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Ministério Público de Mato Grosso recorre e pede prisão de trio denunciado em caso da morte do advogado Zampieri

O assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em dezembro de 2023 em Cuiabá, continua a ser palco de intensa disputa judicial. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) recorreu à Justiça, solicitando a prisão preventiva de Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater. O trio é investigado por integrar […]

G1

O assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em dezembro de 2023 em Cuiabá, continua a ser palco de intensa disputa judicial. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) recorreu à Justiça, solicitando a prisão preventiva de Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater. O trio é investigado por integrar uma organização criminosa supostamente envolvida na execução de Zampieri. Este recurso visa reverter decisão anterior que negou o pedido, com o MPMT argumentando que a medida é essencial para garantir a ordem pública e a instrução criminal, dada a gravidade das acusações.

A Estrutura da Organização Criminosa

A denúncia do Ministério Público descreve uma complexa estrutura criminosa com divisão de tarefas. O grupo, supostamente liderado por Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, teria sido contratado para assassinar Roberto Zampieri devido a uma disputa patrimonial envolvendo fazenda avaliada em cerca de **R$ 100 milhões**. Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo são apontados como os mandantes, buscando resolver o litígio violentamente. Nove pessoas foram denunciadas no total, refletindo a dimensão da rede criminosa que o MPMT busca desmantelar.

Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater, embora não acusados de participação direta no homicídio, desempenhavam funções cruciais para o funcionamento da organização. Segundo as investigações, Peterson é investigado por atuar na **aquisição de armas, monitoramento de alvos e recrutamento de integrantes**, elementos que indicam um papel operacional significativo. Salézia e Mario Bucater teriam prestado **apoio financeiro** ao grupo, visando garantir o silêncio dos executores e dificultar a identificação dos mandantes, conforme a argumentação do MPMT.

A Necessidade da Custódia Preventiva

No recurso que agora está sob análise da Justiça, os promotores Samuel Frungilo, Vinícius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos defendem a prisão preventiva como medida imperativa para **garantir a ordem pública**. A atuação de um grupo especializado em 'homicídios sob encomenda', capaz de agir com tamanha audácia em plena capital, representa grave ameaça à sociedade. A coibição de suas atividades é crucial para preservar a segurança pública e evitar novos crimes violentos, enviando um claro sinal de que a justiça prevalecerá.

A manutenção da liberdade dos denunciados também é vista como obstáculo à própria **instrução criminal**. O receio de que possam influenciar testemunhas, destruir provas ou obstruir de alguma forma o andamento da justiça é preponderante para a solicitação da medida cautelar. O Ministério Público afirma haver elementos sólidos indicando a participação deles na estrutura do grupo criminoso, que ostenta uma clara divisão de tarefas, justificando assim a necessidade da custódia para o avanço da investigação.

Detalhes do Homicídio: A Frieza da Execução

A brutalidade do assassinato de Roberto Zampieri, aos 57 anos, no dia 5 de dezembro de 2023, em Cuiabá, permanece marcante na memória da população e da comunidade jurídica. O advogado foi alvejado por dez tiros dentro de seu veículo, em frente ao próprio escritório, um local onde a segurança deveria ser garantida. Imagens de câmeras de segurança registraram o suspeito, usando boné, aproximando-se do carro e efetuando os disparos através do vidro do passageiro antes de fugir, em um ato de frieza calculada.

A investigação policial revelou a premeditação do ato, que demonstra a sofisticação da organização criminosa. O atirador aguardou cerca de uma hora pela saída da vítima e utilizou uma caixa revestida com plástico para esconder a arma e, possivelmente, abafar o som dos disparos. Zampieri possuía veículo blindado há mais de cinco anos, mas, lamentavelmente, não o utilizava no momento do ataque, detalhe que realça a vulnerabilidade explorada pelos criminosos e a astúcia da execução planejada para ser letal.

O Alcance do Crime Organizado em Disputas Patrimoniais

O caso Zampieri transcende a esfera de um homicídio isolado, expondo a perigosa intersecção entre disputas patrimoniais complexas e a atuação do crime organizado. Mato Grosso, um estado com vastas terras e recursos naturais, é frequentemente palco de litígios envolvendo grandes fortunas e propriedades de alto valor. Quando esses conflitos escalam para a violência extrema, com a contratação de grupos especializados em execuções, a sociedade percebe ameaça direta à integridade do sistema legal e à segurança dos cidadãos em geral.

A morte de um advogado nessas circunstâncias envia um sinal preocupante à comunidade jurídica e à população: a impunidade de tais crimes pode incentivar ações semelhantes, minando a confiança nas instituições e no próprio Estado de Direito. Por isso, a atuação firme do Ministério Público e da Justiça é crucial não apenas para punir os responsáveis pelo assassinato de Roberto Zampieri, mas para reafirmar a soberania da lei sobre os interesses ilícitos e violentos, garantindo a paz social.

O Capital Política segue acompanhando de perto os desdobramentos deste e de outros casos que marcam o cenário político e social de Mato Grosso e do Brasil. Para se manter informado com análises e aprofundamentos em notícias relevantes, convidamos você a continuar navegando em nosso portal. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, contextualizada e que realmente importa para o leitor.

Fonte: https://g1.globo.com

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