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Senado aprova PEC da Segurança Pública e adia debate sobre redução da maioridade penal

O plenário do Senado Federal deu sinal verde na noite desta terça-feira (3) para a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, uma iniciativa do Poder Executivo que promete redefinir o arcabouço de combate ao crime organizado no país. A aprovação, em dois turnos e com amplo apoio dos senadores, marca um passo […]

© Lula Marques/Agência Brasil.

O plenário do Senado Federal deu sinal verde na noite desta terça-feira (3) para a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, uma iniciativa do Poder Executivo que promete redefinir o arcabouço de combate ao crime organizado no país. A aprovação, em dois turnos e com amplo apoio dos senadores, marca um passo significativo na agenda de segurança do governo, ao mesmo tempo em que deliberadamente separa e posterga um dos temas mais sensíveis e polarizados do debate nacional: a redução da maioridade penal.

A PEC recebeu votação quase unânime, com 73 votos favoráveis no primeiro turno e 75 no segundo, superando com folga o mínimo de 49 votos necessários para uma alteração constitucional. O resultado reflete um consenso político em torno da necessidade de aprimorar as ferramentas do Estado no enfrentamento a facções criminosas e milícias, um flagelo que afeta a segurança e a vida de milhões de brasileiros diariamente. Agora, com a aprovação em ambas as casas do Congresso Nacional, o texto será promulgado, incorporando suas diretrizes à Constituição Federal.

O Novo Pacto Federativo e o Combate ao Crime Organizado

A proposta aprovada tem como espinha dorsal a reorganização das forças de segurança, com foco na atuação integrada e na cooperação federativa entre União, estados e municípios. Um dos pontos centrais é a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), alterando o Artigo 144 da Carta Magna. Essa mudança eleva o SUSP – que já existe por lei desde 2018 – ao patamar constitucional, reforçando a premissa de que a segurança pública deve ser exercida de forma 'integrada e descentralizada', garantindo maior eficiência na prevenção, persecução e execução penal.

Entre as medidas mais impactantes, a PEC estabelece um endurecimento significativo das penalidades e regimes de prisão para líderes de facções e milícias. Prevê a reclusão em unidades de segurança máxima e a restrição ou até vedação à progressão de penas para esses criminosos. Adicionalmente, são introduzidas ações patrimoniais mais robustas contra os bens oriundos de atividades ilícitas, a responsabilização de pessoas jurídicas envolvidas e a proteção a denunciantes e seus familiares, visando descapitalizar o crime organizado e desmantelar suas estruturas.

Essa PEC representa uma das prioridades do governo atual na área da segurança, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tendo inclusive prometido a criação do Ministério da Segurança Pública após sua aprovação. A iniciativa busca dar uma resposta mais coordenada e contundente à crescente complexidade do cenário criminal brasileiro, que exige uma abordagem que transcenda as fronteiras estaduais e a atuação isolada das corporações.

A Maioridade Penal: Um Debate Adiado, Não Encerrado

Um dos capítulos mais intensos da tramitação da PEC foi o debate em torno da inclusão de emendas que propunham a redução da maioridade penal, de 18 para 16 ou até 14 anos. Contudo, o relator da proposta, senador Rogério Carvalho (PT-SE), optou por não acolher essas emendas no relatório final. A decisão foi estratégica: votar as emendas sobre a maioridade penal junto com a PEC principal significaria o retorno do texto à Câmara dos Deputados, atrasando significativamente a promulgação das demais medidas de segurança.

Por uma margem apertada de 38 votos a 36, o plenário do Senado acatou o requerimento do relator para que as propostas de redução da maioridade penal fossem desmembradas e tramitassem como projetos autônomos. Carvalho justificou a separação, argumentando que, embora as emendas fossem 'relevantes e mereçam ser debatidas', elas 'não se confundem com o objetivo central da PEC', que é o combate ao crime organizado e a reestruturação da governança federativa da segurança pública.

Cláusula Pétrea e Divergências Jurídicas

A discussão sobre a maioridade penal é marcada por profundas divergências, tanto no campo jurídico quanto no político e social. O senador Rogério Carvalho destacou que uma parte dos juristas entende que o Artigo 228 da Constituição Federal, que define a maioridade penal em 18 anos, configura uma cláusula pétrea. Isso significa que, por integrar o rol de direitos e garantias individuais, o limite etário da responsabilidade criminal seria imutável, mesmo por meio de emenda constitucional. Em contrapartida, outra corrente jurídica argumenta que o artigo não se enquadra como cláusula pétrea, permitindo sua alteração.

As emendas apresentadas ilustram a complexidade do tema. A emenda 84, do senador Rogério Marinho (PL-RN), sugeria a redução para 16 anos como regra geral, com 14 anos para crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas. Já a emenda 87, do senador Camilo Santana (PT-CE), propunha manter os 18 anos como regra, mas reduzir para 16 em casos de crimes hediondos. Tais propostas, no entanto, enfrentam forte oposição de organizações da sociedade civil que atuam na defesa dos direitos de crianças e adolescentes, que alertam para os riscos de um aumento da criminalidade e do encarceramento juvenil sem resolver as causas sociais.

Implicações e Próximos Passos

Com a promulgação da PEC da Segurança Pública, o Brasil terá um novo marco constitucional para a organização de suas forças de segurança e para o enfrentamento ao crime organizado. As medidas visam fortalecer a capacidade de resposta do Estado e promover uma atuação mais sinérgica entre os entes federativos. Os desafios agora se voltam para a implementação efetiva dessas diretrizes, que dependerão de investimentos, treinamento e uma coordenação política constante.

Quanto à maioridade penal, o debate não está encerrado, apenas ganhou uma via própria. A separação das emendas permite que o tema seja discutido com a profundidade que merece, sem vincular sua tramitação a outras pautas urgentes. Este cenário indica que a sociedade e o Congresso ainda terão pela frente discussões acaloradas sobre a melhor forma de lidar com a criminalidade juvenil, equilibrando justiça, direitos e a busca por soluções eficazes e duradouras.

A aprovação da PEC da Segurança Pública e o adiamento da discussão sobre a maioridade penal demonstram a capacidade do Legislativo em priorizar pautas urgentes, ao mesmo tempo em que reconhece a necessidade de um debate mais aprofundado sobre temas complexos. Para continuar acompanhando os desdobramentos dessas importantes decisões que impactam diretamente a vida dos cidadãos e o futuro da segurança pública no Brasil, siga o Capital Política. Nosso compromisso é trazer informações relevantes, contextualizadas e apuradas para que você esteja sempre bem informado sobre os rumos do país.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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