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Referência global na defesa indígena, Cacique Raoni recebe alta hospitalar em Mato Grosso

G1

O Cacique Raoni Metuktire, líder mundialmente reconhecido pela defesa dos povos indígenas e da floresta amazônica, recebeu alta hospitalar na manhã deste sábado (9), após dias de internação para tratar uma hérnia crônica. A notícia, que trouxe alívio aos seus familiares, ativistas e admiradores em todo o mundo, confirma a boa evolução clínica do ancião de 94 anos, que se recupera agora em sua aldeia.

Internado desde a última terça-feira (5) no Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, a cerca de 503 km de Cuiabá, Raoni havia sido encaminhado do município de Peixoto de Azevedo com um quadro de fortes dores abdominais, o que o levou a cancelar compromissos oficiais. A preocupação com a saúde do cacique mobilizou equipes médicas e a atenção de diversas entidades.

Durante a internação, a equipe médica realizou uma série de avaliações e exames. A principal preocupação inicial, relacionada a possíveis problemas cardíacos, foi descartada. Posteriormente, o diagnóstico apontou para uma hérnia diafragmática traumática crônica, uma condição pré-existente na saúde do líder kaiapó.

Considerando a idade avançada do Cacique Raoni e as comorbidades apresentadas, como a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e o uso de marcapasso cardíaco, a decisão pelo tratamento conservador, sem intervenção cirúrgica imediata, foi tomada. Segundo o hospital, a estratégia terapêutica foi definida em conjunto pelo corpo clínico da unidade, pelo Dr. Douglas Antônio Rodrigues, médico da Universidade Federal de São Paulo que acompanha o cacique há mais de 30 anos, e pelos familiares.

A resiliência de um símbolo: histórico de saúde

Esta não é a primeira vez que a saúde do Cacique Raoni exige cuidados médicos intensivos, evidenciando sua resiliência frente aos desafios da idade. Em julho de 2020, o líder indígena foi internado em um hospital de Colíder, também no Mato Grosso, após apresentar mal-estar. Na ocasião, ele precisou ser transferido de avião para Sinop devido a complicações gastrointestinais e um quadro de desidratação severa.

No mesmo ano, em setembro, Raoni foi novamente internado, desta vez com diagnóstico de pneumonia, conforme a equipe médica de sua aldeia, localizada no Parque Indígena do Xingu, no norte de Mato Grosso. Após nove dias, recebeu alta. Esse período também foi marcado por um quadro depressivo, consequência do luto pela perda de sua esposa e companheira de vida, Bekwyjkà Metuktire. Esses episódios ressaltam não apenas as fragilidades naturais da idade, mas também a força de recuperação de um homem que dedicou a vida a uma causa.

Cacique Raoni: Uma voz mundial pela Amazônia e povos indígenas

O Cacique Raoni Metuktire transcende a figura de um líder comunitário; ele é uma das vozes mais influentes e reconhecidas do Brasil na defesa intransigente dos direitos indígenas e da preservação ambiental. Sua trajetória de ativismo, iniciada ainda em 1954, quando aprendeu português e começou a dialogar com o mundo não-indígena, foi crucial para a inclusão e o reconhecimento dos direitos dos povos originários na Constituição Federal de 1988, um marco legal de proteção para comunidades tradicionais.

Reconhecimento e impacto internacional

A projeção de Raoni no cenário internacional começou a se consolidar em 1977, quando um documentário sobre sua vida e a luta de seu povo foi exibido no prestigiado Festival de Cannes, na França. Esse holofote global se intensificou em 1989, ano em que ele empreendeu uma histórica turnê por 17 países ao lado do ex-baixista da banda The Police, Sting. Essa viagem foi um divisor de águas, elevando a causa indígena e a Amazônia a um patamar de debate internacional sem precedentes.

Sua influência continuou a ecoar nos corredores do poder global. Em 2012, Raoni foi recebido no Palácio do Eliseu, na França, pelo então presidente François Hollande, momento em que reiterou seus apelos pela preservação da Amazônia e pela proteção dos povos que ali habitam. Mais recentemente, em 2023, sua presença foi um dos pontos altos da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao acompanhá-lo na rampa do Palácio do Planalto, simbolizando a força e a representatividade dos povos indígenas na agenda nacional.

Ainda em 2024, Raoni manteve sua agenda de diplomacia global ao encontrar o Papa Francisco no Vaticano, em Roma, entregando uma carta que abordava as urgentes questões das mudanças e catástrofes climáticas, um testemunho de sua persistente e incansável luta. Seu trabalho lhe rendeu também o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) em 2020, em reconhecimento à sua destacada atuação e ao seu legado inestimável para a sociedade.

O legado e a continuidade da luta

A cada boletim sobre a saúde do Cacique Raoni, milhões de pessoas em todo o mundo se voltam para a Amazônia. Sua recuperação e alta hospitalar não são apenas uma notícia sobre um indivíduo, mas um símbolo de esperança e continuidade para a causa que ele personifica. A presença de Raoni, mesmo que agora mais resguardada pela idade, segue sendo um farol, um lembrete vivo da importância da proteção ambiental e do respeito aos direitos dos povos originários, cujas vozes são cruciais para o futuro do planeta.

Sua volta à aldeia, ao convívio com seu povo e sua cultura, reafirma a vitalidade e a resistência das comunidades indígenas do Brasil. A história de Raoni, marcada por décadas de ativismo, denúncias e encontros com líderes mundiais, continua a inspirar. A expectativa é que, com o tratamento conservador e o apoio de sua comunidade, ele possa seguir, mesmo que de forma mais reclusa, a ser essa voz potente e a fonte de inspiração que sempre foi.

Para se manter informado sobre a saúde de Raoni, os desafios enfrentados pelos povos indígenas no Brasil e as últimas notícias sobre o meio ambiente e a política nacional, continue acompanhando o Capital Política. Nosso compromisso é com a informação relevante, atualizada e contextualizada, oferecendo a você uma leitura aprofundada dos fatos que moldam nossa realidade e impactam o futuro.

Fonte: https://g1.globo.com

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