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Corretor Antônio Gritzbach detalhou suposta extorsão policial de R$ 30 milhões em vídeo inédito antes de ser assassinado

Reprodução/MPSP

Em um desenvolvimento impactante que lança luz sobre as perigosas conexões entre o crime organizado e agentes do Estado, o corretor de imóveis Antônio Vinícius Gritzbach, apontado como peça-chave na lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), revelou em vídeo exclusivo ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) detalhes de uma suposta tentativa de extorsão milionária praticada por policiais civis. O depoimento, gravado em julho de 2024, ganha contornos ainda mais dramáticos: apenas quatro meses depois, Gritzbach foi brutalmente assassinado a tiros no Aeroporto Internacional de Guarulhos, sob a luz do dia. A denúncia, que agora vem à tona, detalha uma trama de corrupção que culminou nas prisões de um delegado e de um chefe de investigadores.

A Complexidade da Delação Premiada

Antônio Gritzbach era uma figura central em complexos esquemas de lavagem de dinheiro, utilizando a compra e venda de imóveis para movimentar recursos da facção criminosa. Sua colaboração premiada com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPSP, homologada pela Justiça em abril de 2024, representava um ponto de inflexão na investigação, prometendo revelar não apenas a estrutura financeira do PCC, mas também a intrínseca rede de corrupção envolvendo agentes públicos. A reunião com os promotores, ocorrida em 16 de julho de 2024, foi registrada em vídeo e se tornou um documento crucial, onde Gritzbach apresentou provas como áudios e outros relatos para embasar suas acusações.

A Trama da Extorsão Milionária

O foco da apuração do Gaeco estava em um anexo da delação que tratava especificamente da corrupção policial. Logo no início do depoimento, os promotores questionaram Gritzbach sobre eventuais pedidos de propina ligados à investigação do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) sobre as mortes de Anselmo Becheli Santa Fausta, conhecido como 'Cara Preta', e de Antônio Corona Neto, o 'Sem Sangue', ambos ligados ao PCC. A resposta do corretor foi direta e incriminatória, apontando os nomes do delegado Fábio Baena, então atuante no DHPP, e de Eduardo Monteiro, chefe dos investigadores da equipe.

Gritzbach relatou que, durante o cumprimento de sua prisão temporária, em fevereiro de 2022, foi conduzido à sala do delegado. Na ocasião, segundo sua versão, o próprio delegado Fábio Baena teria indicado o advogado Ivelson Saloto. Dias após esse encontro, veio o pedido exorbitante: 'Ele [Ivelson Saloto] falou que o Eduardo e o Baena pediram uma quantia de R$ 30, R$ 40 milhões', afirmou Gritzbach aos promotores. A justificativa para a cifra milionária seria a suposta existência de um pendrive contendo chaves de acesso a valores em criptomoedas. Gritzbach, no entanto, negou veementemente possuir o dispositivo ou o dinheiro, resistindo à pressão.

Bens Confiscados e Registros Ocultos

A suposta extorsão, segundo Gritzbach, não se limitou apenas ao dinheiro. Ele afirmou que, no decorrer da investigação do DHPP, policiais teriam se apropriado de parte de seu patrimônio. Ao ser questionado se a Polícia Civil havia retido algum bem, o corretor respondeu que foram 'um sítio e alguns relógios'. O sítio, localizado em Biritiba Mirim, na Grande São Paulo, avaliado em cerca de R$ 1,5 milhão, era formalmente registrado em nome do dentista Roberto Vioto, mas Gritzbach alegava ser o verdadeiro proprietário, apresentando contratos e escrituras para comprovar a transação. O mais grave, de acordo com o delator, é que esses bens teriam sido apreendidos em sua residência durante uma busca, mas não foram oficialmente relacionados nos autos do inquérito policial, sugerindo uma apropriação indevida e fora dos trâmites legais.

Para fortalecer suas acusações, Gritzbach entregou aos promotores áudios que, segundo ele, comprovariam a articulação para a venda do sítio. Em uma dessas gravações, Eduardo Monteiro, chefe dos investigadores, falaria sobre a comercialização do imóvel, que estaria sendo intermediada por Rogério de Almeida Felício, conhecido como 'Rogerinho', policial da equipe de Baena. A denúncia expõe uma faceta alarmante da corrupção policial: o uso do aparato estatal para fins de extorsão e enriquecimento ilícito, minando a integridade das investigações e a confiança pública nas instituições.

O Assasssinato e as Prisões: Conexões Perigosas

A morte de Antônio Vinícius Gritzbach em novembro de 2024, poucos meses após seu depoimento detalhado, adiciona uma camada de urgência e tragédia a este complexo cenário. Fuzilado no saguão de um dos maiores aeroportos do país, sua execução levanta sérias questões sobre a segurança de delatores e as profundas ramificações das redes criminosas que ele ousou expor. A cronologia dos fatos é estarrecedora: a delação em julho, o assassinato em novembro e, menos de um mês depois, em 17 de dezembro de 2024, as prisões de Fábio Baena e Eduardo Monteiro, os policiais civis nominalmente acusados por Gritzbach. Essas prisões, que ocorreram com base nas investigações do Gaeco, reforçam a seriedade das acusações e a potencial ligação entre a denúncia e os subsequentes eventos.

O Cenário Maior: Corrupção, Crime Organizado e Confiança Pública

O caso Gritzbach transcende a esfera de uma simples denúncia de extorsão; ele se insere no complexo e perigoso panorama do crime organizado e da corrupção institucional no Brasil. A atuação de Gritzbach como 'laranja' do PCC para a compra de imóveis, sua suposta 'absolvição' por um 'tribunal do crime' da própria facção para esclarecer a morte de membros, e agora a denúncia de extorsão por parte de policiais, desenham um cenário onde as fronteiras entre o legal e o ilegal se mostram perigosamente tênues. A morte de Gritzbach e o avanço das investigações contra os policiais destacam o alto preço pago por aqueles que decidem colaborar com a justiça, especialmente quando os alvos são agentes do Estado possivelmente envolvidos com o crime organizado.

A denúncia contra um delegado e um chefe de investigadores por tentativa de extorsão milionária, seguida do assassinato do delator e das subsequentes prisões, abala profundamente a credibilidade das forças de segurança. Eventos como este corroem a confiança pública, um pilar fundamental para a eficácia do combate ao crime e para a manutenção da ordem social. O caso Gritzbach serve como um sombrio lembrete da infiltração criminosa em estruturas estatais e da constante batalha para purgar a corrupção que, por vezes, se enraíza nas instituições que deveriam proteger os cidadãos.

Este desenvolvimento no caso Gritzbach é um exemplo contundente da complexidade e da gravidade dos desafios que a justiça brasileira enfrenta em sua luta contra a criminalidade organizada e a corrupção institucional. Para se manter informado sobre este e outros temas cruciais que impactam a sociedade, acompanhe o Capital Política. Nosso compromisso é com a informação aprofundada, contextualizada e relevante, que permite ao leitor compreender as nuances dos fatos e seus desdobramentos, oferecendo uma leitura jornalística real e completa.

Fonte: https://www.metropoles.com

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