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Bombeiros de Mato Grosso: Campanha para repatriar réplica do caminhão que marcou o início da corporação

G1

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBM-MT) está à frente de uma campanha mobilizadora para trazer de volta ao estado uma peça fundamental de sua história: a réplica do primeiro caminhão de combate a incêndios utilizado pela corporação. A iniciativa busca arrecadar R$ 400 mil, valor destinado a cobrir os custos logísticos e de importação do veículo, um Ford BigJob 1954, adquirido em um leilão nos Estados Unidos.

Mais do que um simples automóvel, a máquina representa o marco zero das atividades de salvamento e combate a incêndio em Mato Grosso, iniciadas oficialmente em 1965. O esforço é visto como um resgate da memória e da identidade de uma instituição que, ao longo de quase seis décadas, se tornou vital para a segurança e bem-estar dos mato-grossenses.

A Persistente Busca e a Aquisição Comunitária

A jornada para encontrar um modelo idêntico ao pioneiro durou cerca de dez anos, um período de intensa pesquisa e dedicação. A Fundação de Apoio ao Corpo de Bombeiros (Funabom) e militares da ativa e da reserva desempenharam um papel crucial nessa caçada histórica. O modelo desejado, um Ford BigJob 1954, foi finalmente localizado em um leilão da prefeitura de Shawnee, no Kansas (EUA), em 2022.

A agilidade foi essencial: em apenas 48 horas, com o apoio de mais de 50 pessoas e empresas, os recursos necessários para a compra – também cerca de R$ 400 mil – foram levantados entre os próprios militares e parceiros. O coronel Paulo Correia, um dos entusiastas e representante da campanha, coordenou a aquisição, arrematando o veículo em seu CPF. Este é um testemunho da paixão e do compromisso da comunidade bombeira com sua própria herança.

Os Desafios da Repatriação e o Financiamento Atual

Apesar do sucesso na compra, o caminhão ainda permanece em solo americano, no porto de Jacksonville. A atual campanha de arrecadação visa cobrir uma nova fase de custos, igualmente expressivos: impostos de importação, frete internacional e nacional (até Cuiabá) e a construção de um espaço temporário para abrigar a réplica, enquanto um Centro de Memória definitivo é planejado. Estima-se que esta etapa demande outros R$ 400 mil.

A Funabom e os organizadores optaram por uma campanha de arrecadação direta com a sociedade, sem solicitar apoio formal de órgãos públicos neste momento. A razão, segundo o grupo, reside em limitações burocráticas: não é possível repassar despesas vinculadas a um Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) para o estado. Além disso, a Funabom, por ter menos de três anos de existência, não se enquadra nos requisitos para captar recursos via banco de projetos do Ministério Público, o que demonstra a complexidade de iniciativas de preservação histórica no âmbito institucional.

O Legado: As Raízes do CBM-MT e a Evolução do Combate a Incêndio

Para compreender a importância dessa réplica, é preciso voltar no tempo. O caminhão original chegou a Cuiabá em 1964, após um pedido do então prefeito Vicente Vuolo ao governador de São Paulo, Ademar de Barros. Doado pelo Corpo de Bombeiros paulista, este veículo simbolizou o embrião de um serviço essencial, até então inexistente no estado. O primeiro atendimento organizado foi implantado em 19 de agosto de 1965, sob a liderança do tenente Hamilton Corrêa, que comandava 41 militares, marcando a fundação oficial do CBM-MT.

O Ford Big Job F-800 da época era um gigante em seu tempo. Tinha capacidade para transportar 4 mil litros de água e uma bomba acoplada ao motor capaz de pressurizar o líquido a pelo menos dez metros de distância. As condições de trabalho, no entanto, eram rústicas: apenas dois ou três bombeiros seguiam na cabine, enquanto o restante ia na carroceria, muitas vezes expostos ao sol e à chuva. Essa descrição, feita pelo coronel Paulo Correia, contextualiza a bravura e as dificuldades dos pioneiros.

Contrastar esse cenário com a realidade atual evidencia o avanço tecnológico. Hoje, os modelos de caminhões de bombeiros mantêm a estrutura básica, mas incorporam tecnologia de ponta, com plataformas que podem alcançar até 109 metros de altura e sistemas avançados de segurança e conforto para a equipe. “A principal diferença é o conforto. Hoje os bombeiros vão protegidos dentro da cabine”, ressalta o coronel, sublinhando a evolução que a réplica ajudará a ilustrar para as novas gerações.

Mais Que Um Caminhão: A Preservação da Memória e Identidade

A iniciativa de trazer a réplica não é apenas sobre um veículo antigo; é sobre preservar a história, materializar as raízes da corporação e fortalecer a identidade de uma instituição fundamental. A frase do coronel Paulo Correia, “Um povo sem história é um povo sem memória”, ecoa o propósito maior da campanha: permitir que as futuras gerações de bombeiros e a sociedade mato-grossense compreendam e valorizem o legado daqueles que pavimentaram o caminho.

A réplica, uma vez em Cuiabá, será um patrimônio histórico e cultural. Ela servirá como peça central em um futuro Centro de Memória, um espaço dedicado a contar a história do CBM-MT, suas conquistas, desafios e a evolução de seu serviço à comunidade. Será um local de aprendizado, inspiração e reconhecimento para todos, conectando o passado com o presente e o futuro da segurança pública em Mato Grosso.

A campanha é, portanto, um convite à participação cívica. Ao contribuir, a sociedade cuiabana e mato-grossense não apenas ajuda a repatriar um objeto, mas a reavivar um capítulo vital de sua própria história, reafirmando o valor da memória coletiva e o apreço por uma instituição que se doa diariamente em nome da vida e do patrimônio.

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Fonte: https://g1.globo.com

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