleitores desaprovam a gestão atual, enquanto apenas 34% a aprovam. Esse cenário indica um desafio considerável para o PT e seus aliados, que precisam encontrar estratégias eficazes para dialogar com um eleitorado refratário e dissipar as resistências já estabelecidas.

A estagnação de Lula nos índices, combinada com a alta desaprovação de seu governo no estado, sugere que as narrativas e políticas do campo progressista ainda não conseguiram penetrar de forma significativa na base eleitoral mato-grossense. Para 2026, a campanha petista terá que revisitar suas abordagens e talvez buscar alianças ou pautas que consigam minimizar a polarização e conquistar uma fatia maior dos votos, especialmente entre os eleitores que se dizem indecisos.

A Busca pela Terceira Via: Destaque para Augusto Cury

Apesar da forte polarização, o levantamento também aponta para a movimentação de candidatos que tentam se posicionar fora do eixo Bolsonaro-Lula. O escritor Augusto Cury (Avante) é quem mais se destaca neste grupo, saltando de 1% para 5% em apenas um mês. Esse crescimento, embora ainda modesto, é notável e pode indicar um anseio de parte do eleitorado por uma alternativa que não esteja diretamente vinculada aos dois principais polos políticos.

Cury, conhecido por seus livros de autoajuda e psicologia, pode estar capitalizando um voto de protesto ou de busca por uma figura nova no cenário político, com um perfil menos partidário e mais focado em questões comportamentais e sociais. Outros nomes, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, e Romeu Zema (Novo), com 1%, não mostram a mesma tração em Mato Grosso, apesar de suas bases de apoio em outros estados. Renan Santos (Missão) aparece com 1%, enquanto demais candidatos listados registram índices próximos de zero.

Eleitorado Definido e Implicações Futuras

Um dado relevante da pesquisa é o alto índice de eleitores que já se declaram com uma escolha definitiva: 84% afirmam que não mudarão seu voto até as eleições, um aumento em relação aos 78% registrados no levantamento anterior. Apenas 16% admitem a possibilidade de mudar de voto. Essa 'antecipação' da definição eleitoral, mesmo com a eleição ainda distante, sugere um eleitorado que, em grande parte, já solidificou suas preferências ideológicas e partidárias.

Para os estrategistas de campanha, este cenário representa um desafio: em vez de focar apenas na persuasão de indecisos, será crucial trabalhar a mobilização e a manutenção da base já engajada, ao mesmo tempo em que se buscam pequenas fissuras na convicção dos que se declaram definitivos. Os 11% de indecisos (que eram 14% antes) e os 3% de brancos/nulos/não vai votar ainda representam um campo de disputa, mas o percentual é menor do que em outras análises eleitorais, reforçando a ideia de um pleito que promete ser mais sobre adesão do que sobre conversão de votos.

O resultado da Quaest em Mato Grosso oferece um vislumbre importante de como as dinâmicas políticas nacionais se manifestam em um estado com características socioeconômicas e culturais muito específicas. A forte inclinação bolsonarista, o desafio do governo atual e a lenta emergência de alternativas desenham um cenário de complexa leitura para 2026. Acompanhar a evolução desses números e as estratégias dos partidos será fundamental para entender os desdobramentos de uma eleição que, embora distante, já mostra seus primeiros contornos.

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Fonte: https://g1.globo.com

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