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Gaeco faz operação em Cuiabá e VG e mira vereadores por suspeita de compra de votos

Investigação apura suposto esquema para garantir a reeleição de Wanderley Cerqueira à presidência da Câmara de Várzea Grande; agentes cumprem mandados de busca e apreensão O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), deflagrou nesta terça-feira (20) uma operação em Cuiabá e Várzea Grande para investigar […]

Investigação apura suposto esquema para garantir a reeleição de Wanderley Cerqueira à presidência da Câmara de Várzea Grande; agentes cumprem mandados de busca e apreensão

O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), deflagrou nesta terça-feira (20) uma operação em Cuiabá e Várzea Grande para investigar suspeitas de compra de votos na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande.

Entre os alvos estão o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), os vereadores Gisa Barros e Rogerinho Dakar, a diretora financeira do Legislativo, Lorineide Inhan, conhecida como Lori, e o secretário Legislativo Samir Katumata.

A investigação apura possíveis irregularidades na votação realizada em 14 de maio, quando Cerqueira foi reconduzido à presidência da Casa por 12 votos a 11, derrotando Lucas do Chapéu do Sol (PL), aliado da prefeita Flávia Moretti (PL).

A operação também alcança integrantes do grupo político que apoiou a chapa vencedora. Informações preliminares apontam o cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.

Durante as diligências, agentes estiveram na residência da mãe de Cerqueira, no bairro Ipase, em Várzea Grande. O presidente da Câmara confirmou o cumprimento do mandado. Também foram realizadas buscas em imóveis ligados à vereadora Gisa Barros e à diretora financeira Lorineide Inhan. Telefones celulares estão sendo apreendidos para análise.

A investigação foi instaurada em maio, após o Ministério Público receber denúncias sobre supostas negociações ilegais que antecederam a eleição da Mesa Diretora. Uma das suspeitas é que vereadores tenham recebido dinheiro para garantir apoio à chapa de Cerqueira.

Segundo os relatos encaminhados ao Gaeco, parlamentares teriam permanecido hospedados em uma chácara no distrito da Guia, em Cuiabá, nos dias anteriores à votação, supostamente sob vigilância de seguranças armados.

O procedimento, conduzido pelo promotor de Justiça Adriano Roberto Alves, apura possíveis crimes de corrupção ativa, ameaça, extorsão, chantagem e cárcere privado.

Outra linha de investigação envolve um suposto acordo político relacionado à privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande. A suspeita é que a negociação pudesse incluir o pagamento de vantagens indevidas em troca de apoio político.

A disputa pelo comando da Câmara já havia chegado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em 21 de maio, uma semana após a votação, o ministro Dias Toffoli anulou a eleição que reconduziu Cerqueira à presidência da Casa para o biênio 2027-2028.

A decisão atendeu a uma reclamação apresentada pelo vereador Bruno Rios (PL). O ministro considerou irregular a antecipação da eleição, uma vez que a escolha dos integrantes da Mesa Diretora para o próximo biênio só poderia ocorrer a partir de outubro de 2026.

Apesar do início do prazo autorizado pelo STF, uma nova votação ainda não foi realizada. Um requerimento assinado por 15 dos 23 vereadores solicitou a convocação de uma sessão extraordinária, mas o pedido foi rejeitado por Cerqueira.

Diante da negativa, cinco parlamentares recorreram à Justiça: Lucas do Chapéu do Sol, Bruno Rios, Adilsinho (Republicanos), Jânio Calistro (União) e Charles da Educação (União).

No último dia 7, o juiz Carlos Roberto Barros de Campos, da 3ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Várzea Grande, concedeu prazo de dez dias para que o presidente da Câmara apresentasse explicações sobre a ausência de convocação da eleição.

A operação desta terça-feira amplia a disputa pelo comando do Legislativo municipal, que agora também é objeto de investigação criminal.

O procedimento tramita sob sigilo. As suspeitas ainda não representam comprovação de envolvimento dos investigados nos crimes apurados.

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