O deputado federal Rodrigo da Zaeli (PL-MT) levantou um alerta que poucos no Congresso estão fazendo: e se o dia a mais de folga garantido pela PEC da escala 6×1 vier embutido numa alta de preços que vai direto para o carrinho de compras do trabalhador?
“No dia a dia, essa redução da jornada de trabalho, esse impacto dentro das empresas, dentro das indústrias, dentro do serviço público, vai gerar aumento de preços na prateleira do supermercado?”, questionou o parlamentar durante sessão na Câmara. Para Zaeli, se a resposta for sim, o benefício se desfaz sozinho — o trabalhador descansa mais um dia, mas compra menos no fim do mês.
O deputado foi além e trouxe para o debate um grupo que a discussão nacional tem ignorado: quem vive de comissão. Para esse perfil, trabalhar um dia a menos na semana não é só uma folga — é uma venda a menos, uma comissão a menos, um dinheiro que não entra. “Eles vão ganhar mais um dia semanal remunerado, mas vão perder a oportunidade de trabalhar na comissão daquele dia”, apontou.
Zaeli ainda comparou a PEC com outras medidas do governo federal para mostrar que benefícios raramente vêm de graça. A isenção do IR até R$ 5 mil foi compensada com mais imposto para quem ganha acima de R$ 50 mil. A isenção nos combustíveis teve como contrapartida o aumento da taxação sobre o tabaco. O padrão, segundo ele, deve se repetir. “Não adianta a gente dar um dia a mais de folga ao trabalhador e não discutir com a sociedade quem é que vai pagar essa conta do aumento do custo da produção nas empresas”, disse.
A PEC tramita em comissão especial na Câmara. O relatório do deputado Léo Prates está previsto para o dia 20 de maio.