O enredo que envolve a guarda de Bertholdo, o cãozinho do casal de atores Letícia Sabatella e Daniel Dantas, acaba de ganhar um novo e complexo desdobramento. A empresária Juliana Bittencourt, que em determinado momento foi responsável pela adoção do animal, acionou a Justiça do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (24/9), buscando a regulamentação da guarda do pet. O pedido, divulgado inicialmente pelo colunista Ancelmo Gois, marca mais uma reviravolta em uma história que tem capturado a atenção do público e levantado discussões importantes sobre os laços afetivos com animais de estimação e seus direitos no âmbito legal.
A ação de Juliana Bittencourt, que solicita a guarda unilateral de Bertholdo ou, alternativamente, a guarda compartilhada, reacende um debate que vai além da vida pessoal de figuras públicas. Ela toca em questões sobre a posse responsável, o papel das ONGs em processos de adoção e, fundamentalmente, a crescente atribuição de status de 'membro da família' aos animais, com todas as implicações emocionais e legais que isso acarreta. O caso, que já passou por momentos de intensa repercussão, evidencia como a legislação ainda busca se adaptar à realidade dos laços humano-animal na sociedade contemporânea.
O Contexto de uma Disputa Emocional e Legal
Para entender a complexidade da situação atual, é preciso revisitar o início da controvérsia. A disputa por Bertholdo e Bebê, outro cãozinho da família, começou no início de 2025. Naquele período, Letícia Sabatella acompanhava a mãe em Curitiba, e Daniel Dantas passava por um tratamento de saúde. Os animais estavam sob os cuidados temporários de uma clínica veterinária, que, segundo a atriz, acabou por encaminhar os dois cães para adoção, por meio da ONG Cãorrijo, sem a devida autorização dos tutores originais.
Ao tomar conhecimento do ocorrido, Letícia Sabatella iniciou uma verdadeira batalha para reaver seus pets, recorrendo à Justiça e registrando uma ocorrência policial. A mobilização da atriz nas redes sociais, em busca de seus cãezinhos, gerou uma onda de apoio e trouxe o caso para o centro das atenções. Enquanto Bebê foi devolvido aos atores após um acordo com o responsável que o havia adotado, Bertholdo permaneceu sob a guarda de Juliana Bittencourt, que defendia ter realizado a adoção de boa-fé e sem conhecimento da polêmica pré-existente.
A Decisão de Busca e Apreensão e o Retorno de Bertholdo
A reviravolta judicial veio em agosto, quando a Justiça do Rio de Janeiro determinou a busca e apreensão de Bertholdo, estabelecendo um prazo para que o animal fosse entregue voluntariamente. A decisão autorizava, inclusive, o uso de força policial, caso necessário. A magistrada responsável pelo caso entendeu que Letícia e Daniel tinham o direito legítimo de reaver o cachorro, e que as alegações de maus-tratos ou abandono, apresentadas no processo por quem adotou o pet, não haviam sido comprovadas.
Em 24 de agosto, Bertholdo foi finalmente devolvido aos atores. Letícia Sabatella, visivelmente emocionada, compartilhou nas redes sociais o reencontro com seu cãozinho, que foi recebido com festa pela família. A atriz informou que Bertholdo passou por avaliação veterinária e foi diagnosticado com dermatite e otite, iniciando prontamente o tratamento. Bebê, o outro cão, também já estava em casa, e os dois animais puderam retomar sua convivência após meses de separação e incertezas.
Os Novos Argumentos da Empresária e o Impacto Emocional
A nova ação de Juliana Bittencourt se baseia em argumentos que buscam legitimar sua conexão com Bertholdo. Segundo o pedido protocolado na Justiça, a empresária adotou o cão em fevereiro de 2025, por intermédio da ONG Cãorrijo, afirmando ter agido de boa-fé e sem ciência da controvérsia preexistente. Ela anexou registros que, segundo ela, demonstram que o cachorro apresentava problemas de saúde quando foi adotado, sugerindo que foi ela quem providenciou os primeiros cuidados e restabelecimento do animal.
Um dos pontos mais sensíveis da defesa de Juliana é o forte vínculo emocional criado entre Bertholdo e sua filha. A empresária relata que a menina e o cão dormiam juntos todas as noites e que a separação do animal resultou na necessidade de acompanhamento psicológico para a criança. Essa dimensão humana e o impacto psicológico da perda de um pet, especialmente para crianças, têm sido cada vez mais reconhecidos e debatidos em processos judiciais que envolvem a guarda de animais.
Juliana também afirma que tentou visitar Bertholdo depois que ele retornou à casa dos atores, mas que seus pedidos teriam sido negados. Essa alegação reforça a narrativa de um conflito que extrapolou a questão da propriedade e se tornou uma disputa sobre o afeto e o bem-estar do animal, e de todos os envolvidos.
O Animal de Estimação na Justiça Brasileira: Um Debate em Evolução
O 'Caso Letícia Sabatella' serve como um espelho para uma discussão mais ampla e crescente na sociedade brasileira: o status legal dos animais de estimação. Historicamente tratados como 'coisas' ou 'bens semoventes' pelo Código Civil, a jurisprudência tem evoluído para reconhecer o valor afetivo e o papel dos pets como 'membros da família'. Casos de guarda compartilhada, pensão alimentícia para animais e até mesmo indenizações por abandono ou maus-tratos estão se tornando mais comuns nos tribunais.
Essa transformação reflete uma mudança cultural profunda, onde cães e gatos, entre outros, são cada vez mais integrados ao núcleo familiar, recebendo cuidados, carinho e gerando laços indissolúveis. A lei, no entanto, ainda engatinha para acompanhar essa realidade, e decisões como as proferidas no caso de Bertholdo abrem precedentes importantes, que podem influenciar futuros litígios. A busca por guarda unilateral ou compartilhada de um pet, como a proposta por Juliana Bittencourt, desafia os modelos tradicionais do direito de família, adaptando-os a uma realidade multiespécie.
O desfecho desta nova etapa do processo será crucial não apenas para Letícia, Daniel e Juliana, mas também para balizar as futuras decisões sobre a guarda de animais no Brasil. Ele colocará em xeque como os tribunais ponderam entre o direito de propriedade, o bem-estar do animal e os vínculos afetivos estabelecidos com diferentes tutores, especialmente quando há crianças envolvidas. O caso ressalta a importância de contratos claros em adoções e a necessidade de regulamentação mais robusta para evitar dramas como este.
A disputa por Bertholdo é, portanto, mais do que uma notícia de celebridade; é um microcosmo das transformações sociais e jurídicas em curso. O Capital Política seguirá acompanhando de perto todos os desdobramentos deste e de outros casos que moldam a nossa sociedade, trazendo a você uma análise aprofundada e contextualizada. Para se manter sempre bem informado sobre política, economia, cultura e os debates que importam, continue navegando em nosso portal e explore a variedade de temas que abordamos com compromisso e credibilidade.
Fonte: https://www.metropoles.com