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Golpe milionário: Empresário da Naskar usou namorada e familiares em fraude contra a Zema Financeira

Em um esquema que levanta sérias questões sobre a integridade de operações financeiras e a vulnerabilidade de idosos, Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos, proprietário da fintech Naskar, é o principal alvo de uma investigação por um suposto golpe que teria desviado R$ 75 milhões da Zema Financeira. O caso, apurado pela Polícia […]

OAB-GO/Divulgação

Em um esquema que levanta sérias questões sobre a integridade de operações financeiras e a vulnerabilidade de idosos, Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos, proprietário da fintech Naskar, é o principal alvo de uma investigação por um suposto golpe que teria desviado R$ 75 milhões da Zema Financeira. O caso, apurado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), revela uma trama complexa que envolveu sua namorada, o cunhado e até mesmo sua avó materna, evidenciando a ousadia e a frieza dos envolvidos.

A instituição financeira alvo da fraude pertence à influente família do ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo), o que confere ao caso uma dimensão adicional de repercussão. Douglas Azara, atualmente foragido e supostamente em Dubai, é procurado pela justiça, enquanto parte de sua rede de apoio já foi detida, expondo a fragilidade de sistemas e a capacidade de criminosos se infiltrarem em ambientes financeiros.

A Estrutura do Golpe e o Papel Crucial da Companheira

A investigação da PCMG aponta que Douglas Azara arquitetou a logística do ataque cibernético, contando com a participação ativa de sua companheira, a advogada Jessika Lorrane Bastos de Castro, de 35 anos, e do cunhado, Maycon Douglas Bastos de Castro. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decretou a prisão preventiva dos principais envolvidos, mas Douglas e Jessika permanecem foragidos.

Jessika Lorrane, com inscrição ativa na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Anápolis (GO), é apontada como figura central no apoio logístico e operacional do grupo. Segundo os investigadores, sua residência, em um condomínio fechado na cidade goiana, serviu como o 'quartel-general' telemático da invasão hacker. Cruzamentos de dados de IP realizados pela Polícia Civil mineira comprovaram que as conexões utilizadas para ordenar os saques e pagamentos fraudulentos contra a Zema Financeira partiam diretamente do imóvel onde o casal vivia.

Além de abrigar a infraestrutura criminosa, a advogada teria cedido suas próprias contas bancárias e uma empresa individual para servir de 'duto' no fluxo dos valores ilícitos, atuando como peça-chave na movimentação financeira do esquema. A OAB-GO foi acionada para se pronunciar sobre a conduta da advogada, cuja inscrição segue ativa, levantando um debate sobre a responsabilidade profissional em casos de envolvimento em fraudes.

O Cunhado como 'Laranja' e as Primeiras Prisões

Para evitar que o endereço principal das operações ficasse atrelado diretamente a Douglas Azara ou às suas empresas, o empresário teria recorrido ao cunhado, Maycon Douglas Bastos de Castro. Sócio da empresa Mayconst Ltda., Maycon assinou o contrato de locação do imóvel em Anápolis em nome de sua pessoa jurídica. Essa manobra, descrita pela Justiça mineira como ocultação patrimonial e de localização, visava blindar o verdadeiro líder do esquema, dificultando que ordens judiciais ou rastreamentos policiais chegassem rapidamente a Douglas.

A Polícia Civil de Goiás (PCGO), em colaboração com a investigação mineira, efetuou as prisões de Maycon e de Marllon Henrique Castro Silva, apontado como diretor de TI do grupo criminoso, em 23 de junho. As detenções representam um avanço significativo na desarticulação da rede, mas os mentores continuam a ser procurados, especialmente Douglas Azara, que se encontra fora do país.

A Crueldade do Esquema: Avó com Alzheimer é Envolvida

A dimensão da frieza no suposto golpe atinge um patamar alarmante com o envolvimento da avó materna de Douglas, Célia de Fátima Ferreira, de 77 anos. Residente em Uberlândia (MG) e diagnosticada com Alzheimer, a idosa não tem capacidade de responder por si, tornando-se uma vítima ainda mais vulnerável na estratégia criminosa. O uso de uma pessoa em tal condição para facilitar a fraude evidencia uma completa falta de escrúpulos por parte dos idealizadores do esquema, adicionando uma camada de drama humano e de ilegalidade ao caso.

A Ostentação em Dubai e o Descaso com Milhares de Clientes

Enquanto a Justiça brasileira o procura, Douglas Azara está supostamente em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Longe das consequências imediatas de suas ações no Brasil, ele tem ostentado carros de luxo e, em publicações nas redes sociais, demonstrava desdém pela situação, chegando a zombar dos 3 mil clientes da Naskar, a fintech da qual era proprietário. Esses clientes sonham com o ressarcimento de aproximadamente R$ 900 milhões, valor que teria desaparecido após as operações da Naskar. Essa fuga e a postura debochada acentuam a revolta das vítimas e o desafio das autoridades em casos de evasão internacional.

O caso da Naskar, que precedeu o golpe contra a Zema Financeira, já era emblemático. Milhares de investidores, atraídos por promessas de altos retornos, viram suas economias se esvaírem. O suposto golpe contra a Zema Financeira, ocorrido entre novembro e dezembro de 2023, conforme apontam as investigações, adiciona mais um capítulo sombrio à ficha de Douglas Azara, revelando um padrão de fraude e desrespeito a princípios financeiros e éticos.

Implicações e Desdobramentos Futuros

A complexidade deste caso, que abrange fraude cibernética, uso de 'laranjas' e envolvimento familiar, inclusive de uma idosa vulnerável, destaca a sofisticação crescente de criminosos no ambiente digital. A fuga para Dubai e a dificuldade de extradição representam um obstáculo comum em investigações de crimes financeiros transnacionais, colocando à prova a cooperação jurídica internacional.

Para a Zema Financeira, a fraude levanta questionamentos sobre a segurança de seus sistemas, enquanto para os milhares de clientes da Naskar, a esperança de reaver o dinheiro investido se vê ainda mais distante com o paradeiro incerto de Douglas Azara. O desdobramento deste caso terá implicações importantes para a regulamentação de fintechs, a proteção de dados e a responsabilização de criminosos que exploram as brechas do sistema e a confiança das pessoas.

Acompanhe o Capital Política para mais informações sobre este caso em andamento e outros temas relevantes que impactam a sociedade. Nosso compromisso é trazer a você um jornalismo aprofundado, com contexto e análise dos fatos que realmente importam, do local ao global, sempre com a credibilidade que você espera.

Fonte: https://www.metropoles.com

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