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Brasil define 27 minerais críticos para direcionar investimentos e impulsionar nova indústria

O Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CONICET) aprovou recentemente uma lista decisiva, que define 27 minerais estratégicos como prioridade para o futuro industrial do Brasil. Divididos em categorias de alta, média e baixa prioridade, esses recursos naturais se tornam o foco central de políticas públicas e de um robusto direcionamento de […]

© Júlio César Silva/MDIC

O Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CONICET) aprovou recentemente uma lista decisiva, que define 27 minerais estratégicos como prioridade para o futuro industrial do Brasil. Divididos em categorias de alta, média e baixa prioridade, esses recursos naturais se tornam o foco central de políticas públicas e de um robusto direcionamento de recursos de fomento, com o ambicioso objetivo de transformar o país de um tradicional exportador de matéria-prima para um ator global de destaque na cadeia de valor de produtos de alta tecnologia.

A Base da Nova Política: Lei e Critérios

Essa iniciativa representa um desdobramento direto e esperado da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, uma legislação sancionada em 16 de setembro que prevê investimentos de até R$ 7 bilhões. Esses vultosos recursos, destinados a incentivar projetos de processamento e transformação mineral, serão agora criteriosamente aplicados, guiados pelas prioridades estabelecidas pelo CONICET. A medida reflete uma aspiração de longa data do Brasil: agregar valor à sua vasta e diversificada riqueza mineral, fomentando a criação de uma indústria nacional robusta, capaz de converter esses minerais brutos em produtos acabados, como baterias para veículos elétricos e componentes eletrônicos essenciais.

A classificação dos 27 minerais obedeceu a uma metodologia rigorosa, que considerou cinco critérios estratégicos para sua priorização. Foram avaliados o risco geopolítico envolvido com cada mineral, a concentração da oferta global, a possibilidade de sua substituição por outros materiais, a posição atual do Brasil na cadeia global de produção – identificando onde o país necessita de maior desenvolvimento para ascender – e, crucialmente, o grau de dependência nacional em relação a outros países. Essa análise multifacetada visa equilibrar o imenso potencial das reservas brasileiras com as prementes demandas de segurança energética, tecnológica e econômica do país no desafiador cenário internacional.

Uma Virada Estratégica: Do Bruto ao Valor Agregado

Em um contexto global de rápida transição energética e tecnológica, minerais como lítio, grafita, níquel e terras raras emergiram como commodities de valor estratégico incalculável. O Brasil, abençoado com a segunda maior reserva mundial de grafita, a terceira de níquel e a quarta de manganês, encontra-se em uma posição privilegiada para desempenhar um papel crucial nessa nova economia. A política recém-lançada busca capitalizar essa riqueza, rompendo com o ciclo histórico de exportar recursos brutos por baixo valor agregado e, em seguida, importar produtos industrializados de alto custo. Este movimento é vital não apenas para a soberania tecnológica, mas também para impulsionar a competitividade econômica do país em um mercado global cada vez mais acirrado.

A urgência e a importância dessa nova abordagem foram sublinhadas pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. “Por muito tempo exportamos essa riqueza em estado bruto e importamos o produto pronto, com valor agregado lá fora. Queremos romper esse ciclo e definir uma estratégia para o desenvolvimento aqui”, afirmou o ministro. Sua declaração enfatiza o esforço governamental em reverter uma dinâmica econômica que, apesar da abundância de recursos naturais, não tem gerado o pleno potencial de riqueza e empregos qualificados no território nacional.

A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião do conselho reforçou o alto compromisso governamental com este projeto estratégico. Lula destacou a imperativa necessidade de desenvolver uma indústria de minerais no Brasil, defendendo ativamente a busca por parcerias internacionais. “Não queremos fazer com que o Estado seja o senhor supremo da exploração, da transformação, da industrialização. Nós queremos construir parceria, precisamos aprender. Precisamos construir com outros países que queiram participar conosco do processo de transformação e exploração dessa riqueza”, pontuou o presidente, sinalizando um modelo de colaboração que busca atrair expertise, tecnologia e capital estrangeiro sem, contudo, comprometer o controle estratégico brasileiro sobre seus recursos.

As Prioridades: Detalhes da Lista e Seus Impactos

No topo da lista de prioridades, figuram minerais absolutamente essenciais para a revolução tecnológica e energética em curso. Classificados como de alta prioridade, destacam-se Terras raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, manganês, silício e urânio. Estes são componentes cruciais para a fabricação de tecnologias que moldam o futuro, como as baterias de veículos elétricos, os ímãs permanentes utilizados em turbinas eólicas e sistemas avançados de armazenamento de energia. O investimento prioritário nestes minerais visa acelerar o desenvolvimento de uma cadeia produtiva que tem o potencial de gerar milhares de empregos qualificados e posicionar o Brasil na vanguarda da economia verde e digital.

A lista abrangente também contempla minerais de média prioridade, incluindo tungstênio, cromo, vanádio, tântalo, titânio, fosfato, potássio e enxofre, além dos de baixa prioridade, como nióbio, estanho, ferro, zinco, ouro, magnésio, molibdênio, tório, alumínio e o grupo da platina. É fundamental notar que essa relação, elaborada a partir de estudos e dados compilados por órgãos como o Ministério de Minas e Energia (MME), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), não é estática. Sua natureza dinâmica permite ajustes futuros, refletindo as evoluções do mercado global e as necessidades estratégicas do Brasil, garantindo que a política se mantenha relevante e adaptada aos desafios emergentes.

Futuro e Relevância para o Cidadão

O impacto dessa nova política para o cidadão brasileiro é, em sua essência, profundamente significativo. Além de impulsionar a economia através de uma diversificação industrial que gera resiliência, a iniciativa promete a criação de empregos de maior valor agregado, a promoção da transferência de tecnologia e o consequente fortalecimento da balança comercial do país. A transformação de minerais brutos em produtos acabados significa não apenas um aumento substancial da receita nacional, mas também maior independência tecnológica e estratégica em setores que vão desde a eletrônica de consumo até a defesa nacional. Estimativas anteriores indicam que o setor de minerais críticos e estratégicos já emprega cerca de 129 mil pessoas no Brasil, um número que pode crescer exponencialmente com a consolidação desta política de industrialização.

Acompanhar de perto o desdobramento dessa política é fundamental para entender as direções futuras da economia e da indústria brasileira. O Capital Política segue atento a cada passo, oferecendo análises aprofundadas e as informações mais relevantes sobre as decisões que moldam o desenvolvimento do país. Para ficar por dentro de todas as novidades, tendências e os impactos dessas escolhas no cenário nacional e internacional, continue navegando em nosso portal e contribua para um debate informado e qualificado.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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