CNH categoria B: projeto para aumentar limite de peso de elétricos e híbridos tramita no Congresso, mas a regra ainda não está em vigor

Uma mudança significativa no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) está em pauta, prometendo impactar diretamente os motoristas e o mercado de veículos elétricos e híbridos no país. Um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional busca ampliar o limite de Peso Bruto Total (PBT) permitido para a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) da categoria B, visando acomodar a crescente frota de veículos eletrificados. No entanto, é fundamental esclarecer que essa alteração ainda é uma proposta e a regra atual permanece inalterada, mantendo os limites tradicionais para a categoria.

Atualmente, a CNH de categoria B habilita o condutor a dirigir veículos de passeio, picapes e utilitários que não excedam o PBT de 3.500 kg e não comportem mais de oito passageiros, excluindo o motorista. Essa é a categoria mais comum entre os motoristas brasileiros, abrangendo a grande maioria dos automóveis particulares e veículos leves de transporte de carga ou de passageiros, como táxis e veículos de aplicativos.

A Proposta em Detalhes: O PL e Suas Implicações

A iniciativa legislativa, que atualmente se consolidou no Projeto de Lei 2470/2023 (apensando o PL 4580/2019), propõe que o limite de PBT para veículos elétricos e híbridos possa ser estendido para até 4.250 kg, sem a necessidade de o motorista obter uma categoria de habilitação superior, como a C ou D. A justificativa central para essa alteração reside no peso intrínseco das baterias, que são componentes volumosos e pesados, essenciais para o funcionamento desses veículos.

Essa característica técnica faz com que muitos modelos de carros elétricos e híbridos, mesmo os de porte médio ou grande, frequentemente se aproximem ou até ultrapassem a barreira dos 3.500 kg. Sem a mudança na legislação, um motorista que adquirir um veículo eletrificado mais robusto poderia ser forçado a buscar a CNH C, que habilita a condução de veículos de carga com PBT acima de 3.500 kg, algo desproporcional para o uso particular ou de transporte leve de passageiros.

Cenário Atual e Desafios da Eletrificação no Brasil

O mercado de veículos elétricos e híbridos tem experimentado um crescimento exponencial em todo o mundo, impulsionado pela busca por sustentabilidade e pela redução da emissão de poluentes. No Brasil, essa transição também está em curso, embora ainda enfrente desafios como o custo elevado dos veículos, a infraestrutura de recarga e, como agora se destaca, a própria legislação de trânsito. A adequação do limite da CNH B seria um passo importante para remover uma barreira potencial à adoção desses automóveis.

A proposta brasileira segue uma tendência internacional. A União Europeia, por exemplo, já implementou diretrizes que permitem aos estados membros elevarem o limite de PBT da categoria B para até 4.250 kg para veículos de propulsão alternativa, incluindo elétricos e híbridos, visando facilitar a transição energética e o transporte de mercadorias leves com esses veículos. Essa medida europeia já auxilia tanto frotas comerciais quanto usuários particulares que optam por veículos mais pesados devido às baterias.

O Caminho Legislativo e a Repercussão da Proposta

Para que a mudança entre em vigor, o Projeto de Lei 2470/2023 precisa seguir um rigoroso trâmite legislativo. Ele deve ser aprovado nas comissões temáticas da Câmara dos Deputados, passar pelo plenário da Câmara, seguir para o Senado Federal, onde também será analisado e votado, e, por fim, ser sancionado pela Presidência da República. Somente após a publicação no Diário Oficial da União, com eventuais regulamentações adicionais, a nova regra passará a valer. Esse processo pode ser demorado e está sujeito a alterações ou arquivamento, o que explica por que a regra ainda não está em vigor.

A relevância dessa proposta é multifacetada. Para os consumidores, significa mais flexibilidade e menos burocracia ao considerar a compra de um veículo elétrico ou híbrido, especialmente aqueles de maior porte. Para o mercado, pode ser um incentivo adicional à venda e produção de veículos eletrificados, contribuindo para a expansão da frota verde no país. E para o meio ambiente, cada veículo movido a energia limpa que entra em circulação representa uma contribuição para a redução da pegada de carbono urbana e rodoviária.

Além disso, a medida pode impactar positivamente o segmento de veículos comerciais leves, como vans e furgões elétricos, que também enfrentam o desafio do peso das baterias. Permitir que motoristas com CNH B operem esses veículos mais pesados pode otimizar a logística de entregas urbanas e serviços, alinhando-se às tendências de eletrificação de frotas para operações mais sustentáveis.

Embora a perspectiva seja promissora para o futuro da mobilidade elétrica no Brasil, a palavra de ordem é paciência e acompanhamento. O Capital Política continuará a monitorar de perto a tramitação deste e de outros projetos de lei que impactam diretamente a vida do cidadão e a economia do país. Mantenha-se informado conosco para compreender as nuances das decisões políticas e legislativas que moldam o cenário nacional.

Fonte: https://oantagonista.com.br