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A façanha rara: artilheiros que marcaram em todos os jogos de uma Copa do Mundo

© Darren Yamashita

Marcar um gol em uma Copa do Mundo é um feito que poucos atletas alcançam, um momento de êxtase que ecoa por todo um país. Imaginar, então, balançar as redes em todas as partidas disputadas no torneio, da estreia à grande final ou ao jogo de despedida, eleva essa glória a um patamar quase mítico. É uma proeza reservada a um clube de jogadores extremamente seleto na história do futebol mundial, exigindo não apenas talento e faro de gol, mas uma regularidade e resiliência poucas vezes vistas.

A cada quatro anos, o espetáculo da Copa do Mundo reacende a esperança de ver novos nomes se juntarem a essa galeria de imortais. Na edição de 2026, que já movimenta o cenário do futebol, alguns atacantes promissores e consagrados iniciaram sua jornada com um desempenho impressionante, mantendo vivas as chances de integrar esse panteão de artilheiros implacáveis. A tarefa é hercúlea, repleta de desafios, mas o brilho de quem consegue transcender a média e cravar seu nome em todas as súmulas é eternizado.

Os protagonistas da Copa de 2026 em busca da marca histórica

Com a Copa do Mundo de 2026 a todo vapor, alguns nomes despontam como fortes candidatos a essa façanha. O brasileiro Vinícius Júnior, por exemplo, já mostrou a que veio, marcando em todas as três partidas da Seleção Brasileira até agora, totalizando quatro gols. Sua performance tem sido crucial para o time, evidenciando uma fase iluminada e a capacidade de decidir em momentos-chave.

O marroquino Ismael Saibari também não fica para trás. Com três gols em três jogos, incluindo um na estreia contra o goleiro Alisson, ele tem sido uma grata surpresa e a personificação da garra de sua seleção. A regularidade de Saibari, um jogador relativamente menos badalado, sublinha que o feito não se restringe apenas às maiores estrelas do esporte, mas exige uma conjunção de oportunidade e frieza diante do gol.

Estrelas e surpresas na corrida pela artilharia ininterrupta

Entre os gigantes do futebol que também mantêm a sequência impecável, embora com menos jogos até o momento, estão figuras como Lionel Messi e Erling Haaland. O argentino, em sua provável última Copa, já balançou as redes cinco vezes em duas partidas (três contra a Argélia e dois contra a Áustria), demonstrando que a idade não diminui seu faro de gol. Curiosamente, em 2022, Messi marcou em seis dos sete jogos da Argentina, ficando a apenas um gol de entrar para esse clube exclusivo, em uma partida contra a Polônia na fase de grupos – um detalhe que ressalta a complexidade do desafio.

O norueguês Erling Haaland, em sua primeira Copa do Mundo aos 25 anos, tem sido uma máquina de gols. Com dois em cada uma das duas partidas disputadas – contra Iraque e Senegal –, ele impressiona pela consistência e poder de fogo. O mesmo pode ser dito de Kylian Mbappé, o astro francês que, enfrentando os mesmos adversários, também anotou dois gols em cada jogo, somando quatro até agora. A expectativa para o confronto direto entre Haaland e Mbappé, pela terceira rodada do Grupo I, não se limita apenas à liderança da chave, mas também à manutenção de suas respectivas artilharias ininterruptas, um duelo de gigantes que promete emocionar.

Outros nomes que seguem com 100% de aproveitamento em gols são o alemão Deniz Undav, que marcou contra Curaçao e a Costa do Marfim; o holandês Crysencio Summerville, com um gol diante do Japão e outro contra a Suécia; e o japonês Daichi Kamada, que deixou sua marca contra a Holanda e a Tunísia. A diversidade de nacionalidades e perfis de jogadores nessa lista inicial demonstra que a busca por essa marca transcende fronteiras e estilos de jogo.

Os precursores: lendas que desafiaram a regularidade

Até hoje, apenas quatro artilheiros conseguiram a proeza de marcar em todos os jogos de suas respectivas campanhas em Copas do Mundo. Eles formam um grupo de elite, cujos feitos são celebrados como exemplos máximos de constância e oportunismo.

