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Cacique Raoni Metuktire é novamente internado em MT com pneumonia

G1

O Cacique Raoni Metuktire, figura emblemática e uma das vozes mais respeitadas na defesa dos povos indígenas e do meio ambiente em nível global, foi novamente internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Sinop, a 503 quilômetros de Cuiabá, Mato Grosso. Aos 94 anos, o líder Kayapó deu entrada no Hospital Dois Pinheiros na última quinta-feira (14) para tratar um quadro de pneumonia, conforme comunicado pela unidade de saúde. Embora seu estado seja considerado estável, a internação em UTI é uma medida preventiva, dada a idade avançada e a fragilidade de saúde preexistente do cacique.

A notícia reacende a preocupação com a saúde de Raoni, cuja trajetória é intrinsecamente ligada à luta pela demarcação de terras e pela preservação da Amazônia. Sua condição de saúde é acompanhada com atenção não apenas por sua família e comunidade, mas também por ativistas, líderes políticos e admiradores em todo o mundo, que veem nele um símbolo vivo da resistência indígena e da urgência climática.

Histórico de saúde e a delicada condição atual

A internação atual de Raoni Metuktire segue um período de fragilidade. Ele já havia sido hospitalizado no dia 7 de maio para tratar uma hérnia crônica, recebendo alta apenas dois dias depois. Contudo, na semana seguinte, uma nova indisposição levou o cacique de volta ao hospital. A equipe médica informou que Raoni possui múltiplas comorbidades, incluindo Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), cardiopatia com marcapasso e insuficiência cardíaca, condições que tornam qualquer infecção respiratória um motivo de grande apreensão.

Durante esta última internação, o quadro respiratório do líder indígena se agravou, demandando o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar. A transferência para a UTI, realizada no sábado (16) após reavaliação clínica, foi considerada essencial para garantir o monitoramento contínuo necessário. Um dos netos de Raoni, em depoimento à TV Centro América, relatou que o cacique tem apresentado dificuldade para abrir os olhos e experimentado episódios de delírio, sintomas que adicionam uma camada de preocupação sobre seu bem-estar geral.

Um líder cuja voz não pode calar

A delicada situação de saúde de Raoni Metuktire ressalta a importância de sua figura para o Brasil e o cenário internacional. O cacique, que precisou cancelar sua agenda de compromissos devido à internação, é um ativista incansável desde 1954. Sua fluência em português e seu carisma foram instrumentais para a articulação e o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas na Constituição Federal de 1988, um marco histórico para as comunidades originárias do país.

Sua voz ganhou ressonância global a partir de 1977, quando um documentário sobre sua vida foi exibido no prestigioso Festival de Cannes, na França. A notoriedade internacional se consolidou em 1989, quando Raoni embarcou em uma turnê por 17 países ao lado do ex-baixista da banda The Police, Sting. Essa parceria inusitada chamou a atenção do mundo para a devastação da Amazônia e para a luta dos povos indígenas, colocando a questão ambiental e humanitária na pauta de discussões globais de forma inédita.

Influência em palcos nacionais e internacionais

Ao longo das décadas, Raoni foi recebido por chefes de Estado e líderes religiosos, reiterando seu apelo pela preservação. Em 2012, encontrou-se com o então presidente francês François Hollande no Palácio do Eliseu, e em 2024, entregou uma carta ao Papa Francisco no Vaticano, abordando as mudanças climáticas e suas catástrofes. No cenário nacional, sua simbólica presença ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na rampa do Palácio do Planalto em 2023 solidificou seu status como um pilar da agenda indígena e ambiental do governo brasileiro.

O reconhecimento por sua atuação transcende as esferas política e ativista, sendo também acadêmico: em 2020, Raoni recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), honraria concedida a personalidades que se destacam por seu trabalho e contribuição à sociedade. Esse legado, construído com décadas de dedicação e sacrifício, faz com que cada internação e cada boletim médico sobre sua saúde sejam acompanhados com uma mistura de apreensão e esperança, dada a insubstituível presença do cacique no cenário contemporâneo.

A memória de 2020: perdas e resiliência

A saúde de Raoni também enfrentou sérios desafios em 2020, um ano particularmente difícil para ele. Em julho, foi internado em Colíder com complicações gastrointestinais e desidratação, sendo transferido de avião para Sinop. Pouco depois, em setembro do mesmo ano, recebeu o diagnóstico de pneumonia, condição que o levou novamente ao hospital, onde permaneceu por nove dias. Naquele período, além dos problemas físicos, o cacique também passou por um quadro depressivo profundo após a perda de sua esposa, Bekwyjkà Metuktire. A superação desses momentos difíceis em 2020 é um testemunho da resiliência de Raoni, mas também um lembrete da fragilidade que acompanha sua avançada idade.

A preocupação com a saúde de Raoni transcende o interesse por uma figura pública; ela reflete a inquietação de muitos sobre o futuro da Amazônia e dos povos indígenas, pautas para as quais ele dedicou toda a sua vida. Sua voz, mesmo em momentos de silêncio forçado pela doença, continua a ecoar como um chamado à ação e à responsabilidade coletiva.

O Capital Política continuará acompanhando de perto os desdobramentos sobre a saúde do Cacique Raoni Metuktire, bem como as discussões cruciais sobre meio ambiente e direitos indígenas. Fique por dentro das últimas atualizações e análises aprofundadas sobre os temas que moldam nosso presente e futuro, com informação relevante e contextualizada.

Fonte: https://g1.globo.com

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