Em um desdobramento que acende o alerta sobre a gestão de recursos previdenciários no Rio de Janeiro, um fundo administrado pelo conglomerado Banco Master declarou não possuir caixa para honrar pagamentos devidos. Trata-se do Revolution, um fundo de crédito privado que recebeu um aporte substancial de R$ 481,5 milhões do Rioprevidência – o fundo de pensão dos servidores públicos fluminenses – e que agora se vê sob o cerne de uma intrincada teia de investigações da Polícia Federal (PF) e ações judiciais. A alegação de insolvência vem à tona justamente no momento em que a gestora de seus investimentos, a Acura, cobra R$ 14,8 milhões em taxas de gestão.
A situação do Revolution é particularmente grave. Apesar de ter recebido os vultosos recursos do Rioprevidência, os investimentos no fundo já eram objeto de apuração. A carteira era composta por títulos com vencimentos alongados e ativos de crédito que, segundo a Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ), apresentavam uma remuneração “economicamente anômala”, chegando a impressionantes 180% do CDI – um percentual que gerou suspeitas sobre a sua origem e sustentabilidade.
A Controvérsia dos Pagamentos e a Dívida da Acura
A Acura, que também está sob investigação no chamado “Caso Master”, era a responsável pela gestão dos investimentos da carteira do Revolution. Pelo regulamento do fundo, a gestora tinha direito a uma taxa de 0,60% ao ano sobre o patrimônio líquido gerido, calculada diariamente e paga mensalmente. No entanto, o Revolution deixou de quitar essas taxas entre setembro de 2025 e fevereiro deste ano, acumulando seis meses de inadimplência. As parcelas mensais, que variavam de R$ 1,6 milhão a R$ 2,7 milhões, culminaram na dívida de R$ 14,8 milhões que levou os advogados da Acura a ajuizar uma ação de cobrança.
A ironia da situação é que a própria Acura, ao buscar receber os valores devidos, alega enfrentar suas próprias dificuldades financeiras. Em outro processo judicial, a gestora se declarou em “incapacidade econômica momentânea” e “insuficiência de liquidez”. Essa fragilidade teria se agravado após a Operação Compliance Zero, que resultou na redução da carteira da Acura de cerca de 70 para 30 fundos. Além disso, a empresa sofreu um bloqueio judicial de bens e de dois de seus diretores no limite de R$ 481,5 milhões, valor exato que o Rioprevidência busca reaver do Fundo Revolution.
Intervenção Judicial e o Futuro do Rioprevidência
Diante do cenário de incerteza e suspeitas, a Justiça do Rio de Janeiro agiu para proteger os interesses do Rioprevidência. Uma decisão judicial determinou medidas para garantir o resgate dos R$ 481,5 milhões investidos pelo fundo de pensão no Revolution. Essa decisão impede que a administradora do fundo crie obstáculos ou atrase o resgate, previsto para agosto de 2026, e também exige a realização de uma auditoria independente sobre a situação patrimonial da carteira. O objetivo é claro: assegurar o eventual ressarcimento dos recursos públicos.
Este caso não é um incidente isolado. A Polícia Federal já havia constatado que a cúpula do Rioprevidência aportou um montante impressionante de R$ 3,7 bilhões em produtos financeiros ligados ao conglomerado Banco Master nos últimos anos. Essas movimentações fazem parte de uma investigação mais ampla que apura supostas irregularidades e gestão temerária nos investimentos do fundo de previdência fluminense, com indícios de um “almanaque de irregularidades”, segundo a própria PF.
O Impacto Social e a Busca por Transparência
A crise de um fundo de previdência como o Rioprevidência reverbera muito além do universo financeiro. Ele afeta diretamente a segurança econômica de milhares de servidores públicos e aposentados do estado do Rio de Janeiro, que dependem desses recursos para seu sustento e bem-estar. A cada nova revelação sobre má gestão ou suspeitas de fraude, a confiança nas instituições e na capacidade do Estado de proteger o patrimônio público é abalada. A sociedade, e em especial os beneficiários da previdência, cobram por clareza, responsabilização e, acima de tudo, pela recuperação dos valores aplicados.
O desafio agora é desvendar completamente o emaranhado financeiro, garantir a devolução dos recursos e implementar mecanismos que previnam futuras ocorrências semelhantes. As auditorias e investigações em curso são passos cruciais para restaurar a integridade e a solvência do Rioprevidência, um pilar fundamental para a estabilidade social e econômica do estado.
Acompanhar de perto o desenrolar dessas investigações e as medidas tomadas para salvaguardar os recursos públicos é essencial para compreender os impactos na vida dos cidadãos. O Capital Política segue comprometido em trazer as informações mais relevantes e contextualizadas sobre este e outros temas que moldam o cenário político e econômico do país, oferecendo aos seus leitores uma análise aprofundada e credível. Continue conosco para não perder os próximos capítulos desta importante apuração e a variedade de análises que oferecemos diariamente.
Fonte: https://www.metropoles.com