PUBLICIDADE

Superávit de 2027 mantido: Durigan garante estabilidade fiscal apesar de novas medidas

Apesar de uma série de novas iniciativas com potencial impacto nas contas públicas, o governo federal mantém a projeção de superávit primário para o Orçamento de 2027. A garantia foi dada recentemente por Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda. Segundo ele, as ações foram meticulosamente planejadas para se encaixar nas regras fiscais vigentes, preservando […]

© Washington Costa/Ministério da Fazenda

Apesar de uma série de novas iniciativas com potencial impacto nas contas públicas, o governo federal mantém a projeção de superávit primário para o Orçamento de 2027. A garantia foi dada recentemente por Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda. Segundo ele, as ações foram meticulosamente planejadas para se encaixar nas regras fiscais vigentes, preservando a integridade do recém-aprovado arcabouço fiscal, o que representa um esforço contínuo para equilibrar a agenda social com a responsabilidade econômica.

A manutenção do superávit primário – que representa a economia feita pelo governo para pagar os juros da dívida pública, excluindo os próprios juros – é um sinal crucial para a credibilidade econômica do país. Um superávit indica que o Estado gasta menos do que arrecada, sem contar o serviço da dívida, fortalecendo a confiança de investidores e agências de classificação de risco, além de abrir espaço para a redução do endividamento público no longo prazo. A promessa de deixar um cenário fiscal equilibrado para a próxima gestão, como destacou Durigan em entrevista, sublinha um compromisso com a previsibilidade e a saúde fiscal do Estado brasileiro.

O Arcabouço Fiscal como Pano de Fundo

A espinha dorsal dessa estratégia é o novo arcabouço fiscal, instituído para substituir o teto de gastos e que busca conciliar a necessidade de estabilidade econômica com a flexibilidade para investimentos e programas sociais. Durigan tem reiterado que todas as medidas anunciadas foram concebidas estritamente dentro dos limites e premissas desse novo marco. Este posicionamento é fundamental para demonstrar que o governo não está improvisando, mas sim executando um plano fiscal robusto e consciente das suas responsabilidades.

Ainda segundo o secretário-executivo, a gestão atual conseguiu uma melhora significativa nas contas públicas, com um impacto positivo de R$ 200 bilhões desde o início de 2023. Essa melhoria, que se traduz em um ajuste fiscal considerável, serve como base para justificar a viabilidade das novas iniciativas sem comprometer os alvos de superávit. É um desafio contínuo para a equipe econômica manter o controle sobre o crescimento das despesas enquanto atende a demandas sociais urgentes e investe no desenvolvimento do país.

As Medidas e Seus Impactos Sociais e Econômicos

As medidas que, inicialmente, geraram dúvidas sobre a manutenção do superávit incluem o reajuste do Bolsa Família em aproximadamente 15%, ações voltadas para a redução do custo dos combustíveis, a terceira fase do programa Desenrola Brasil e iniciativas regulatórias para o setor de apostas esportivas. Além disso, o governo apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para instituir a tarifa zero no transporte público em fins de semana e feriados, uma proposta com grande apelo social e impacto na mobilidade urbana.

Reajuste do Bolsa Família e a Proteção Social

O reajuste do Bolsa Família é um pilar da política social do governo, visando mitigar os efeitos da pobreza e da insegurança alimentar. A elevação dos valores pagos, com o aumento de cerca de 15%, busca fortalecer o poder de compra de milhões de famílias brasileiras em um cenário de custos crescentes. A decisão de anunciar esse reajuste só ocorreu, conforme Durigan, após a identificação de espaço fiscal suficiente para absorver o aumento das despesas sem comprometer a meta de superávit.

Subsídios aos Combustíveis em Contexto Global

As ações relacionadas aos combustíveis, que envolvem subsídios e desonerações, são uma resposta direta às flutuações do mercado internacional de petróleo, exacerbadas por conflitos geopolíticos como a guerra no Oriente Médio. A alta nos preços do petróleo impacta diretamente a inflação e o custo de vida dos brasileiros. O governo buscou contrabalancear esse efeito, direcionando recursos, provenientes da expectativa de receitas adicionais com royalties e tributos, para reduzir o custo do diesel e da gasolina na bomba, minimizando o impacto sobre consumidores e a cadeia produtiva.

O Programa Desenrola 3.0: Alívio para Endividados

O programa Desenrola Brasil, em sua terceira fase, representa um esforço significativo para combater o endividamento de famílias e pequenos empreendedores, problema que se agravou durante a pandemia. Durigan fez questão de diferenciar a renegociação de débitos de um mero congelamento de dívidas. Enquanto o congelamento representaria uma interrupção ampla de pagamentos, com um calote potencial de até R$ 3 trilhões e impacto desestabilizador no sistema financeiro, o Desenrola busca oferecer condições facilitadas para a regularização. Na nova fase, o governo atuará comprando parte dos débitos com descontos mínimos de 90%, o que facilita a recuperação do acesso ao crédito para milhões de brasileiros e movimenta a economia.

Tarifa Zero no Transporte e a Mobilidade Urbana

A proposta de emenda constitucional para instituir a tarifa zero no transporte público aos fins de semana e feriados é uma iniciativa com foco na inclusão social e na melhoria da mobilidade urbana, visando facilitar o acesso de trabalhadores e fomentar o lazer. Embora seja uma medida de grande alcance social, seu financiamento e a capacidade de integração aos orçamentos municipais e estaduais são pontos de intenso debate e demandarão uma solução fiscal robusta para sua implementação sustentável.

Estratégia de Acomodação Orçamentária

Para acomodar parte dos custos dessas iniciativas, o Ministério do Planejamento e Orçamento anunciou que o governo enviará ao Congresso Nacional uma proposta de alteração do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027. A estratégia prevê o remanejamento de aproximadamente R$ 20 bilhões dentro do Orçamento, sem a necessidade de elevar o limite total de despesas. Isso demonstra uma gestão cuidadosa dos recursos existentes, priorizando as áreas consideradas estratégicas.

O restante do impacto fiscal, conforme explicado, será absorvido pela revisão da estimativa de gastos obrigatórios. Esse mecanismo permite que o governo incorpore as novas iniciativas sem furar o teto de gastos estabelecido pelo arcabouço fiscal, por meio de uma reavaliação minuciosa das previsões de despesas mandatórias, que podem variar de acordo com cenários econômicos e demográficos. A habilidade de realizar esses ajustes sem desviar das metas fiscais é um termômetro da capacidade de planejamento e execução da equipe econômica.

Desafios e Perspectivas para a Economia Brasileira

A garantia do superávit de 2027, mesmo em um contexto de aumento de programas sociais e subsídios, é um indicativo da determinação do governo em manter a disciplina fiscal. No entanto, o cenário econômico global volátil e as pressões internas por mais gastos continuam sendo desafios permanentes. A transparência na comunicação e a aderência estrita às regras do arcabouço fiscal serão essenciais para consolidar a confiança do mercado e da sociedade na gestão econômica do país, pavimentando o caminho para um crescimento sustentável e inclusivo.

O Capital Política continuará acompanhando de perto os desdobramentos dessas medidas, a evolução das contas públicas e o impacto delas na vida dos brasileiros. Mantenha-se informado com nossa cobertura aprofundada, análises contextualizadas e reportagens que desvendam os bastidores da política e da economia, trazendo a você a informação mais relevante e apurada para entender o complexo cenário nacional.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Leia mais

PUBLICIDADE