Com a Copa do Mundo do Canadá, México e Estados Unidos no horizonte, a seleção brasileira já começa a traçar seus possíveis caminhos até a tão almejada final. E um desses caminhos, recheado de desafios, passa diretamente pelo Grupo F, uma chave que se desenha como uma das mais fortes e imprevisíveis da competição. Liderado pela tradicional Holanda, este grupo promete jogos intensos e pode se tornar o primeiro grande teste da Amarelinha na fase de mata-mata, antes mesmo das oitavas de final.
A edição de 2026 marcará uma mudança significativa no formato do Mundial, com a expansão para 48 seleções. Essa alteração introduz uma nova etapa eliminatória: uma 'segunda fase' (ou 16 avos de final), que antecede as tradicionais oitavas. Pelo chaveamento pré-determinado, caso o Brasil confirme sua esperada classificação em primeiro ou segundo lugar no Grupo C, enfrentará um adversário proveniente do Grupo F. Essa possibilidade acende um alerta, dada a qualidade das equipes que compõem a chave da Laranja Mecânica.
Grupo F: um caldeirão de estilos e ambições
O Grupo F reúne não apenas a força europeia da Holanda e Suécia, mas também a crescente potência asiática do Japão e a solidez africana da Tunísia. Essa combinação cria um cenário de confrontos táticos variados e de alta intensidade, onde cada ponto será disputado com fervor. Para o Brasil, a perspectiva de um encontro precoce com qualquer uma dessas seleções representa um embate de estilos e uma prova de fogo para as pretensões de hexacampeonato.
Holanda: a busca incessante pelo título inédito
A seleção holandesa, cabeça de chave do Grupo F, carrega a fama de “eterna vice-campeã”, tendo chegado a três finais de Copa do Mundo (1974, 1978 e 2010) sem nunca levantar a taça. Mesmo sem um título mundial, a Laranja Mecânica é um adversário temido, conhecido por seu futebol ofensivo e pela capacidade de reinventar-se. A equipe atual, sob o comando do técnico Ronald Koeman – um ícone do futebol holandês – mescla experiência e juventude, com nomes de peso que atuam nas principais ligas europeias.
Entre os destaques da Holanda estão o zagueiro Virgil Van Dijk e o atacante Cody Gakpo, ambos pilares do Liverpool; o talentoso meio-campista Frenkie de Jong, do Barcelona, maestro do setor; e o versátil lateral Nathan Aké, do Manchester City. O ataque ainda conta com Memphis Depay, do Corinthians, que ostenta a marca de maior artilheiro da história da seleção holandesa. A experiência da semifinal da Eurocopa em 2024, após a eliminação nas quartas de final na última Copa para a campeã Argentina, reforça a ambição da equipe em ir além, utilizando a expertise de sua 12ª participação em Mundiais para finalmente fazer história.
Japão: os Samurais Azuis e sua ascensão global
O Japão chega ao Mundial com uma crescente reputação no cenário internacional. Em sua oitava Copa consecutiva, os Samurais Azuis buscam superar a barreira das oitavas de final, fase que já alcançaram três vezes. A seleção japonesa, comandada por Hajime Moriyasu – que também esteve à frente do time na Copa do Catar em 2022 –, surpreendeu o mundo ao derrotar gigantes como Alemanha e Espanha, demonstrando organização tática, velocidade e técnica apurada. Essas vitórias não foram por acaso, mas sim o reflexo de um trabalho contínuo no desenvolvimento do futebol no país.
A força japonesa foi comprovada em amistosos preparatórios, que incluíram vitórias históricas sobre o Brasil e a Inglaterra, consolidando a equipe como uma das surpresas potenciais do torneio. O meio-campista Wataru Endo (Liverpool), capitão e motor do time, e o habilidoso meia-atacante Takefusa Kubo (Real Sociedad) são peças fundamentais. A única baixa significativa é a ausência de Kaoru Mitoma (Brighton), um dos principais nomes do futebol japonês, que sofreu uma lesão grave e desfalcará a equipe, um golpe na ambição de voos mais altos dos Samurais Azuis.
Suécia: a tradição nórdica de volta ao palco mundial
Após ficar de fora da última edição no Catar, a Suécia retorna à Copa do Mundo em sua 13ª participação, trazendo consigo a tradição de uma seleção fisicamente forte e taticamente disciplinada. A vaga no Mundial foi conquistada de forma dramática na repescagem europeia, eliminando Ucrânia e Polônia, o que atesta a resiliência do elenco. O comando técnico está a cargo do britânico Graham Potter, conhecido por sua abordagem tática flexível e por valorizar o jogo ofensivo.
O setor ofensivo é, de fato, a grande aposta dos suecos, com nomes de peso que brilham em grandes clubes europeus. Viktor Gyökeres (Arsenal), Alexander Isak (Liverpool) e Anthony Elanga (Newcastle) são atacantes com faro de gol e capacidade de desequilibrar. A história sueca em Copas inclui um vice-campeonato em 1958 e um terceiro lugar em 1994, mostrando que, quando embalada, a equipe nórdica pode ir longe e ser uma pedra no sapato de qualquer adversário.
Tunísia: as Águias de Cartago buscam voos inéditos no mata-mata
A seleção da Tunísia, apelidada de Águias de Cartago, garantiu sua sétima participação em Copas do Mundo após uma campanha sólida nas Eliminatórias. Representante forte do continente africano, a equipe tunisiana é conhecida por sua organização defensiva e pela garra em campo. O grande desafio histórico da Tunísia é, pela primeira vez, avançar à fase de mata-mata, algo que nunca conseguiu em suas participações anteriores.
A equipe passou por uma mudança de comando técnico no início do ano, com a chegada do francês Sabri Lamouchi em março, após a eliminação nas oitavas de final da Copa Africana de Nações. Essa troca busca injetar novo ânimo e táticas que possam levar o time a superar seus próprios limites. O melhor desempenho da Tunísia em Mundiais foi o nono lugar na edição de 1978, na Argentina, e a meta agora é reescrever essa história e surpreender em um grupo tão competitivo.
As implicações para o Brasil: um teste precoce?
A possibilidade de um confronto com um time do Grupo F logo na segunda fase do mata-mata representa um desafio e tanto para a seleção brasileira. Em edições anteriores, os primeiros adversários eliminatórios geralmente eram equipes de menor expressão. No novo formato, porém, o nível de exigência pode ser elevado desde o início, forçando o Brasil a apresentar seu melhor futebol já na primeira etapa eliminatória. Essa situação pode ser vista como um catalisador para a equipe, obrigando-a a entrar ligada e focada desde os primeiros jogos.
Um embate com a Holanda, com seu histórico de duelos memoráveis contra o Brasil, ou com o ascendente Japão, a robusta Suécia ou a aguerrida Tunísia, certamente colocará à prova a capacidade tática e a resiliência mental da Amarelinha. A importância de garantir a primeira colocação no Grupo C se torna ainda maior, buscando teoricamente um adversário de menor peso na sequência, mas o sorteio da Copa de 2026 já indica que não haverá caminhos fáceis para quem sonha com o título.
O sorteio da Copa do Mundo já lançou o primeiro grande desafio para a seleção brasileira. O Grupo F, com sua combinação de tradição e surpresas, promete um mata-mata eletrizante e imprevisível. Fique atento ao Capital Política para acompanhar de perto todas as análises, notícias e desdobramentos sobre a caminhada do Brasil e de todas as seleções no Mundial de 2026, com informação relevante e contextualizada, porque o futebol é muito mais do que apenas o resultado final.