Após quase seis anos aguardando uma decisão do Supremo Tribunal Federal, o setor produtivo de Mato Grosso respirou aliviado nesta quinta-feira. Por nove votos a dois, o STF declarou constitucional a lei que viabiliza a construção da Ferrogrão, ferrovia que vai ligar Sinop, no norte mato-grossense, ao Porto de Miritituba, no Pará, abrindo um novo e estratégico corredor de escoamento para a produção agrícola do Centro-Oeste.
A decisão animou lideranças do agronegócio e da política em Mato Grosso, maior produtor de soja do mundo. Um dos primeiros a se pronunciar foi o empresário Odílio Balbinoti, nome de peso no agro mato-grossense e recentemente confirmado como primeiro suplente na chapa do pré-candidato ao Senado Federal José Medeiros (PL-MT).
Para Balbinoti, a aprovação é motivo de celebração, mas também de reflexão sobre o tempo perdido. “A Ferrogrão é um exemplo de má política. Existia uma lei autorizando a construção dessa estrada, com compensação ambiental, tudo organizado, tudo perfeito. De repente o PSOL entra com um pedido para que o Supremo analisasse e aí cai lá no Supremo. O Supremo leva cinco anos para analisar um projeto tão fantástico”, lamentou o empresário.
O impacto econômico da ferrovia é o principal argumento de quem defende o projeto há anos. Com 933 quilômetros de extensão, a EF-170 vai reduzir a dependência do transporte rodoviário, diminuir o custo do frete e aumentar a competitividade do grão mato-grossense no mercado internacional. Balbinoti resume bem esse sentimento. “Daria tantos benefícios para a sociedade, para a população, com menos acidentes na estrada, menos emissão de carbono. Uma coisa que diminuiria o frete e ajudaria a economia, tanto na ida de produtos como no retorno, barateando o custo dos produtos dentro do Mato Grosso.”
Na avaliação do empresário, a obra só traz ganhos. “Uma baita de uma obra que só beneficia e ficou lá cinco anos parada. Mas felizmente o Supremo autorizou por nove votos. Infelizmente, a má política atrapalhou por cinco anos, mas está aí, a nossa obra foi liberada”, afirmou.
O entusiasmo de Balbinoti ecoa o de parlamentares mato-grossenses que acompanharam de perto o julgamento. O deputado federal José Medeiros, com quem Balbinoti divide a chapa ao Senado, também comemorou a decisão e cobrou agilidade do Judiciário. “Precisava demorar quase seis anos, cinco anos praticamente só na gaveta?”, questionou o parlamentar, que lidera a produção legislativa da bancada mato-grossense na Câmara em 2026, com 211 propostas apresentadas neste ano.
Com o aval do STF, a Ferrogrão segue agora para a etapa de licenciamento ambiental junto aos órgãos competentes, condição exigida pelo próprio Supremo para que as obras avancem. Para o setor produtivo de Mato Grosso, a espera já durou tempo demais.