PUBLICIDADE

Dirigir com pet no colo: abordagem no trânsito revela por que o tamanho do animal não isenta o motorista das regras de segurança

A cena é comum nas cidades brasileiras: um motorista ao volante, e no colo, um cachorro, pequeno ou grande, dividindo a atenção com o trânsito. Recentemente, a abordagem a uma mulher que dirigia com seu pequeno pet acomodado dessa forma em seu colo, sob a justificativa de que o animal ficava agitado no banco traseiro, […]

Gustavo Gabriel Miranda

A cena é comum nas cidades brasileiras: um motorista ao volante, e no colo, um cachorro, pequeno ou grande, dividindo a atenção com o trânsito. Recentemente, a abordagem a uma mulher que dirigia com seu pequeno pet acomodado dessa forma em seu colo, sob a justificativa de que o animal ficava agitado no banco traseiro, serviu como um alerta. O incidente, que se repete diariamente, joga luz sobre uma questão crucial de segurança no trânsito que muitos tutores de animais ainda ignoram ou subestimam: o transporte inadequado de pets pode gerar multas e, mais importante, colocar em risco a vida de todos a bordo.

Com a crescente humanização dos animais de estimação, que hoje são considerados membros da família por uma parcela significativa da população, a presença deles em carros se tornou rotina. No entanto, o carinho e o afeto, por mais legítimos que sejam, não podem se sobrepor às normas de segurança e à legislação de trânsito. A verdade é que, independentemente do porte do animal, o colo do motorista é um local proibido e perigoso para o transporte de qualquer passageiro, inclusive os de quatro patas.

A Regulamentação e os Riscos de Dirigir com Pets no Colo

O que diz o Código de Trânsito Brasileiro

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é claro e abrangente ao tratar da segurança nas vias. Embora não haja um artigo específico que cite diretamente “animais no colo do motorista”, diversas infrações podem ser aplicadas a quem o faz. O Artigo 252, por exemplo, estabelece que é infração dirigir com apenas uma das mãos, exceto em situações específicas como mudar a marcha ou acionar equipamentos. Ter um pet no colo, mesmo que pequeno, inevitavelmente compromete essa regra, configurando uma infração média, com multa e pontos na carteira.

Além disso, o Artigo 169 do CTB, que trata de dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança, é frequentemente aplicado em casos onde a presença do animal no colo resulta em distração. A distração, nesse contexto, pode ser um cão lambendo o rosto do motorista, tentando alcançar algo, ou simplesmente bloqueando a visão ou a movimentação das mãos e braços. Mas o risco maior está no Artigo 235: “Conduzir pessoas, animais ou carga nas partes externas do veículo, ou sobre os bancos, em desacordo com as normas estabelecidas pelo CONTRAN”. Transportar um animal solto sobre o banco ou no colo pode ser interpretado como desacordo com as normas de segurança, sendo considerada infração grave, com penalidades mais severas.

Por que o Colo não é um Lugar Seguro

Mais do que as multas, o principal problema de ter um animal no colo enquanto se dirige é a segurança. Um pet, por menor que seja, pode causar uma série de problemas: obstruir a visão do motorista, dificultar a manipulação do volante, pedais e câmbio, ou até mesmo acionar algum botão ou alavanca do painel. Em caso de uma frenagem brusca ou colisão, um animal solto, mesmo que pequeno, pode ser arremessado com força considerável, tornando-se um projétil e causando ferimentos graves tanto a si mesmo quanto aos ocupantes do veículo.

A agitação do animal, mencionada pela motorista abordada, é um ponto crucial. Paradoxalmente, a falta de contenção adequada pode aumentar a ansiedade e o estresse do pet durante o trajeto, levando-o a se movimentar excessivamente ou vocalizar. Um animal agitado no colo não só distrai o condutor, mas também está mais exposto a lesões em caso de movimentos bruscos do carro, além de poder saltar para fora do veículo em uma janela aberta ou ser atingido pelo airbag em um acidente.

Alternativas Seguras para o Transporte de Animais

Para garantir a segurança de todos e evitar problemas com a lei, existem diversas soluções desenvolvidas especificamente para o transporte de animais em veículos, que levam em conta o bem-estar do pet e a tranquilidade do motorista.

Caixas de Transporte: a Opção mais Segura

As caixas de transporte são amplamente recomendadas por veterinários e especialistas em segurança. Elas devem ser do tamanho adequado para o animal, permitindo que ele se levante, vire e deite confortavelmente, mas sem espaço excessivo para que não seja jogado de um lado para o outro. A caixa deve ser fixada de forma segura no banco traseiro (com o cinto de segurança passando pelas alças da caixa, se houver) ou no porta-malas, no caso de veículos tipo SUV ou hatch, sempre em uma posição que evite seu deslocamento. Para muitos animais, estar dentro de uma caixa proporciona uma sensação de segurança e reduz o estresse da viagem.

Cintos e Cadeirinhas Específicas

Outras opções eficazes incluem os cintos de segurança adaptados para animais, que se prendem ao peitoral do pet e ao engate do cinto do carro, e as cadeirinhas ou assentos elevatórios. Estes últimos são ideais para cães de pequeno porte, elevando-os para que possam observar o ambiente pela janela, enquanto permanecem seguros por uma guia que se conecta ao cinto de segurança do carro. Há também as grades divisórias, muito úteis para pets maiores, que separam o banco traseiro ou porta-malas da área dos passageiros, impedindo que o animal interfira na direção e garantindo seu espaço seguro.

Aumento da Consciência e o Papel do Tutor

A responsabilidade do tutor vai além de alimentar e cuidar da saúde do animal; estende-se também à garantia de sua segurança e da segurança pública. A conscientização sobre o transporte adequado de pets é um desafio contínuo. Muitas vezes, a falta de informação, ou a crença de que “meu bichinho é pequeno e não faz mal”, leva a práticas perigosas.

Campanhas educativas e a divulgação clara das regras do CTB, juntamente com as opções de transporte seguro, são essenciais para mudar essa cultura. O tutor que se queixa da agitação do pet no carro pode buscar auxílio com um adestrador ou veterinário para adaptar o animal ao transporte seguro, usando técnicas de dessensibilização e reforço positivo. Afinal, oferecer segurança e bem-estar é a maior prova de amor e responsabilidade para com o seu companheiro animal e para com a sociedade como um todo.

Manter-se informado sobre legislação e práticas de segurança é fundamental para todos os cidadãos. Para mais notícias relevantes, análises aprofundadas e conteúdo que realmente importa, continue acompanhando o Capital Política. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, contextualizada e atualizada, abrangendo temas que impactam o seu dia a dia e a realidade brasileira.

Fonte: https://oantagonista.com.br

Leia mais

PUBLICIDADE