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Cacique Raoni recebe alta médica após 5 dias na UTI em MT

G1

O cacique Raoni Metuktire, uma das mais emblemáticas vozes da defesa indígena e ambiental no Brasil e no mundo, recebeu alta médica nesta quinta-feira (20), após um período de cinco dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, a 503 km de Cuiabá, Mato Grosso. Aos 94 anos, o líder Kayapó apresentou um quadro estável, o que permitiu seu retorno à sua região de residência para dar prosseguimento a um acompanhamento clínico domiciliar.

A saída do hospital foi cuidadosamente planejada. O cacique foi transferido por transporte aéreo assistido, acompanhado por um familiar e uma equipe médica especializada do hospital, que garantiu o suporte necessário durante todo o trajeto até o local de embarque. As orientações médicas incluem monitoramento diário do quadro respiratório, manutenção rigorosa das medicações prescritas, fisioterapia respiratória contínua, acompanhamento nutricional adequado e cuidados permanentes, cruciais devido às múltiplas comorbidades pré-existentes e à idade avançada do paciente.

A saúde do líder e os desafios de uma vida dedicada à luta

A internação de Raoni, iniciada na última quinta-feira (14), foi motivada por um quadro de pneumonia, que exigiu a transferência para a UTI como medida preventiva, devido à sua fragilidade clínica e necessidade de monitoramento contínuo. Sua equipe médica informou que ele possui Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), cardiopatia com uso de marcapasso e insuficiência cardíaca, condições que demandam atenção constante e justificam a preocupação com seu estado de saúde.

Este recente episódio de saúde não é isolado na vida do cacique. Em maio deste ano, ele já havia sido hospitalizado para tratar uma hérnia crônica, recebendo alta dois dias depois. Em 2020, o líder indígena enfrentou complicações gastrointestinais e desidratação, resultando em internação e transferência aérea para Sinop. Meses depois, no mesmo ano, foi diagnosticado com pneumonia e, após nove dias de internação, recebeu alta. Naquele período, Raoni também manifestou um quadro depressivo após a perda de sua esposa, Bekwyjkà Metuktire, evidenciando a dimensão humana e as vulnerabilidades por trás da figura pública.

A saúde do cacique Raoni mobiliza não apenas sua família e comunidade Kayapó, mas também um vasto número de ambientalistas, ativistas e líderes políticos em todo o mundo. A notícia de sua internação e agora de sua alta repercute como um lembrete da importância de sua voz e presença na linha de frente da defesa da Amazônia e dos direitos dos povos originários, especialmente em um cenário de crescentes pressões sobre esses territórios.

Uma trajetória inconfundível: da aldeia ao palco global

Nascido por volta de 1930, Raoni Metuktire é uma figura central na história recente do Brasil. Desde 1954, quando iniciou seu ativismo e aprendeu português, ele tem sido um incansável defensor dos direitos indígenas e do meio ambiente. Sua atuação foi crucial para o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas na Constituição Federal de 1988, um marco legislativo fundamental para a proteção dessas comunidades e seus territórios.

O impacto global de um líder visionário

A notoriedade de Raoni transcendeu as fronteiras nacionais. Em 1977, sua vida e luta foram tema de um documentário exibido no Festival de Cannes, na França, catapultando-o para o cenário internacional. Uma turnê global em 1989, ao lado do ex-baixista Sting, da banda The Police, levou sua mensagem a 17 países, sensibilizando governos e a opinião pública sobre a devastação da Amazônia. Ele foi recebido por chefes de estado, como o então presidente da França, François Hollande, em 2012, no Palácio do Eliseu, onde reforçou seus apelos pela preservação da floresta e de seus habitantes.

O reconhecimento por sua dedicação é amplo e variado. Em 2020, a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) concedeu-lhe o título de Doutor Honoris Causa, honrando seu trabalho incansável. Em 2023, sua presença na rampa do Palácio do Planalto, acompanhando o presidente Luis Inácio Lula da Silva, simbolizou a renovação da esperança para a causa indígena. Mais recentemente, em 2024, Raoni levou sua mensagem diretamente ao Papa Francisco, no Vaticano, entregando uma carta sobre as mudanças e catástrofes climáticas, reforçando a urgência da pauta ambiental em nível global.

Legado e os desafios contínuos da causa indígena

A saúde do cacique Raoni, portanto, é um termômetro da vitalidade da luta indígena no Brasil. Sua resiliência diante dos problemas de saúde é um reflexo da própria resistência de seu povo e da floresta que ele incansavelmente defende. A necessidade de cuidados médicos especializados, em uma região como o norte de Mato Grosso, evidencia os desafios enfrentados pelas comunidades indígenas no acesso a serviços de saúde adequados e na proteção de seus territórios contra o avanço do desmatamento e da exploração.

Com seu retorno para a aldeia, a esperança é que Raoni possa se recuperar plenamente, continuando a ser uma voz ativa, ainda que com as devidas precauções. Sua vida é um testemunho da persistência e da força dos povos originários, e seu legado serve de inspiração para as novas gerações de líderes indígenas que seguirão na batalha pela preservação cultural, territorial e ambiental. A atenção global que ele atrai para a Amazônia e seus povos continua sendo um pilar fundamental para a conscientização sobre a importância desses temas para o futuro do planeta.

Para acompanhar mais a fundo os desdobramentos sobre a saúde de Cacique Raoni, as políticas ambientais no Brasil e o panorama dos povos indígenas, continue navegando pelo Capital Política. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada, oferecendo uma cobertura abrangente sobre os temas que impactam a sociedade brasileira e global.

Fonte: https://g1.globo.com

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