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O que falta para Padre Nazareno Lanciotti, primeiro beato de Mato Grosso, se tornar santo

G1

Jauru, no interior de Mato Grosso, foi palco de um evento de profunda significância religiosa e social neste sábado (13), com a cerimônia de beatificação do Padre Nazareno Lanciotti. Cerca de 15 mil pessoas, vindas de diversas partes do estado e do país, acompanharam a missa solene que elevou o missionário italiano ao reconhecimento de beato pela Igreja Católica, um passo fundamental e histórico para a região. No entanto, a jornada de Padre Nazareno rumo à santidade completa ainda depende de uma etapa crucial: a comprovação de um milagre póstumo.

A Beatificação e o Rigoroso Caminho para a Santidade

O reconhecimento de Padre Nazareno Lanciotti como beato é a confirmação oficial de sua fé heroica e, no caso dele, do martírio. Contudo, o processo para a canonização, que o tornaria santo, é ainda mais exigente e intrincado, como explica o vice-postulador da causa de beatificação e vigário judicial do Tribunal Eclesiástico de Cuiabá, padre Evandro Stefanello. “A beatificação se encerra aqui. Para a canonização, mesmo em caso de martírio – morto por ódio à fé –, é necessário que seja reconhecido um milagre pela intercessão do beato padre Nazareno Lanciotti. Só depois disso se inicia o processo de canonização”, afirmou o padre Stefanello ao g1.

Esta exigência de um novo milagre é um pilar do direito canônico e sublinha a seriedade com que a Igreja avalia seus futuros santos. Para a beatificação de Padre Nazareno, não foi preciso um milagre, pois sua vida e morte se enquadraram na “via do martírio”. Isso significa que ele foi assassinado por sua fé, um critério que a Igreja considera uma prova suficiente de santidade para a beatificação. Contudo, para ascender ao patamar de santo, um milagre adicional, ocorrido *após* a beatificação e atribuído à sua intercessão, é indispensável.

Vida, Luta e o Sacrifício de Padre Nazareno

Nascido em Roma, Itália, em 1940, Nazareno Lanciotti chegou a Jauru em 1972, dedicando quase três décadas de sua vida à evangelização e a intensas ações sociais na região. Ele fundou a Paróquia Nossa Senhora do Pilar, tornando-se uma figura central na comunidade. Sua atuação foi marcada pela defesa incansável dos mais vulneráveis e por denúncias corajosas contra crimes que afligiam a população local, como exploração sexual, tráfico de drogas e violência contra crianças e adolescentes. O Padre Nazareno não se calava diante das injustiças, o que o colocava frequentemente em rota de colisão com grupos criminosos e poderosos.

Essa postura firme e o compromisso inabalável com o evangelho e a dignidade humana custaram-lhe a vida. Em 2001, Padre Nazareno foi baleado dentro de sua própria casa e morreu dias depois. Após um longo e minucioso processo de investigação, o Vaticano reconheceu que sua morte foi uma consequência direta de sua fé e missão cristã, caracterizando-a como martírio. Este reconhecimento é um testemunho poderoso de sua dedicação e um exemplo para a Igreja e para a sociedade.

A Busca pelo Milagre Pós-Beatificação

Com a beatificação consolidada, a atenção da postulação da causa agora se volta para a comprovação de um novo milagre. Padre Stefanello esclarece que, embora a Igreja já tenha recebido muitos relatos de graças e curas atribuídas à intercessão de Padre Nazareno ao longo dos anos, esses casos não podem ser utilizados para a canonização. “Temos muitos relatos de milagres pela intercessão do padre Nazareno. Porém, o milagre que servirá para a canonização precisa acontecer e ser confirmado depois da beatificação. Os relatos anteriores serviram para comprovar a fama de santidade dele”, explica.

Este critério de tempo é crucial. O processo de verificação de um milagre é extremamente rigoroso, envolvendo comissões médicas e teológicas que examinam a inexistência de explicações científicas para o evento, além de sua atribuição inequívoca à intercessão do beato. A comprovação de um milagre é um testemunho da capacidade de intercessão do beato junto a Deus, e é por isso que a Igreja exige que ocorra após o reconhecimento oficial de sua heroicidade na fé, ou seja, após a beatificação.

Relevância para Mato Grosso e o Futuro da Causa

A beatificação de Padre Nazareno Lanciotti tem um significado profundo para Mato Grosso e para a Igreja no Brasil. Ele se torna o primeiro beato do estado, um símbolo de fé, resistência e compromisso social que emerge da realidade local. Sua história ressoa com os desafios enfrentados pelas comunidades rurais e marginalizadas, e sua vida dedicada aos mais pobres inspira muitos. A multidão presente em Jauru é um reflexo do carinho e da devoção que o padre conquistou, e a expectativa pela canonização mobiliza fiéis e a própria Igreja em busca de um novo sinal.

A canonização de um indivíduo da envergadura de Padre Nazareno não apenas eleva sua figura, mas também reforça a mensagem de que a santidade é acessível e se manifesta nas vidas de pessoas que, como ele, dedicam-se a causas justas e à defesa da fé e da vida. Enquanto a espera pelo milagre se inicia, a memória de Padre Nazareno Lanciotti já ilumina o caminho de muitos, reafirmando que o legado de um mártir da fé transcende o tempo.

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Fonte: https://g1.globo.com

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