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Consórcio de prefeitos assume gestão de hospital em Sinop sob questionamentos judiciais e com mudança na direção

G1

A gestão do Hospital Regional Jorge de Abreu, uma das principais unidades de saúde do norte de Mato Grosso, localizado em Sinop (a 503 km de Cuiabá), foi oficialmente transferida para o Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires (CPSVTP). A mudança, que começou a ser implementada nesta segunda-feira (1º) com um período de transição previsto para durar entre 60 e 120 dias, já marca seus primeiros capítulos com a saída do então diretor-geral e intensos questionamentos na Justiça sobre a capacidade da nova administração. A posse do consórcio, formado por 16 municípios da região, levanta debates cruciais sobre o futuro da saúde pública regional.

Saída da direção e a nova fase do hospital

A primeira medida do Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires ao assumir o comando do Hospital Regional Jorge de Abreu foi a demissão do diretor-geral, Jean Carlos Alencar. Alencar, que esteve à frente da unidade por mais de seis anos, anunciou sua saída em um comunicado pelas redes sociais, afirmando que a decisão foi a pedido próprio. Em sua mensagem, ele relembrou a trajetória de sua gestão, destacando avanços e agradecendo à equipe. “A partir de 1º de junho, a meu pedido, deixo a função de Diretor Geral do Hospital Regional Jorge de Abreu. […] Um agradecimento, em especial, ao melhor time que eu poderia ter – vocês são fantásticos – só nós sabemos o que vivemos, gratidão também aos colegas da SES-MT, pela parceria ao longo desses anos”, escreveu.

Essa troca na direção sinaliza o início de uma nova fase para o hospital, que é um ponto de referência para a alta complexidade e urgência/emergência na região do Vale do Teles Pires. A unidade, que atende a população de diversos municípios, é peça fundamental na estrutura de saúde estadual, e sua gestão impacta diretamente a vida de centenas de milhares de pessoas.

O consórcio e as promessas de ampliação

O Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires é uma entidade intermunicipal composta por 16 prefeituras do norte mato-grossense, cujo objetivo é otimizar recursos e gerir serviços de forma coletiva. A proposta do Governo do Estado, ao oficializar a transferência da administração na última segunda-feira (25), aponta para uma ampliação significativa dos serviços oferecidos pelo hospital. Segundo o plano, o número de leitos passará de 98 para 158, e haverá expansão de atendimentos em áreas estratégicas como urologia, cirurgia pediátrica e cirurgia oncológica. O governo estadual garante que a transição ocorrerá sem interrupção nos atendimentos à população.

A secretária-executiva do consórcio esclareceu, em entrevista, que a entidade ficará responsável pela gestão administrativa da unidade. A regulação dos pacientes, por sua vez, continuará sob a alçada do Governo do Estado. Embora o consórcio já atue na contratação de serviços e compras coletivas para os municípios integrantes, esta será a primeira vez que assume a administração direta de um hospital. Essa inexperiência no comando de uma unidade de saúde de alta complexidade é o cerne das contestações jurídicas.

Questionamentos judiciais e o impacto nos profissionais

A transferência da gestão do Hospital Regional Jorge de Abreu para o CPSVTP não está ocorrendo sem percalços. A decisão é alvo de um processo protocolado na Justiça de Mato Grosso, que questiona os critérios adotados pelo Estado para a entrega da administração e levanta dúvidas substanciais sobre a capacidade técnica e a experiência da entidade na gestão hospitalar. O argumento central da ação judicial é a falta de histórico do consórcio na administração de um hospital, uma preocupação que ressoa entre especialistas em gestão pública e saúde.

Além das incertezas jurídicas, a transição gera apreensão entre os profissionais de saúde que atualmente trabalham no hospital. A secretária-executiva do consórcio informou que, devido à mudança de Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), todos os funcionários deverão passar por novos processos seletivos. Essa medida, embora legalmente embasada, pode gerar instabilidade na equipe e potencialmente impactar a continuidade e a qualidade dos serviços prestados durante e após a transição, mesmo com a garantia do estado de que não haverá interrupção.

O papel dos consórcios na saúde pública e os desafios em jogo

A modelagem de consórcios públicos para a gestão de serviços de saúde não é novidade no Brasil. Frequentemente, é vista como uma solução para otimizar recursos, promover a regionalização da saúde e permitir que municípios menores compartilhem a carga administrativa e financeira de grandes equipamentos, como hospitais regionais. Contudo, essa estratégia também enfrenta desafios consideráveis, como a garantia de governança transparente, a superação de interesses políticos locais e, crucialmente, a aquisição de expertise técnica para lidar com a complexidade da administração hospitalar.

No caso do Hospital Regional Jorge de Abreu, a situação em Sinop espelha uma discussão mais ampla sobre a descentralização da saúde e a capacidade dos entes subnacionais em gerir infraestruturas de alta complexidade. A efetividade da transição e a capacidade do consórcio em cumprir as promessas de melhoria e expansão, ao mesmo tempo em que lida com as demandas jurídicas e a manutenção da qualidade dos serviços, serão observadas de perto. O desfecho dessa gestão será um termômetro importante para modelos semelhantes em Mato Grosso e no restante do país, impactando diretamente o acesso à saúde e a confiança da população nas políticas públicas.

Acompanhe o Capital Política para mais desdobramentos sobre a gestão da saúde em Mato Grosso e as implicações dessa transição. Nosso compromisso é trazer informação relevante, aprofundada e contextualizada, permitindo que você compreenda os fatos que moldam o cenário político e social do país.

Fonte: https://g1.globo.com

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