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Mato Grosso: Cinco municípios estratégicos aderem ao Protocolo Brasil Sem Fome na luta contra a insegurança alimentar

G1

Em um passo significativo para enfrentar o grave problema da insegurança alimentar, cinco importantes municípios de Mato Grosso formalizaram sua adesão ao Protocolo Brasil Sem Fome. Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop e Barra do Garças passarão a receber apoio técnico e institucional do Governo Federal, uma medida crucial para fortalecer as ações locais de combate à fome e à vulnerabilidade social. A iniciativa, coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), busca articular políticas públicas e estratégias que visam garantir a segurança alimentar de milhares de famílias mato-grossenses.

A Urgência da Fome em um Estado Rico em Alimentos

A adesão destes municípios sublinha a dimensão do desafio da fome e da insegurança alimentar em Mato Grosso, um dos maiores produtores agrícolas do país. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2023 revelam uma realidade alarmante: mais de 1 milhão de pessoas no estado – o equivalente a um terço de sua população – não tiveram acesso a comida suficiente ou adequada. Este cenário contrasta com a pujança do agronegócio regional, expondo as profundas desigualdades e a necessidade premente de políticas públicas eficazes para que a riqueza produzida chegue a todos.

O Impacto da 'Fila dos Ossinhos'

A gravidade da situação foi simbolizada de forma marcante pela formação da 'fila dos ossinhos' em Cuiabá, especialmente durante o período mais crítico da pandemia de COVID-19. Imagens de dezenas de famílias na capital, buscando ossos doados por um açougue no bairro CPA, chocaram o país e evidenciaram a luta diária de muitos moradores contra a escassez de alimentos. Este episódio não foi um caso isolado, mas um reflexo visível das dificuldades financeiras e da insegurança alimentar que persistem, afetando a dignidade e a saúde de inúmeros mato-grossenses. Mais recentemente, dados do CadInsan (Indicador de Risco de Insegurança Alimentar Grave Municipal) apontam que, entre as 302.103 famílias cadastradas no Cadastro Único (CadÚnico) em Mato Grosso, 35.394 — cerca de 9,6% — encontravam-se em risco de insegurança alimentar grave, uma cifra que ressalta a vulnerabilidade de uma parcela significativa da população.

O Protocolo Brasil Sem Fome: Estratégia Nacional e Ação Local

O Protocolo Brasil Sem Fome é uma vertente do Plano Brasil Sem Fome (BSF), uma estratégia abrangente do Governo Federal lançada em agosto de 2023 com o ambicioso objetivo de retirar o país do Mapa da Fome da ONU até 2030. Após um período de avanço, o Brasil lamentavelmente regressou a esse mapa, impulsionando a necessidade de uma rearticulação vigorosa das políticas de combate à pobreza e à insegurança alimentar. O plano não se limita à distribuição de alimentos, mas busca uma atuação multissetorial, envolvendo diversos ministérios e focando na promoção da cidadania, na redução da pobreza e, crucialmente, na diminuição dos índices de insegurança alimentar em suas formas mais severas.

Para alcançar esses objetivos, o programa prevê ações como o aumento da renda das famílias, a identificação e inclusão de pessoas em situação de insegurança alimentar em políticas públicas, e a mobilização de governos e da sociedade civil. A adesão dos municípios mato-grossenses ao protocolo não foi automática; a seleção pelo MDS baseou-se no número de famílias em risco de insegurança alimentar grave, mas exigiu a manifestação de interesse e a formalização da adesão, além do cumprimento de critérios específicos estabelecidos pelo ministério. Isso assegura que o apoio federal seja direcionado a localidades com comprometimento e capacidade de implementar as diretrizes.

Implicações e o Caminho Adiante para Mato Grosso

A formalização da adesão significa que Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop e Barra do Garças terão acesso a suporte técnico e institucional direto para implementar a metodologia proposta pelo programa. Este apoio é fundamental para capacitar as equipes locais, otimizar a gestão de recursos e desenvolver estratégias mais eficazes. A presença dessas cinco cidades — que representam importantes polos populacionais e econômicos do estado — é estratégica, permitindo que as ações sejam capilarizadas em regiões com alta demanda e potencial de impacto significativo, podendo servir como modelo para outras localidades.

Embora municípios como Acorizal apresentem um percentual ainda maior de famílias em risco (14,8%), a seleção dos cinco primeiros aponta para uma abordagem que combina necessidade com capacidade de execução. A portaria do MDS também esclarece que outras cidades brasileiras podem adotar as diretrizes do protocolo de forma autônoma, mesmo sem o apoio técnico direto nesta etapa. Isso incentiva uma disseminação mais ampla das boas práticas e demonstra o compromisso de diversos níveis de governo e da sociedade civil em construir um futuro onde a alimentação adequada seja um direito garantido a todos.

A luta contra a fome é complexa e exige uma visão integrada, que combine políticas sociais, econômicas e educacionais. A adesão ao Protocolo Brasil Sem Fome é um passo concreto para Mato Grosso e, ao acompanhar os desdobramentos dessa iniciativa, o Capital Política reitera seu compromisso em oferecer informação relevante e aprofundada. Continue conectado ao nosso portal para entender como estas ações impactam a vida dos cidadãos e o futuro do nosso estado, com a credibilidade e a análise que você já conhece.

Fonte: https://g1.globo.com

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