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A rotina exaustiva que levou Lázaro Ramos à internação e o debate sobre burnout no trabalho artístico

O brilho das telas e dos palcos muitas vezes esconde um custo pessoal elevado, uma realidade vivida por Lázaro Ramos, um dos mais respeitados atores brasileiros. Em 2023, durante as gravações da novela “Elas por Elas”, Ramos foi diagnosticado com burnout e precisou ser internado às pressas, um alerta doloroso sobre os perigos da rotina […]

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O brilho das telas e dos palcos muitas vezes esconde um custo pessoal elevado, uma realidade vivida por Lázaro Ramos, um dos mais respeitados atores brasileiros. Em 2023, durante as gravações da novela “Elas por Elas”, Ramos foi diagnosticado com burnout e precisou ser internado às pressas, um alerta doloroso sobre os perigos da rotina exaustiva no universo do entretenimento. O episódio reacendeu a discussão sobre saúde mental e as pressões implacáveis da indústria, mostrando que, mesmo figuras públicas de sucesso, não estão imunes ao esgotamento.

À época, o ator encarnava o icônico Mário Fofoca, um personagem que exigia grande dedicação e energia. Em meio à maratona de filmagens, Lázaro Ramos revelou ter deixado de lado cuidados essenciais com a alimentação e a própria saúde. “O meu corpo pifou. Desmaiei e fui para o hospital”, relembrou o artista, detalhando o momento crítico em que seu organismo colapsou. A experiência, segundo ele, foi um divisor de águas, uma pausa forçada que o levou a repensar sua relação com o trabalho e a prioridade da sua vida.

O Burnout e o Custo Invisível da Exaustão Profissional

O diagnóstico de burnout, ou Síndrome do Esgotamento Profissional, não é exclusividade do meio artístico, mas a visibilidade de um caso como o de Lázaro Ramos lança luz sobre uma condição que, desde 2022, é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional, incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Caracterizada por um estado de esgotamento físico e mental extremo, despersonalização e diminuição da eficácia profissional, o burnout atinge milhões de trabalhadores em diversas áreas, impulsionado por cargas de trabalho excessivas, prazos apertados e a constante pressão por desempenho.

“Não morri naquela ocasião, mas não quero mais voltar para aquela situação”, afirmou Ramos em entrevista. Ele descreveu a intensidade da rotina: “Estava numa batida de trabalho sem pausa, sem um sono regulado, sem uma alimentação boa. A carcaça estava bem malcuidada. O corpo me parou, logo na minha terra, e me deu o recado”. A franqueza do ator ao relatar sua vulnerabilidade é um passo importante para desmistificar o burnout e encorajar outras pessoas a buscar ajuda e reavaliar suas próprias rotinas de trabalho, especialmente em uma cultura que muitas vezes glorifica a produtividade a qualquer custo.

De Mário Fofoca à Reflexão: Uma Mudança de Rota na Carreira

Após o episódio de desmaio e o diagnóstico, Lázaro Ramos foi afastado das atividades por dez dias, um período que se mostrou essencial não apenas para sua recuperação física, mas para uma profunda reflexão sobre como conduz sua carreira. A pausa permitiu-lhe redefinir prioridades, colocar a saúde em primeiro plano e, consequentemente, abordar seu trabalho de uma forma mais consciente e equilibrada. Sua volta às gravações foi marcada por essa nova perspectiva.

O próprio personagem Mário Fofoca, segundo Ramos, sentiu o impacto dessa mudança. “Se você reparou, teve uma hora em que mudei o tom do Mário Fofoca, que foi para um registro mais lúdico. E hoje em dia levo a carreira de outra forma”, concluiu o ator. Essa alteração sutil na performance de um papel tão marcante ilustra a capacidade de um artista de infundir suas experiências pessoais em sua arte, transformando uma crise em um catalisador para o crescimento profissional e pessoal. A repercussão nas redes sociais e entre o público demonstrou a empatia e a importância de discutir abertamente esses temas.

Entre o Brilho do Oscar e a Vulnerabilidade Humana

A narrativa de Lázaro Ramos ganha ainda mais relevância quando se considera seu atual momento profissional. O ator é uma das estrelas de “Feito Pipa” (2026), um filme aclamado que já recebeu prêmios no Festival Internacional de Cinema de Berlim e no Festival de Cinema de Gramado. A produção foi escolhida pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na corrida por uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Caso o longa cearense seja indicado, Lázaro Ramos pode seguir os passos de grandes nomes como Fernanda Torres e Wagner Moura, marcando uma possível presença brasileira consecutiva na maior premiação do cinema mundial.

Essa ascensão profissional, com a possibilidade de uma indicação ao Oscar, contrasta fortemente com o momento de vulnerabilidade vivido por Ramos em 2023. Essa dualidade ressalta que, por trás das conquistas e do reconhecimento público, existe um ser humano sujeito a pressões e desafios comuns. A celebração de “Feito Pipa” como uma obra essencial para o Brasil – “um jeito de fazer cinema que só a gente aqui no Brasil sabe fazer, pelos temas que trata, pelas atuações, pela direção, pelo roteiro”, nas palavras do próprio ator – deve ser acompanhada da lembrança de que a excelência artística não precisa e não deve vir ao custo da saúde e do bem-estar. A trajetória de Lázaro Ramos se torna, assim, um poderoso lembrete da importância de cultivar a saúde mental, mesmo nos picos da carreira, e de que o sucesso verdadeiro é sustentável apenas quando ancorado no equilíbrio pessoal.

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Fonte: https://www.metropoles.com

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