O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou nesta sexta-feira (19) a Operação Juros Zero para investigar suspeitas de fraudes na folha de pagamento de servidores públicos do Governo do Distrito Federal (GDF). A ação teve como alvos o Banco de Brasília (BRB), a Secretaria de Economia do DF, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF) e o PicPay.
A investigação apura um suposto esquema de descontos irregulares em contracheques de servidores do DF. O caso dá novo fôlego às denúncias apresentadas em março pelo senador Izalci Lucas (PL-DF), que vinha cobrando apuração sobre o tema.
“Eu denunciei esse esquema ainda em março, quando mostrei como o PicPay, empresa do grupo J&F, foi a única credenciada para antecipação salarial, resultando em descontos irregulares nos contracheques dos nossos servidores”, afirmou o senador.
“A operação de hoje do MPDFT confirma que o que alertei há meses não é apenas um fato isolado, mas um conjunto de evidências que precisam de investigação rigorosa”, ressaltou.
Em discurso no plenário do Senado, Izalci questionou o credenciamento exclusivo do PicPay para operações de antecipação salarial. Na ocasião, também apontou possíveis conexões entre o GDF, a J&F e o escritório de advocacia do ex-governador Ibaneis Rocha.
Segundo o senador, o escritório recebeu R$ 1 milhão do grupo J&F quatro dias após o cadastro do PicPay junto ao governo local.
Em março, Izalci também levantou questionamentos sobre a compra de um imóvel de R$ 9,2 milhões pelo filho de Ibaneis Rocha, financiado pelo BRB. Segundo a denúncia, o imóvel teria ligação com Joesley Batista, do grupo J&F.
“Povo do Distrito Federal, acreditem quando eu digo: não existe coincidência”, ressaltou o senador.
Após a operação, Izalci voltou a cobrar transparência nas investigações e punição aos responsáveis por eventuais irregularidades que tenham causado prejuízos aos servidores públicos e aos cofres do Distrito Federal.