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Desenrola 3.0: Governo convoca instituições financeiras para leilão bilionário de dívidas

O governo federal deu um passo decisivo para a terceira fase do Programa Desenrola Brasil, publicando uma portaria no Diário Oficial da União que convoca instituições financeiras para apresentar as carteiras de dívidas elegíveis à renegociação. Este edital de chamamento marca o início de um processo ambicioso que prevê a compra de débitos pela União, […]

© Marcello Casal JrAgência Brasil

O governo federal deu um passo decisivo para a terceira fase do Programa Desenrola Brasil, publicando uma portaria no Diário Oficial da União que convoca instituições financeiras para apresentar as carteiras de dívidas elegíveis à renegociação. Este edital de chamamento marca o início de um processo ambicioso que prevê a compra de débitos pela União, uma estratégia inovadora para combater a inadimplência e reativar a economia, com um volume estimado em R$ 90 bilhões em dívidas antigas que poderão ser leiloadas.

Com um prazo de cinco dias úteis, bancos, instituições financeiras e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) deverão informar ao Ministério da Fazenda quais dívidas de seus portfólios se encaixam nos critérios do programa. O objetivo é mensurar o interesse dos credores e o volume total de débitos por faixas de renda, preparando o terreno para um leilão que promete injetar novo fôlego na capacidade de consumo de milhões de brasileiros.

O cenário do endividamento e a evolução do Desenrola

A inadimplência é um desafio persistente na economia brasileira, afetando a vida de milhões de famílias e limitando o acesso ao crédito e ao consumo. Em resposta a esse cenário, o governo lançou o Desenrola Brasil em meados de 2023, um programa multifacetado que já em suas primeiras fases buscou oferecer condições facilitadas para a renegociação de dívidas. As edições anteriores concentraram-se em diferentes faixas de renda, com ou sem a garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), e já permitiram que milhões de pessoas regularizassem sua situação financeira.

A terceira fase, batizada extraoficialmente de Desenrola 3.0, representa uma escalada na estratégia governamental. Diferentemente das etapas anteriores, que se baseavam principalmente na renegociação direta entre devedores e credores com o suporte do governo, esta nova fase introduz a compra de dívidas pela União. Essa abordagem visa desonerar as instituições financeiras de débitos de difícil recuperação e, ao mesmo tempo, permitir que descontos ainda mais significativos sejam repassados aos consumidores, dada a capacidade de negociação do Estado.

A nova estratégia: compra de dívidas e leilão

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que a iniciativa pode movimentar R$ 90 bilhões em dívidas. O custo máximo estimado para o governo na aquisição desse montante seria de R$ 9 bilhões, um valor que reflete o deságio mínimo de 90% exigido pelo programa. Ou seja, a União pagaria, no máximo, 10% do valor nominal das carteiras de crédito adquiridas, garantindo um alto potencial de desconto para os devedores.

Este chamamento público é exclusivo para credores, que terão que apresentar carteiras de dívidas que se enquadrem nos critérios e aceitar as condições mínimas de desconto. A etapa atual não é, portanto, um momento para o consumidor procurar os bancos, mas sim um procedimento para que o governo possa mapear o cenário e organizar o leilão. A intenção é que, após a aquisição, o governo possa oferecer condições de renegociação ainda mais vantajosas aos devedores finais.

O roteiro do Desenrola 3.0

O procedimento será dividido em fases bem definidas para garantir transparência e eficiência:

Chamamento e apresentação das carteiras

A publicação do edital no Diário Oficial marca o chamamento para que os credores manifestem interesse. Nos cinco dias úteis seguintes, eles deverão informar o volume de débitos elegíveis que pretendem oferecer ao governo.

Definição do leilão e compra das dívidas

Após a análise do volume apresentado e sua separação por faixas de renda, será definido o leilão. Embora previsto inicialmente para novembro, com a possibilidade de adiamento para o início de dezembro, o processo visa estimular a concorrência entre os credores. O governo pretende estruturar a disputa para beneficiar principalmente devedores de menor renda e microempreendedores individuais (MEIs). Contudo, há flexibilidade: se o volume de dívidas de baixa renda for menor que o esperado, o governo poderá adquirir mais débitos de outras faixas.

Critérios de elegibilidade e custos envolvidos

As dívidas elegíveis para a compra pela União, conforme a medida provisória que criou o Desenrola 3.0 em setembro, devem atender a critérios específicos. Incluem débitos de até R$ 10 mil (valor original), com atrasos entre 720 e 1.645 dias (aproximadamente dois anos a quatro anos e meio). Cartões de crédito, nas modalidades rotativa e parcelada, e crédito pessoal sem consignação em folha estão na lista, abrangendo tanto pessoas físicas quanto MEIs.

Embora o volume estimado de dívidas que os credores podem apresentar chegue a R$ 90 bilhões, o desembolso máximo para o governo é de R$ 9 bilhões, devido ao deságio mínimo exigido. O governo, no entanto, não está obrigado a comprar todas as carteiras oferecidas. A intenção é trabalhar com um orçamento específico para o leilão e, ao estimular a concorrência, buscar descontos ainda maiores, que poderiam chegar a 93% ou 95% do valor original da dívida, otimizando o investimento público.

O que o consumidor pode esperar

Após a finalização do leilão e a aquisição das dívidas pela União, os débitos serão renegociados diretamente com os devedores. Os significativos descontos obtidos pelo governo na compra das carteiras serão repassados aos consumidores, oferecendo uma oportunidade única para a regularização financeira. Será possível quitar o débito à vista ou parcelar o pagamento, embora o parcelamento envolva a cobrança de juros.

É fundamental reforçar que, neste momento, os consumidores não precisam procurar os bancos para participar. As regras e os procedimentos detalhados para o acesso às renegociações ainda dependem de definições do Conselho Monetário Nacional (CMN) e de regulamentação específica que será divulgada pelo governo. A expectativa é que, com a conclusão do processo de aquisição, as condições para os devedores sejam amplamente divulgadas, permitindo que milhões de brasileiros limpem seus nomes e retomem seu poder de compra e investimento.

Para acompanhar de perto todos os desdobramentos desta e de outras iniciativas que impactam diretamente a vida dos cidadãos e a economia do país, continue lendo o Capital Política. Nosso portal está comprometido em trazer informação relevante, atual e contextualizada, ajudando você a entender os fatos que moldam o cenário nacional.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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