György Sárosi (Hungria, 1938)

O húngaro György Sárosi foi o primeiro a gravar seu nome nessa história. Na Copa da França em 1938, ele marcou em todas as quatro partidas de sua seleção: dois gols nas oitavas de final contra as Índias Orientais Holandesas; um nas quartas contra a Suíça; outro nas semifinais contra a Suécia e, finalmente, um na decisão contra a Itália, onde a Hungria terminou com o vice-campeonato. Sua jornada foi um testemunho de liderança e precisão.

Alcides Ghiggia (Uruguai, 1950)

O uruguaio Alcides Ghiggia eternizou-se na Copa do Brasil de 1950 não apenas por marcar em todos os jogos, mas pelo peso histórico de seus gols. O atacante do Peñarol anotou em cada uma das quatro partidas da “Celeste” naquele Mundial: um contra a Bolívia, um na Espanha, um na Suécia e, de forma inesquecível, o gol decisivo contra a Seleção Brasileira aos 34 minutos do segundo tempo, no Maracanã, que selou o famoso “Maracanaço” e tirou o título do Brasil em casa. Sua regularidade culminou no mais doloroso e emblemático gol da história do futebol brasileiro.

Just Fontaine (França, 1958)

Na Copa da Suécia em 1958, o francês Just Fontaine protagonizou uma das mais espetaculares atuações individuais da história dos Mundiais. Vestindo a camisa 17, ele marcou impressionantes 13 gols em seis jogos, um recorde até hoje inatingível para um único torneio. Sua sequência foi impecável: três gols no Paraguai, dois na Iugoslávia e um na Escócia na fase de grupos; dois na Irlanda do Norte nas quartas de final; um contra o Brasil na semifinal e mais quatro na disputa pelo terceiro lugar contra a Alemanha Ocidental. O mais notável é que nenhum desses gols veio de cobranças de pênalti, solidificando ainda mais sua lenda.

Jairzinho (Brasil, 1970)

O Brasil também tem seu representante nesse seleto grupo com Jairzinho, o “Furacão da Copa” de 1970. No México, ele foi a personificação da genialidade da Seleção Brasileira que conquistaria o tricampeonato mundial. Jairzinho marcou em todas as seis partidas: dois na Tchecoslováquia, um na Inglaterra e um na Romênia na primeira fase; mais um contra o Peru nas quartas de final; outro gol contra o Uruguai nas semifinais; e, para coroar a campanha histórica, deixou sua marca na finalíssima contra a Itália. Sua performance foi um exemplo de constância, poder de fogo e carisma, transformando-o em um ícone nacional.

A dificuldade de manter a pontaria: os quase-lá

A dificuldade de alcançar tal marca é tamanha que mesmo grandes artilheiros e lendas do esporte ficaram por um detalhe. Ronaldo, o Fenômeno, por exemplo, esteve muito perto na Copa de 2002. Artilheiro isolado e campeão com a Seleção Brasileira, ele marcou em todos os jogos, exceto nas quartas de final contra a Inglaterra. Esse pequeno detalhe, um gol que não veio em uma única partida, ressalta a complexidade de 'bater o ponto' em cada confronto da maior competição de futebol do planeta. A pressão, a qualidade dos adversários e o fator sorte são elementos que tornam essa missão uma das mais complexas e desejadas para qualquer atacante.

A busca pela artilharia ininterrupta não é apenas uma estatística, mas a representação de uma campanha quase perfeita, de um jogador que superou as adversidades e a exigência física e mental de um torneio de alto nível. Observar os atletas da Copa de 2026 tentarem esse feito nos convida a apreciar a maestria e a paixão que impulsionam o futebol. Qual deles terá a honra de se juntar a Sárosi, Ghiggia, Fontaine e Jairzinho? A resposta se desenrola a cada apito inicial.

Acompanhe de perto cada gol, cada lance e a evolução da Copa do Mundo de 2026. O Capital Política se compromete a trazer a você a informação mais relevante, atual e contextualizada do universo esportivo e muito mais. Não perca nenhum detalhe e fique por dentro das análises aprofundadas e das notícias que realmente importam, reforçando nosso compromisso com a qualidade e a variedade de temas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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