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Advogados ligados a casos do 8 de Janeiro disputam as eleições de 2026 pelo Partido Novo

O cenário político brasileiro para as eleições de 2026 começa a se desenhar com uma peculiaridade que reflete as tensões dos últimos anos: advogados que atuaram na defesa de réus ou na representação de familiares envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, ou em outros casos de grande repercussão política, estão migrando […]

Arte Metrópoles / Lara Abreu

O cenário político brasileiro para as eleições de 2026 começa a se desenhar com uma peculiaridade que reflete as tensões dos últimos anos: advogados que atuaram na defesa de réus ou na representação de familiares envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, ou em outros casos de grande repercussão política, estão migrando dos tribunais para o palanque. A movimentação é notável no Partido Novo, que tem atraído alguns desses profissionais para suas fileiras, buscando vagas no Congresso Nacional e no Senado. Essa transição de defensores para candidatos não apenas coloca em evidência a polarização política, mas também questiona os limites e as estratégias da militância jurídica no processo eleitoral.

Do Fórum às Urnas: Estratégias e Perfis dos Candidatos

A incursão de figuras ligadas diretamente aos desdobramentos judiciais do 8 de Janeiro na política eleitoral não é um mero acaso. Ela aponta para uma estratégia de capitalização de um eleitorado insatisfeito com as investigações e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), ou que se identifica com as pautas de liberdade de expressão e crítica às instituições. O Partido Novo, com sua plataforma liberal-conservadora e frequentemente crítica ao que classifica como “intervencionismo estatal”, torna-se um porto natural para esses perfis.

Entre os nomes que buscam espaço nas urnas está Jeffrey Chiquini, advogado que defende Filipe Martins, ex-assessor internacional do ex-presidente Jair Bolsonaro. Martins foi condenado pelo STF no âmbito da chamada “trama golpista”, acusado de participação em planos para reverter o resultado das eleições de 2022. Chiquini, que atua em um caso de alta sensibilidade política, agora projeta sua atuação para a esfera legislativa, sendo pré-candidato a deputado federal pelo Novo no Paraná. Sua trajetória ilustra a ponte entre a atuação jurídica em causas polêmicas e a ambição política, onde a notoriedade nos tribunais pode ser convertida em capital eleitoral.

Outro exemplo contundente é o do ex-desembargador Sebastião Coelho, também defensor de Filipe Martins. Coelho, conhecido por sua postura crítica ao STF, especialmente ao ministro Alexandre de Moraes – a quem chegou a desacatar publicamente durante um julgamento –, concorre ao Senado pelo Novo no Distrito Federal. Sua candidatura é um símbolo da confrontação direta com o Judiciário e busca atrair eleitores que veem nas decisões da Corte uma afronta às liberdades individuais ou uma perseguição política. A imagem de “advogado combativo” pode ser um trunfo em campanhas que se apoiam na narrativa de defesa da ordem e da liberdade.

Diversidade de Casos e o Espectro Político

Embora o 8 de Janeiro seja o ponto focal para muitos, a conexão de advogados com casos de relevância política vai além. No Ceará, Carolina Siebra, que se apresenta como representante da Associação de Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro, disputa uma vaga de deputada federal pelo Novo. Sua atuação foca na perspectiva das famílias e dos envolvidos nos atos, trazendo uma dimensão humana e, por vezes, de vitimização, para o debate público e eleitoral. Essa abordagem busca engajar um público que acredita na necessidade de revisão ou de um tratamento mais “justo” para os processados pelos eventos de janeiro de 2023.

Um caso que se distingue, mas ainda assim se insere nesse contexto de advogados de figuras polêmicas buscando espaço político, é o de Fábio Pagnozzi. Ele é advogado de defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli e concorre a deputado federal pelo Novo em São Paulo. Zambelli foi condenada pelo STF em processos sem relação direta com o 8 de Janeiro, como a invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e por porte ilegal de arma e perseguição armada. A candidatura de Pagnozzi, embora ligada a crimes de outra natureza, reflete a mesma dinâmica de advogados de figuras do espectro conservador-bolsonarista buscando legitimidade política através das urnas, capitalizando a visibilidade de seus clientes e o apoio de suas bases eleitorais.

Desistências e Acusações: As Sombras da Candidatura

Nem todas as incursões no campo político são bem-sucedidas ou isentas de controvérsias. O advogado Matheus Mayer Milanez, que atuou na defesa do general Augusto Heleno – condenado a 21 anos de prisão pela Primeira Turma do STF por sua participação na trama golpista –, chegou a se lançar como pré-candidato a deputado federal pelo Republicanos no Distrito Federal, mas renunciou à disputa. A decisão, anunciada como “por foro íntimo”, veio à tona em meio a acusações de que Milanez teria agredido sua ex-esposa em múltiplas ocasiões, antes e durante a gravidez dela. O advogado nega as acusações, mas o episódio expõe os riscos e as verificações que os partidos e os eleitores precisam considerar ao analisar esses perfis.

Relevância e Desdobramentos para o Cenário Político

A entrada desses advogados na arena eleitoral é um sintoma da persistente polarização política no Brasil e da ressonância dos eventos de 8 de Janeiro. Para o eleitor, compreender essas candidaturas significa entender como as causas jurídicas de grande repercussão podem moldar a plataforma política de um indivíduo e, por extensão, de um partido. A presença desses nomes nas urnas não apenas renova o debate sobre a Justiça e o Estado de Direito, mas também testa a disposição do eleitorado em apoiar figuras que se projetaram a partir de contenciosos altamente sensíveis.

Essas candidaturas podem consolidar o Novo como um polo de atração para uma parcela do eleitorado descontente com as narrativas predominantes sobre o 8 de Janeiro e outros temas controversos. Por outro lado, a polarização inerente a essas figuras pode dificultar a construção de pontes e o diálogo, essenciais para a governabilidade e para a superação das profundas divisões sociais. O desfecho dessas disputas em 2026 oferecerá um termômetro de como a sociedade brasileira processa e ressignifica os traumas políticos recentes.

O Capital Política continuará acompanhando de perto o desenrolar das campanhas e os impactos dessas candidaturas no panorama eleitoral. Nosso compromisso é trazer informação relevante, análises aprofundadas e diferentes perspectivas sobre os temas que moldam o futuro do Brasil. Para se manter sempre bem informado e contextualizado, continue acompanhando nosso portal e a variedade de nossos conteúdos.

Fonte: https://www.metropoles.com

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